Gestão da qualidade do café – Processo

A palavra processo significa algo que está em movimento permanente, que se está transformando gradualmente de um estado a outro. Isto implica uma sucessão de tarefas realizadas com uma certa finalidade; assim cada tarefa cumprida, de um certo modo, influi na seguinte, de forma que, usando o linguajar da Qualidade Total, podemos entender o processo como um conjunto de causas operando sobre certos insumos, objetivando o desfecho de um certo efeito final. No caso da indústria, essas tarefas ou causas atuantes são organizadas pelo homem, já na cafeicultura isto acontece só parcialmente, pois grande parte destas causas atuantes nos processos é de ordem natural (clima, solo, ritmos biológicos, metabolismo, etc.).

Por outro lado, os processos correspondem a níveis diversos, de modo que uma fazenda de café, uma cooperativa, uma agroindústria, ou um centro de pesquisas podem ser identificados como um processo global. Mas dentro dele existem processos menores, digamos um departamento ou seção e ainda dentro destes, processos menores ainda até chegar aos processos básicos, por exemplo, preparar a terra, adubar, colher, armazenar, etc.

Assim, a palavra processo tem natureza holística, ela é profundamente dinámica, podendo envolver o todo e as partes, simultaneamente ou não. Estes processos, independente de sua natureza, se caracterizam por dois aspectos: eles produzem efeitos e são ativados por causas. Por exemplo: o processo “produção de café” implica num efeito: 20 sacas desse produto por hectare, sendo que ele responde a uma multidão de causas tais como: clima, solo, sementes, adubação, variedade, mão-de-obra, método de trabalho, etc.

O fato de que os processos sejam divisíveis em processos menores é extremamente vantajoso, pois o gerenciamento dos mesmos fica muito facilitado. Por exemplo: controlar ordens de compra de adubos, controlar o transplante das mudas de café, controlar ataques de pragas ou controlar a data certa da colheita são ações perfeitamente possíveis se comparadas com o processo produtivo global. Portanto, controlando os processos menores ou micro-processos é possível descobrir rapidamente os problemas a agir sobre as suas causas, de modo que eles funcionem de maneira harmônica. Finalmente, a integração de todos estes macro-processos a nível da Alta Gerência poderá levar o super-macro-processo (a empresa) a um patamar de excelência.

Todo processo tem 3 elementos: entrada, processamento e saída .

Cada processo precisa ser identificado através de um fluxograma, sendo que ele poderá ter vários efeitos, mas só alguns realmente nos interessam. Esses efeitos, verdadeiras características da qualidade, serão escolhidos como indicadores, recebendo um nome muito definido e muito importante em Qualidade Total: itens de controle. Por sua vez, cada processo é, normalmente, afetado por várias causas, algumas das quais se reconhecidas como importantes, podem desempenhar também o papel de indicadores agora num segundo nível. Estes indicadores são denominados itens de verificação.

O PROCESSO BÁSICO “PRODUÇÃO DE CAFé” VISTO COMO UM CONJUNTO DE CAUSAS PRODUZINDO UM EFEITO

Quando entramos na área agropecuária e portanto na cafeicultura, o conceito de processo se amplia, pois não há apenas causas humanas operando no mesmo através de uma sucessão de tarefas, como é exemplificado no caso do fluxograma de produção de café (ver Fig. 4). Agora há também atividades biológicas envolvidas no processo produtivo, que se bem podem ser parcialmente alteradas pelo homem, respondem a causas naturais relativas a nascimento, crescimento, desenvolvimento, decadência e morte.

Uma definição razoável de processos na área agropecuária poderia ser a seguinte: seqüência de atividades humanas e naturais. As primeiras correspondem às tarefas definidas, realizadas com certos objetivos, tais como produtividade, rendimento econômico, etc.; as segundas estão relacionadas com padrões inerentes à natureza específica dos seres envolvidos, tais como germinação, crescimento, floração e frutificação dos pés de café. De qualquer forma, esta seqüência de atividades humanas e naturais continua sendo um conjunto de causas que produzem um efeito. Esta seqüência pode ser representada através de um fluxograma.

No capítulo 5 deste texto, itens de controle e itens de verificação serão discutidos detalhadamente, mas em resumo, os itens de controle correspondem a efeitos e se medem no produto acabado; já os itens de verificação correspondem a causas e se medem durante o processo.

Traduzindo as idéias anteriores em termos de Qualidade Total, temos o conceito de controle de processo, cujo significado é: primeiro, manter estável uma série de causas (itens de verificação) que afetam os efeitos do processo (itens de controle) relativos ao produto a ser gerenciado. Isto é: manter a “Rotina”. Segundo, melhorar a “Rotina” (“Melhorias”) agindo sobre aquelas causas.

Fonte:

 http://br.monografias.com/trabalhos908/gestao-qualidade-cafe/gestao-qualidade-cafe2.shtml