Gestão da qualidade do café – Ciclo PDCA (ou PFCA)

Existe um método geral de modelo gerencial em Qualidade Total. Ele foi conhecido inicialmente – em 1930 – como ciclo Shewhart, depois quando Deming o levou ao Japão em 1950 ficou conhecido lá como ciclo Deming. Hoje é conhecido como ciclo PFCA e nos livros traduzidos do inglês como PDCA.

O Ciclo PFCA é representado normalmente por um circulo com quatro quadrantes.

O CICLO PFCA

Explicitando um pouco mais, temos:

Planejar (P). Consiste basicamente no estabelecimento de um plano composto de metas, assim como pelos meios que permitirão atingi-las, acompanhados do respectivo cronograma.

– Executar, fazer (F). Nesta fase, o plano é executado através de tarefas específicas, devendo-se coletar dados como o propósito de posterior controle do processo. Antes da execução do plano há uma etapa fundamental: o treinamento decorrente daquelas. Obviamente ele será iniciado previamente.

A execução, o fazer, corresponde ao processo. Aqui é onde as causas começam a agir sobre os efeitos. Portanto é o momento que corresponde ao monitoramento dos itens de verificação.

– Conferir, checar (C). Agora o processo acabou; tem-se o produto pronto, já elaborado, manifestando-se nele uma série de efeitos. Portanto, é a oportunidade adequada para comparar as metas definidas em P com os resultados obtidos, medidos através dos itens de controle.

– Ação corretiva (A). No caso de serem comprovados desvios entra as metas estabelecidas e os resultados obtidos, a gerência deverá fazer correções tendentes a sua neutralização.

Se realmente desejamos trabalhar com Qualidade Total, deve-se considerar o ciclo PFCA como o cerne do sistema, de modo que todas as ações desenvolvidas terão como orientação básica o cumprimento do ciclo. Portanto, se houve uma etapa inicial de planejamento, necessariamente haverá uma de execução e depois de controle, com ação corretiva, se for o caso. (Naturalmente que se houve algum erro no planejamento a chefia pode percebê-lo e não fornecer os meios para o andamento do ciclo PFCA. Mas nesse caso, ela comunicará ao subordinado a natureza do impedimento para que seja feito um novo planejamento). Um exemplo do ciclo PFCA na Cafeicultura é apresentado logo a seguir:

– Planejar (P)

a) Estabelecer a meta, a qual deverá estar baseada no desempenho atual do processo, assim como nas necessidades e/ou expectativas do cliente, para o que terão que ser levantados dados sobre aquele, definindo seu valor médio e toleráncias. Por exemplo: atingir no processo produtivo do café numa proporção de grãos defeituosos devido a broca igual ou inferior a 2%.

b) Estabelecer os meios através da definição de uma série de padrões (um verdadeiro sistema de padrões) capaz de fornecer ao responsável pela tarefa todas as informações que necessita para uma correta execução da mesma, o que implica numa linguagem clara e acessível.

– Executar, fazer (F)

A partir do respectivo sistema de padrões, a tarefa é executada. Neste caso o café é transplantado, adubado, protegido, etc.

Durante essa fase são monitorados os itens de verificação correspondentes, tais como acidez do solo, disponibilidade de nutrientes, disponibilidade de água, ataque de pragas, etc.

– Conferir, checar (C)

O processo “produção de café” acabou, agora só resta medir os itens de controle tais como produtividade, umidade e tamanho do grão, proporção de passas, sanidade, etc. No exemplo, o item a ser controlado era a infestação da broca, cuja meta correspondia a uma especificação igual ou menor a 2,0%.

Suponha-se que a infestação encontrada foi de 1,35%. Como ela é compatível com a meta, tudo deverá continuar normalmente no próximo ciclo produtivo ou se desejarmos, deverá ser colocada uma meta mais alta. Neste caso deve-se passar para um ciclo PFCA de Melhorias (ver Campos, 1990).

Mas se o valor obtido fosse, digamos, igual a 2,5%, aconteceu algum problema. Este pode ter ocorrido por não cumprimento dos padrões. Se isto realmente aconteceu, será necessário fazer um retreinamento do pessoal, visando sanar a dificuldade de compreensão acontecida. Mas se o padrão foi obedecido (e aconteceu o desvio) pode significar que o padrão está errado. Deve ser revisto na próxima etapa do ciclo. No caso da Cafeicultura, podem acontecer causas incontroláveis, basicamente de origem climática (calor excessivo, granizo, geadas, ventos fortes, inundações, falta de chuva, etc.), biológica (ataque de pragas ou pestes fora de controle, invasão de animais) ou antrópica (incêndio, devastação, etc.).

– Ação corretiva (A)

Como já foi mencionado, no caso do padrão não obedecido, a ação corretiva é treinamento. Se ele foi obedecido e não foi atingida a meta, estamos com um problema. Portanto, para poder alterá-lo corretamente precisamos identificar a causa fundamental do mesmo, para o que temos que utilizar a metodologia de análise de anomalias . Por exemplo: a falha pode ter acontecido devido à dose insuficiente de fertilizante oriunda de defeitos de regulagem do equipamento respectivo.

Fonte:

 http://br.monografias.com/trabalhos908/gestao-qualidade-cafe/gestao-qualidade-cafe2.shtml