A Bovinocultura de Corte e o Meio Ambiente

A bovinocultura tem merecido muita atenção por parte daqueles que se preocupam com as questões ambientais. Embora em casos mais específicos como nos confinamentos, a atividade possa levar à contaminação ambiental por meio da grande produção de resíduos, a grande preocupação da sociedade com os sistemas de produção de bovinos tem sido focada em seu potencial de incorporação de vastas áreas de florestas tropicais ao processo de produção, mediante a transformação destas em pastagens para os rebanhos. Outros aspectos ligados à atividade pecuária, certamente menos discutidos, mas não menos importantes tais como a produção de metano devem ser considerados.

Portanto, a bovinocultutra de corte pode estar contribuindo significativamente para a maioria dos problemas ambientais do planeta, tais como o aquecimento global, a poluição do ar e da água, a degradação dos solos e a perda da biodiversidade. Este termo, hoje citado repetidamente, e com freqüência não compreendido, significa a diversidade de seres vivos, a diversidade do patrimônio genético destes, bem como a diversidade dos ecossistemas dos quais participam.

O Problema Ambiental versus Pecuária

Recente livro publicado pela FAO – Food and Agriculture Organization of the United States – “ A Grande Sombra dos Rebanhos” reportou a complexa situação que envolve o meio ambiente e a produção animal. O setor pecuário foi o responsável por 18% das emissões dos gases de efeito estufa, por 9% de todo gás carbônico emitido por fontes antrópicas (desmatamentos para áreas de pastagem ou produção de grãos), 37% do metano (maior parte devido à fermentação ruminal) e 65% de todo o gás nitroso emitido.

Cita ainda que os danos ambientais devido à agropecuária estão além do âmbito atmosférico, com impactos também sobre a água potável do planeta podendo ser ocasionados por: sua elevada utilização na agricultura,   poluição por resíduos das criações animais (dejetos e curtumes),  sedimentos de erosão das áreas de pastagens degradadas ou ainda pelo uso de produtos químicos  no cultivo de grãos e volumosos para as rações.
   
Como Mitigar os Danos ao Meio Ambiente?

A fim de minorar os danos da pecuária sobre o meio, diferentes ações podem limitar os impactos desastrosos que atrapalham a sustentabilidade do setor. Algumas dessas ações foram propostas por Steinfeld et al. (2006), em sua publicação “A grande sombra da pecuária”, que por meio de diferentes abordagens do problema traçaram algumas recomendações:

•    Degradação do solo: técnicas de conservação do solo para recuperar os danos, silvipastoreio e melhoria no manejo dos sistemas de pastejo para evitar problemas futuros;

•    Emissão de gases de efeito estufa: intensificar a produção animal de forma sustentável visando reduzir o gás carbônico oriundo de destruição das florestas (queimadas), melhoria da nutrição animal e manejo de dejetos pra reduzir as emissões de metano e nitrogênio;

•    Poluição da água: melhorar o manejo dos resíduos das unidades industriais de produção, as dietas para incrementar a absorção de nutrientes e gerar menos resíduos pelos animais, como também o manejo de dejetos e uso destes nas áreas de culturas;

•    Perda de biodiversidade: proteger áreas de animais silvestres, integrando a produção animal e produtores no manejo racional do sistema nestes locais.

Uma constatação interessante, relativa ao efeito da melhoria da eficiência reprodutiva do rebanho agindo diretamente sobre a redução da produção de metano pelos animais, é que na bovinocultura de corte, a antecipação da idade à primeira cobertura e, por conseqüência, da idade à primeira cria parece ser um fator importante na redução do rebanho de novilhas de recria na propriedade que irão repor futuramente as vacas de cria (finalidade de produção de bezerros) descartadas. Com esta diminuição do número de novilhas necessárias para a reposição, tem-se que o tamanho total do rebanho também será reduzido, com concomitante redução das emissões totais de metano, mantendo-se, porém, o número de ventres em produção.

Na Figura 1 tem-se uma visualização do efeito desse parâmetro de fertilidade do rebanho sobre o tamanho total do mesmo e sobre as emissões totais de metano por ano pelos animais. As emissões pontuais foram estimadas por categoria animal baseadas num total de 68 kg, 66 kg e 50 kg de metano emitido por animal/ano para as categorias fêmeas adultas, machos adultos e animais de recria, respectivamente.

Quando as novilhas são colocadas em reprodução com cerca de 3 anos, é necessário manter um rebanho com 20% a mais de animais do que se fossem cobertas aos 2 anos, e um rebanho 24% maior dessa última idade em relação à cerca de 1 ano à primeira cobertura. Portanto, enfatiza-se que a melhoria desse e de outros parâmetros de fertilidade do rebanho podem contribuir diretamente na redução das emissões de metano.

Dessa forma, o principal desafio é incrementar os índices de produtividade nas diversas fases da cadeia produtiva, evitando novos desmatamentos, adotando-se medidas complementares na área como as técnicas de exploração de impacto reduzido, na tentativa de se adotar os modelos propostos de sustentabilidade. Deve-se ter consciência de que os recursos naturais são finitos e que não devemos ser egoístas ao ponto de comprometermos sua utilização pelas próximas gerações.

Autor: Gumercindo Loriano Franco

Fonte: http://gadoleiteiro.iepec.com/noticia/a-bovinocultura-de-corte-e-o-meio-ambiente