Argentina constrói “muro de soja”

04/02/2014

A economia argentina – que não inspira nenhuma confiança – está fazendo com que os produtores daquele país construam um verdadeiro “muro de soja”. A estimativa é de que sejam retidas até oito milhões de toneladas em estoques da oleaginosa, o que seria equivalente a US$ 4 bilhões.

“Esse é um panorama muito complicado. Existe uma grande perspectiva de desvalorização [do Peso argentino]. Existem medidas parciais do governo todos os dias e um falta de confiança significativa no mercado. O governo disse por muito tempo que nunca desvalorizaria a moeda”, explicou Pablo Fraga, analista de mercado na BLD (Rosario) ao jornalista Luis Vieira, do Portal Agriculture.com. De acordo com ele, vendas significativas de soja não acontecerão antes do meio do mês de março, quando começa a colheita da nova safra.

Enquanto isso, Guillermo Rossia, analista da Bolsa de Comércio de Rosario, acredita que as vendas dependerão da expetativa de melhora do preço da oleaginosa em Chicago. Rossi ainda acredita que os produtores que podem vender trigo, farão isso antes. “É provavelmente a próxima coisa que vai acontecer. Um baixo volume já foi vendido, e existe um grande estoque (nove milhões de toneladas). Existe também uma pequena quota para exportar (1,5 milhão de toneladas ainda permitidos pelo governo)”, explicou.

O governo argentino anunciou este mês grandes mudanças com relação à política cambial, o que devem impactar o mercado de grãos e os produtores argentinos. O anúncio mais relevante foi a liberação para compra de moeda estrangeira, basicamente o Dólar americano. Como consequência, o peso argentino desvalorizou, e um dólar comprava até AR$ 7.99 na sexta-feira passada (24.01) – no mercado oficial. Logo após, no rescaldo, o governo limitou a compra de dólares a até US$ 2 mil por pessoa mensais.

Um peso argentino com valor oficial mais próximo ao dólar paralelo era uma demanda de longa data dos exportadores de grãos, que querem lucrar com vendas externas. Até agora, no entanto, os benefícios são apenas “parciais” para os produtores locais. Segundo Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina, a razão é que a compra de insumos é afetada pelo valor oficial do dólar no país. Outro motivo é que nem todos os produtores estão capitalizados o suficiente para segurar a soja para o mercado externo por muito tempo.

Atualmente, o governo argentino está em desesperada necessidade de reservas, especialmente internacionais (em dólar americano). Rumores dizem que o governo aumentaria as retenções em exportações de soja (agora em 35%). Se isso for confirmado, o setor rural da Argentina entraria em greve.

“O Banco Central da República Argentina segue perdendo reservas. A solução seria mais retenções porque o campo é o único setor que gera dólares na economia, mas não há mais capital político para isso. É só um rumor”, disse Fraga.

Fonte: Agrolink
Autor: Leonardo Gottems