Manejo nutricional de vacas de corte na época seca

No Brasil Central o sistema de produção de bovinos de corte, quase na sua totalidade, é baseado na exploração de pastagens com gramíneas tropicais. Assim, durante o período das águas, na maioria das vezes, as condições de solo e clima são ideais para as plantas produzirem bastante massa verde. Porém, na época seca (maio a outubro), o déficit hídrico associado à queda de temperatura e luminosidade leva a uma severa limitação ao crescimento das forrageiras, ao mesmo tempo em que ocorre drástica queda no valor nutritivo das mesmas, o que torna incompatível com o aumento das exigências nutricionais das vacas de cria, que normalmente nesta época encontram-se no terço final da gestação ou no início da lactação. Assim sendo, é fundamental a adoção de estratégias para minimizar os efeitos da seca.

Para aquelas fazendas que adotam o planejamento forrageiro, por meio da vedação de algumas pastagens de meados para o final da estação chuvosa, cultivo de cana-de-açúcar e de gramíneas anuais de inverno ou de verão, ou até mesmo feno e silagem, em que pese o risco destas últimas alternativas serem economicamente inviáveis para algumas categorias, principalmente para as vacas de cria é mais certo o prognóstico de um inverno tranqüilo. Por outro lado, nas propriedades onde não há tal planejamento ainda é tempo de tomar algumas medidas para evitar a acentuada queda nos índices zootécnicos da propriedade, e em situações extremas, até mesmo a morte de animais.

A primeira medida é saber qual a capacidade de suporte das pastagens da fazenda. Tal pode ser feito, por exemplo, por meio do uso de uma moldura de ferro de dimensão conhecida (p.ex. 1 m2), que será lançada em vários pontos de locais representativos da massa disponível no pasto (p.ex. 8 pontos). Mediante o corte e pesagem da massa de forragem cortada rente ao solo, obtêm-se um valor médio (p.ex. 1,5 kg) que multiplicado por 10.000 m2 (área de um hectare) resulta na produção total de massa verde (p.ex. 15.000 kg/ha). Além disso, retira-se uma amostra (p.ex. 500 g) desse material para desidratação, que depois de seco (p.ex.100 g ou 20% de matéria seca (MS) possibilitará o cálculo da disponibilidade de massa seca de forragem por hectare. Por exemplo,15.000 kg x 20% MS corresponde a 3.000 kg MS/ha.

Considerando-se que uma vaca consuma cerca de 2% do seu peso vivo por dia e somente consegue aproveitar cerca de 50% da massa disponível, p.ex., para vacas de 400 kg, para um período de 150 dias de seca, a lotação seria de aproximadamente 1,3 vacas/ha (3000 kg MS/(16 kg x 150 dias) = 1,3 vacas/ha). Caso o número de animais seja incompatível com a massa disponível, o técnico responsável deverá ajustar a lotação da fazenda à capacidade de suporte por meio da venda de animais, arrendamento de pastagens de terceiros ou a aquisição de volumosos para suplementação.

Como medida para contornar a diminuição no valor nutritivo dos pastos tropicais pode-se lançar mão da utilização de suplementos amplamente disponíveis no mercado. A suplementação poderá ser iniciada assim que houver uma mudança na coloração dos pastos (verde para amarelo esverdeado e depois amarronzado) que poderá ser utilizado como parâmetro de queda de qualidade do pasto e limitação principalmente do teor de proteína bruta.

Se na época de transição as vacas estiverem, no mínimo, com um escore de condição corporal (CC) igual a 5, considerado moderado na escala de CC de 1 a 9 (onde os extremos são de um lado muito magras e de outro exageradamente gordas), um suplemento de baixo consumo, como a mistura mineral com uréia ou um suplemento proteinado será suficiente para manter ou até mesmo melhorar a CC corporal das vacas. Esses suplementos são ricos em fontes nitrogenadas que é o nutriente limitante para otimizar a fermentação ruminal da matéria orgânica ingerida na pastagem.

No entanto, para as vacas com CC menor que 4,5, consideradas vacas magras, mesmo com uma boa disponibilidade de pasto, devem ser fornecidos suplementos concentrados protéico-energéticos compatíveis com a meta de aumento na CC para o período. Matérias primas como o caroço de algodão integral e a casca de soja, entre outras, poderão ser utilizadas com um ótimo resultado de ganho diferencial.

Ressalta-se que a melhor forma de se avaliar o estado nutricional e de se predizer a fertilidade da próxima estação de monta é por meio da avaliação da CC das vacas de corte. Vacas que apresentam um escore de CC inferior a 5 na época do pré-parto são as possíveis vacas falhadas na próxima estação de monta. Isto é um problema mais agudo nas vacas primíparas, que embora em lactação, ainda estão em crescimento. Nestas, uma nova concepção torna-se mais difícil em função da baixa CC e conseqüente anestro durante a estação de monta.

Direcionar os melhores pastos para as vacas primíparas, aumentar a oferta de forragem e adequar a suplementação com as metas de CC são procedimentos que melhoram os índices reprodutivos para esta categoria tão exigente.

São muitas as opções de suplementação disponíveis e o técnico deverá ficar muito atento a “milagres” que alguns prometem. O bovino comparado com outras espécies apresenta uma menor eficiência alimentar. Desta forma, não se deve criar uma expectativa de altos ganhos diferenciais com a adoção de suplementos com baixo consumo, como os proteínados e sal com uréia.

Nunca é demais lembrar que o desempenho dos animais em pastagem está diretamente relacionado à quantidade de massa disponível, enquanto a adoção de suplementação deverá estar baseada na estratégia de negócio do sistema de produção e no retorno econômico.

Autor: IEPEC

Fonte: http://gadoleiteiro.iepec.com/noticia/manejo-nutricional-de-vacas-de-corte-na–epoca-seca