Estratégias de manejo para melhorar a eficiência reprodutiva na fazenda

A principal ferramenta para predizer o período de serviço (período que vai do parto até a concepção) é a avaliação do escore de condição corporal (ECC), pois tem estreita relação com a fertilidade e status nutricional das fêmeas, oferecendo orientação sobre qual manejo deve ser feito para melhorar a performance reprodutiva.

Nas condições de Brasil Central a estação de monta deve ser concentrada nos meses onde se tem a maior disponibilidade e qualidade de alimentação volumosa favorecida pela época de chuvas na região. Além disso, as fêmeas que concebem neste período irão parir na estação seca que é o período mais apropriado para a estação de nascimentos, diminuindo assim a mortalidade de bezerros.

Para novilhas é aconselhável que se faça uma estação de monta um pouco mais cedo e mais curta – cerca de 60 dias – que proporcionará um maior período de recuperação após o parto na estação de monta subseqüente. As novilhas que não conceberem durante aquela estação de monta podem ser novamente acasaladas em uma estação de outono a fim de evitar que esta fêmea permaneça por um ano na propriedade, sem conceber. Esta estação pode ser de 30 a 45 dias sendo feita no mês de maio quando com 30 dias e a partir do dia 15 de abril até o fim do mês de maio quando com 45 dias.

Para otimizar o período de serviço devem-se buscar estratégias para manter o ECC e o peso corporal ou melhorá-la no caso de animais com baixo ECC. Deve-se buscar um ECC entre 6 e 7 ao parto para se ter melhor performance reprodutiva.

Observa-se no Brasil Central uma variação muito grande no ECC dos animais, principalmente aqueles em sistemas mais extensivos de produção. Há uma tendência que as vacas estejam com ECC bom no período das chuvas e ECC mais baixo no período da seca (estacionalidade produtiva das forragens), nesse caso no período de menor produção de forragens deve-se buscar uma alternativa para suprir este déficit para que não ocorra perda de ECC ou que essa perda seja minimizada ao longo do período e não tão intensa.

Separar os animais com baixa condição corporal em lotes, os quais receberão uma atenção especial é uma etapa fundamental para a otimização do manejo nutricional. Estes animais não devem ser colocados no rodeio se estiverem com ECC abaixo de 5, pois tem baixa taxa de concepção em caso de apresentação de cio e também terão dificuldade de chegar a um ECC maior ou igual a 6 ao parto.

Na tentativa de incrementar-se a produção de gametas e assim melhorar as taxas de concepção e prenhez, o “flushing”, que consiste em um aumento da oferta de energia para o animal por um tempo limitado, tem sido usado com sucesso.

Como regra básica a energia deve ser o primeiro recurso a ser considerado no balanceamento de uma ração, pois até as exigências de energia serem satisfeitas, a proteína, minerais e vitaminas não são bem utilizadas. A dieta deve conter também os níveis recomendados de minerais e vitaminas, pois deficiências de vitaminas e minerais e em alguns casos excesso levam a desordens reprodutivas e infertilidade.

Cabe salientar que dentre as fêmeas que estão ciclando e que serão colocadas  num programa de inseminação artificial as melhores respostas são obtidas com as novilhas e vacas pluríparas que pariram primeiro na estação de nascimento – tiveram um maior tempo de recuperação – e os priores resultados com as vacas primíparas. Ainda lembramos que as melhores vacas e novilhas deverão serem acasaladas com o melhor material genético afim de obter as futuras matrizes do rebanho.

Autor: Gumercindo Loriano Franco

Fonte:

http://gadoleiteiro.iepec.com/noticia/estrategias-de-manejo-para-melhorar-a-eficiencia-reprodutiva-na-fazenda