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Argentinos mudam modelo de agronegócio: Mais ciência e menos ativos

08/01/14 – 11:50
Uma das maiores produtoras mundiais de culturas como trigo, milho, soja e carne, a Argentina está em plena reformulação de seu modelo de agronegócio. Os motivos para essa pequena revolução são vários, indo desde fatores ambientais adversos, passando pelo intervencionismo governista e chegando até altos impostos e inflação galopante.

Diante das dificuldades, empresas de agricultura argentinas adotam diferentes estratégias de gestão, conta reportagem da revista britânica The Economist. Um dos maiores do país, o Grupo El Tejar, simplesmente mudou sua sede para o Brasil.

Los Grobo, segundo maior produtor de grãos da América Latina, optou por investir pesado em ciência e diminuir seus ativos. Em vez de rumarem para o Brasil, a empresa vendeu suas operações no País e comprou a Agrofina, uma empresa agroquímica argentina.

“A agricultura baseada no conhecimento, em vez de ativos, vai mudar o paradigma do agronegócio. Este é o modelo que é mais adequado para locais de difícil acesso, com setores agrícolas ineficientes ou emergentes. Se aplicado em larga escala, tendo em mente a sustentabilidade, inovação e eficiência organizacional, isso significaria uma revolução”, defende o presidente da empresa, Gustavo Grobocopatel.

Em vez de se concentrar apenas na produção de grãos, Grobocopatel transformou sua empresa com a filosofia “stop shop”. Passou a oferecer a outros agricultores insumos, financiamento, serviços de comércio e transportes, e obteve cerca de US$ 150 milhões em receitas na safra 2011/2012.

Adotou também um modelo mais ágil do que a maioria das operações tradicionais, graças à sua falta de despesas gerais: a empresa não possui uma única ferramenta ou hectare. Em vez disso, aluga máquinas e terras. A terceirização acontece em quase 60% das terras agrícolas na Argentina, pois as leis de protecionistas são pesadas e os direitos de propriedade e herança tornam o momento propício para o ‘leasing’.

Los Grobo investiu pesado no desenvolvimento de novas tecnologias e técnicas de cultivo. Foi um dos primeiros grandes grupos na Argentina a defender o plantio direto, técnica que reduz a erosão do solo. Foi pioneira também no uso de sementes geneticamente modificadas. Os campos alugados da Los Grobo possuem sensores que enviam dados em tempo real sobre a temperatura do solo e umidade para os gerentes da empresa.

 

Agrolink
Autor: Leonardo Gottems