Café

Artigo: Café de qualidade, dos brasileiros para todos

Não é raro ouvirmos que o café de alta qualidade do Brasil vai todo para fora do país. No entanto, esta afirmação revela uma cultura que vem sendo desconstruída nos últimos anos. O país que tradicionalmente era famoso somente pela quantidade passou a obter maior reconhecimento pela qualidade do café destinado ao mercado externo nas últimas duas décadas. Durante esse tempo se fortaleceu a cultura de que as melhores bebidas de café só eram destinadas ao mercado internacional, mas este contexto está se reformulando novamente, a oferta nacional de cafés desse padrão está aumentando e vem conquistando cada vez mais os paladares dos consumidores brasileiros.

Dados divulgados pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) apontam que o consumo total de café no Brasil aumentou aproximadamente 4 % ao ano na última década, enquanto o segmento de cafés especiais apresentou, nos últimos anos, taxas de crescimento entre 15% e 20% estimadas pela ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café).

Estes reflexos são decorrentes, em grande parte, da mudança de hábito da população. O consumo fora de casa está aumentando, as cafeterias estão cada vez mais sofisticadas e as máquinas de preparo instantâneo do café em contínuo aperfeiçoamento. Ainda que este segmento represente uma parcela pequena do consumo total, esta mudança de hábito afeta fortemente o setor cafeeiro nacional. Estima-se que a produção brasileira de cafés especiais é de aproximadamente 1,5 milhões de sacas para atender a crescente demanda deste segmento.

O sistema produtivo de café no Brasil vem passando por mudanças estruturais positivas nos últimos anos. Diversos fatores contribuíram para ocorrência desses ajustes, como por exemplo, o Selo de Pureza criado em 1989 pela ABIC, a promoção de inúmeros concursos de qualidade, as certificações de qualidade, as indicações de procedência conquistadas e até adequação regulamentar como a instrução normativa que entrou em vigor no início do ano estipulando padrões de qualidade do café torrado e moído.

Em levantamento realizado pela Embrapa Café com produtores de cafés especiais que foram premiados pela Illy Café e pela BSCA (Brazil Specialty Coffee Association), certificados pela UTZ Certified e pelo Certifica Minas Café ficou evidente um ponto em comum: o alto nível tecnológico adotado nas propriedades. Importante observar que o termo tecnológico é utilizado em sentido amplo, sendo todo conhecimento aplicado no processo produtivo, desde a escolha de cultivares adequadas até a adoção de boas práticas, como técnicas de plantio e manejo, cuidados no beneficiamento, gestão da atividade produtiva, etc.

Neste ponto vale ressaltar a importância da atuação das instituições do Consórcio Pesquisa Café e outras instituições de extensão e assistência técnica que desenvolvem a pesquisa agropecuária e compartilham seus resultados contribuindo para a construção do conhecimento tecnológico junto com os cafeicultores. Estes são os protagonistas dessa mudança de paradigma, pois promoveram o nome Cafés do Brasil oferecendo um produto de alta qualidade, também para os brasileiros.

Foto: Divulgação

Jamilsen Santos
Analista da Embrapa Café

Fonte: http://www.grupocultivar.com.br/site/content/noticias/?q=24439#24439