Confinamento brasileiro: uma oportunidade para a produção

O Brasil está se destacando na produção de alimentos, o mundo apresenta um crescimento de demanda favorável nos próximos 40 anos, segundo estudo da FAO. Entretanto temos sofremos pressões para os temas: meio ambiente e responsabilidade social, que forçam a produção rural a tomar o seguinte caminho: produção em quantidade e qualidade. Qualidade não apenas nas propriedades intrínsecas do produto, mas na produção ética e moralmente correta. Dessa forma, pecuária e agricultura devem procurar alternativas na tecnificação, produtividade e otimização para obter resultados compatíveis com os anseios da população.
 
Em se tratando de tecnificação temos a atividade de confinamento, que dentro de uma série de outras práticas de produção intensiva é a mais evidente nos dias atuais pelo crescimento obtido na última década. Mas quantos somos? O que fazemos? Fazemos de que forma?

Temos uma grande variação na forma como é conduzida a atividade de confinamento: pequenos, grandes, estruturas improvisadas, alta tecnologia, baixa mecanização, alta mecanização, todas adaptadas ao ambiente onde o pecuarista se insere. O que podemos dizer é que a maioria dos confinamentos existentes no Brasil está associada com a atividade pecuária: pecuaristas tecnificando a propriedade com aumento da lotação, produzindo mais e melhor. Outra consideração que também podemos fazer é que se tratam, na maior parte, de confinamentos até 3 mil animais por ano, associado a recria ou ciclo completo.

Por outro lado temos poucos confinamentos, porém muito grandes, com injeção de capital externo (de outros setores), investidores de outros segmentos e de empresas frigoríficas que confinam uma quantidade muito grande de animais, com estruturas acima de 20 mil animais estático. Esse negócio já é diferente do confinamento estratégico, tem outra lógica, mas ambos devem dar lucro, caso contrário, não devem ser executados.

Existem hoje mais de 1.500 propriedades que realizam a atividade de confinamento no Brasil. Nos EUA, para se ter uma idéia, esse numero foi de aproximadamente 88 mil em 2006, dos quais somente 126 acima de 32 mil animais produzidos, com 86 mil com menos de 1 mil animais. No Brasil, os confinamentos apresentam discrepantes níveis tecnológicos, seja por conta da oferta regional de insumos, animais, capacitação da mão de obra, opções de comercialização, clima e cultura da região.

Estimamos que o número de gado confinado no Brasil em 2010 seja algo entre 2,2 a 2,3 milhões de cabeças, isso em confinamentos de diferentes tamanhos, meios de produção, com raças de animais distintas, produzindo para nicho ou visando escala. Ainda pontuando o confinamento, os estados brasileiros onde temos maior concentração de gado confinamento são os mesmos que concentram a maior quantidade de insumos, matérias-primas e condições para a atividade, são eles: GO, MT, SP, MG e MS.

Cerca de 75% da produção de gado confinado no Brasil está localizada na região centro oeste e em mais dois estados da região sudeste: SP e MG. Em São Paulo, por exemplo, foi realizado um Censo nos confinamentos e descobriu-se que o menor confinamento, de um total de 121, produzia somente 68 animais e o maior tinha a capacidade estática para 58 mil animais, 853 X maior que o primeiro. Esses dois confinamentos precisam de insumos diferentes, possuem estratégias diferentes, sua compra e venda é diferenciada, sua gestão é diferente, mas o objetivo é o mesmo, o lucro. E é isso que nos possibilita considerar esse sistema de produção em nossas fazendas.

A ASSOCON não conhece todos os confinamentos do Brasil, em tempo, conseguimos levantar pouco mais de 850 confinamentos em todo o Brasil, com os três Censos já realizados, um em GO, outro em MT e um último em SP, além dos confinamentos associados e outros que temos conhecimento em estados não citados. De qualquer forma, temos informações de pouco mais da metade, 57% do total de pecuaristas que possuem confinamento em sua propriedade. Mas isso é pouco, é preciso saber mais para melhorar ainda mais a compra, a gestão e a venda.

Saindo do Brasil e circulando por outros países, sabemos que União Européia, EUA, Austrália, África do Sul, Argentina e México também são grandes utilizadores dessa tecnologia, principalmente EUA. A prática do confinamento já há muito tempo é utilizada, existem gravuras no Egito antigo que nos mostram indivíduos alimentando bovinos e, confinamento é basicamente isso, oferecer ao animal alimentação e água em quantidade necessária para seu desenvolvimento, gerando uma dependência muito grande do animal com o homem que o trata.

Como principais características do confinamento no Brasil, podemos destacar que o mesmo é estratégico, a maioria ainda o utiliza como uma ferramenta de incremento de produtividade em suas fazendas, aumento lotação, produtividade, aumento do estoque de gado, aproveitando melhor das áreas de pastagens, diversificando a produção com implantação de grãos em alguns casos, enfim, remunerando melhor a terra (seu patrimônio). Infelizmente temos muitas falhas dentro do confinamento, uma delas é em gestão.

Em uma pesquisa feita no estado de GO verificamos que 31% dos confinamentos entrevistados (do total de 518) não realizavam qualquer tipo de controle gerencial no confinamento. Se esse dado for correto, podemos dizer que em 2007, quando foi feita a pesquisa, 250 mil animais não tiveram qualquer controle de custo de produção. É possível que no referido ano e em 2008 esses pecuaristas até tenham tido lucro, pelas condições de mercado que se apresentavam. Mas em 2009, concerteza saíram da atividade, se a mentalidade continuou a mesma.

Percebemos também muitas estruturas adaptadas, funcionais, pois ainda temos problemas no fornecimento de alguns produtos e estruturas. Dessa forma não é possível seguir um mesmo modelo. Também o custo de construção de uma planta de confinamento pode ser impeditivo para muitos, além das restrições regionais. Possui características regionais, como a utilização de determinadas raças, insumos nutricionais, isso também por conta da disponibilidade.

Caracteristicamente é realizado na época de estiagem, quando os pastos secam e dada a informação que muitos são pecuaristas com sua produção a pasto, no inverno, com os pastagens secas, o confinamento passa a ser uma alternativa para que os animais não venham perder peso.

O tamanho médio não supera os 3 mil animais / ano quando pensamos na maioria dos confinadores, por exemplo, em GO, 2% dos confinamentos confinaram em 2007 aproximadamente 517 mil animais (+/- 59%) enquanto que 65% dos confinadores desse estado confinaram pouco mais de 7% do total do estado.

Quanto aos resultados que vem sendo conseguidos pelos confinadores, os índices da atividade, podemos dizer que com relação à nutrição observa-se maior utilização de grãos/farelos, acelerando a produção, diminuindo o tempo de cocho do animal. Em MT a relação média encontrada em 2008 foi de 56:44, mesmo assim, em muitos confinamento a inclusão de concentrado supera os 80%, dada a oferta e facilidade na compra desses insumos. Em SP, 47:53 o motivo é outro, o alto custo da terra e necessidade de maior produção é a causa para uma maior intensificação e produtividade. Não só com a inclusão de grãos/farelos, mas também de aditivos a ração, os ganhos tem sido muito altos levando a medição de outro índice que antes era ignorado ao pecuarista, a conversão alimentar, que em rações com mais volumosos podem ficar na média em 22,14 kg de dieta / kg de peso ganho e em rações mais concentradas chegar a 6,43 kg de dieta / kg de ganho de peso.

O Tempo de confinamento é muito dependente da dieta e do animal, a idade e peso com que deu entrada, sua raça, desenvolvimento próprio, adaptação…, enfim, inúmeros fatores, mas que podem ser administrados. Em média, no Brasil falamos de confinamento que possam variar entre 65 a 115 dias em um ciclo de produção. Com um animal de peso médio de entrada em torno de 12,83@, saindo com 18,18@ (carcaça limpa, com rendimento mínimo de 54% e peso de vivo de abate superior a 500 kg para machos).

Autor: Bruno de Jesus Andrade

Fonte: http://gadoleiteiro.iepec.com/noticia/confinamento-brasileiro-uma-oportunidade-para-a-producao