Cruzamento em Gado de Corte

O cruzamento entre raças e a seleção dentro das raças puras, são os processos normalmente utilizados em melhoramento genético de gado de corte, visando melhorar de forma rápida a eficiência na produção de carne.

O cruzamento é caracterizado pelo acasalamento entre animais puros, no entanto de raças distintas. Diversos estudos demonstram que animais cruzados obtêm melhor desempenho, em razão da melhor adaptação ao ambiente e nutrição ao qual estão submetidos. No entanto o desempenho dos cruzados depende de efeitos aditivos, caracterizados pelos genes de interesse que cada animal pode passar para sua prole e da heterose ou vigor híbrido, que por sua vez é o fenômeno pelo qual os filhos apresentam melhor desempenho (mais vigor ou maior produção) do que a média dos pais.

A superioridade dos animais cruzados em relação aos puros ainda depende da utilização de indivíduos superiores de ambas as raças. Assim existe necessidade do conhecimento prévio do potencial dos animais a serem utilizados no cruzamento, e do conjunto de fatores ambientais a que as progênies cruzadas serão submetidas.

Nos animais F1 pretende-se reunir as boas qualidades de ambas às raças. No caso do cruzamento de touro Angus com fêmea Nelore, o que se espera são animais mais precoces que Nelore e mais rústicos que o Angus, e adaptados ao ambiente a que serão criados. De modo geral, ao se optar por sistemas de cruzamentos o que se busca é a produção de material genético desejado de forma rápida.

Outro benefício da utilização dos cruzamentos é tornar os sistemas de produção de bovinos mais flexíveis as opções de mercado, podendo-se obter animais terminados em diferentes datas.

Os tipos de cruzamentos mais utilizados são cruzamento simples ou industrial, contínuo ou absorvente e alternado simples. Também se realizam cruzamento alternado com repetição do europeu, cruzamento triplo ou tricross e formação de raças sintéticas ou compostas, também conhecido por mestiçagem. Cada cruzamento vem a atender uma ou mais necessidades do produtor.

Para o propósito de produção de carne, podemos dividir as raças bovinas, quanto às características gerais, em quatro grupos: raças zebuínas; raças européias de grande porte ou continentais, as raças britânicas e as européias adaptadas ao clima tropical.

No entanto no Brasil de maneira simples e direta, podem-se classificar as raças bovinas mais conhecidas de interesse para produção de carne do seguinte modo:

  1. Raças européias “Bos taurus”, e
  2. Raças indianas “Bos indicus”.

As raças européias podem ser separadas assim:

  • Raças européias adaptadas ao clima tropical, como a Caracu e Senepol;
  • Raças européias britânicas, como a Angus, Hereford, etc., e;
  • Raças européias continentais, como as francesas Charolês e Limousin, as suíças Simental e Pardo Suíço, ou as italianas Marchigiana e Piemontês.

Já as raças de origem indiana, do grupo Zebuíno, são bem conhecidas no Brasil, com as principais sendo Gir, Guzerá e Nelore. As raças Indubrasil e Tabapuã, embora sejam do grupo Zebu, não são indianas porque foram formadas no Brasil. É o caso também da raça Brahman, que foi formada nos Estados Unidos, a partir de cruzamentos entre raças indianas.

Em trabalho realizado com dados de animais puros Nelore e cruzamento de touros Angus, Hereford, e Senepol, com fêmeas Nelore, ainda não publicado, foram encontradas médias de peso a desmama e ao sobreano (ajustados para 240 e 450 dias respectivamente), superiores para os animais cruzados em comparação aos puros Nelore. Evidenciando a superioridade dos animais cruzados em relação as puros, como podem ser observado na Tabela 1 abaixo.

Estes resultados (Tabelas 1 e 2) foram obtidos em animais criados somente a pasto, sem suplementação com exceção de sal mineral. Logo percebe-se que os animais cruzados foram superiores tanto no peso a desmama quanto no peso ao sobreano.

A superioridade de animais cruzados em relação aos puros está diretamente relacionada ao tipo de ambiente e manejo aplicado aos mesmos, e na correta escolha das raças participantes do sistema de cruzamento, conhecendo previamente a diferença genética entre as raças utilizadas. Alguns trabalhos citam o cruzamento como alternativa para melhorar a habilidade materna em gado de corte e que também pode estar associada a sistemas de produção de carne mais intensivos, demandando peso de desmame mais elevado, diminuindo assim o tempo de permanência do animal no confinamento ou sob suplementação.

Algumas das desvantagens da opção do uso de cruzamento é a manutenção de animais puros das raças utilizadas, alto grau de organização e mão de obra especializada onerando o custo de produção e a principal delas é a dificuldade de manter nas gerações seguintes a grande produção obtida nos animais F1’s.

Existem diversas maneiras de se desenvolver um sistema de cruzamento. Porém deve-se ressaltar que nenhum sistema de cruzamento é adequado para todas as propriedades ou rebanhos. Na escolha do sistema mais apropriado para cada situação devem-se levar em consideração muitos fatores como, ambiente, tecnologias reprodutivas, número de matrizes e reprodutores, mão de obra disponível, sistema de produção, mercado consumidor, entre outras. Havendo a necessidade de adaptação de cada programa de acasalamento as tecnologias aplicadas em cada propriedade.

Tecnicamente, o sistema de cruzamento ideal deveria preencher alguns requisitos, como permitir que as fêmeas de reposição sejam produzidas no próprio sistema, evitando introdução de material genético de qualidade inferior, por meio de aquisição de fêmeas de rebanhos com programa de seleção inadequado. Também se utiliza as fêmeas mestiças para reprodução, aproveitando as vantagens da heterose materna.

O cruzamento pode ser uma forma rápida e barata para obter incremento genético no rebanho e aumentar a produção de carne bovina, no entanto não elimina a necessidade ou diminui a importância da seleção como método de melhoramento genético. Neste sentido para um maior progresso no desempenho do rebanho, devem ser levados concomitantemente o cruzamento e seleção em um programa de melhoramento genético de gado de corte.

Autor: Alexandre Leseur dos Santos

Fonte: http://gadoleiteiro.iepec.com/noticia/cruzamento-em-gado-de-corte