Trigo

Área plantada de trigo deverá atingir 2.181,8 mil hectares contra 1.895,4 mil hectares na safra 2012/13

15/10/13

 

A área plantada de trigo na safra 2013/14 deverá apresentar um incremento de 15,1% em relação à safra anterior, atingindo 2.181,8 mil hectares contra 1.895,4 mil hectares na safra 2012/13. A recuperação de parcela da área que deixou de ser cultivada nos últimos anos tem relação com a melhoria dos preços praticados na safra anterior em função da menor produção mundial e brasileira, que repercutiu favoravelmente junto aos produtores e induziu ao aumento na área.

No Rio Grande do Sul a área plantada de 1.030,2 mil hectares foi 5,5% maior do que na safra 2012/13, tendo como suporte o bom desempenho do produto no mercado no momento da tomada de decisão de plantio, estimulados por um apertado quadro de oferta e demanda local e pela ocorrência de problemas na produção dos principais fornecedores internacionais. O preço do produto continuou subindo e se o preço praticado hoje já estivesse em vigor em abril e maio, a área semeada teria um acréscimo ainda mais significativo. Adicionalmente, a oferta de cultivares mais resistentes a doenças e com maior potencial produtivo contribuíram para que os produtores investissem neste cereal na safra 2013/14.

A lavoura foi semeada, em sua maioria, dentro do período recomendado pela pesquisa e os produtores utilizaram uma quantidade de sementes e insumos adequada para atingir alta produtividade, além de realizar o controle efetivo de pragas e doenças.

Isso já tem se refletido na sanidade do trigo que está muito boa, embora este controle tenha elevado o custo de produção, pelo aumento do número de aplicações, esse valor está respaldado pelo melhor preço do produto no mercado.

As geadas ocorridas na segunda quinzena de julho não causaram prejuízos significativos no estado, uma vez que as fases de desenvolvimento no momento do evento não eram suscetíveis a danos por temperaturas baixas. A dificuldade na definição da produtividade da lavoura de trigo se justifica porque fatores de produção determinantes (climáticos e doenças) permanecem ativos até o final da colheita. O clima continua favorável com um regime de chuvas satisfatório, com histórico de excessos pontuais sem maiores consequências para o bom desenvolvimento da cultura. A ocorrência de granizo aconteceu fora da zona de concentração da produção, com estragos pouco significativos, que terão influência discreta na produtividade. Com os dados apurados até o momento é possível estimar a produtividade em 2.530 kg/ha. Os estágios predominantes são variáveis conforme a região do estado com lavouras no estágio desde o perfilhamento (Vacaria), até a maturação (São Luiz Gonzaga e São Borja).

No Paraná, em que pese a forte competição por área estabelecida com o milho da segunda safra, a cultura do trigo para 2013 ocupa uma área de 976,9 mil hectares, representando um incremento de 26,3% em relação à safra anterior, que foi a menor área plantada desde os anos oitenta. A colheita já ocorreu em 26% da área. O restante da área se encontra em fase de desenvolvimento vegetativo (6,0%), floração (10,0%), frutificação (39,0%) e maturação (45,0%). A produtividade foi reduzida para 1.758 kg/ha por causa das perdas em função das geadas. Os produtores já venderam 12% da produção e desde junho passado os preços recebidos pelos produtores aumentaram, atingindo os maiores preços nominais de todos os tempos devido à escassez do produto no mercado interno e nos países vizinhos e ao aumento da taxa de câmbio.

A safra de trigo nesse estado foi caracterizada por período de estiagem na instalação da cultura do trigo e de chuvas excessivas entre a segunda quinzena de junho e a primeira semana de julho. O acumulado ficou em torno de 500 mm. Esse período de chuvas proporcionou a ocorrência de doenças fúngicas (foliares e da espiga, como a brusone e giberela), dificultando as operações para o seu controle. Em 24 e 25 de julho houve forte geada, atingindo praticamente todo o Paraná. O frio intenso também provocou danos severos nas pastagens, inclusive nas de inverno, e danos em algumas áreas de culturas de inverno plantadas antecipadamente (fora do zoneamento). Duas outras frentes frias atingiram as regiões centro-sul e sudoeste do estado durante o mês de setembro, baixando as temperaturas para níveis em torno de zero grau, mas sem provocar danos adicionais sobre as lavouras de inverno. Ocorreram também ventos fortes e granizo na região oeste, que provocaram acamamento e perdas nas lavouras de trigo.

A produção do Paraná está estimada em 1.717,4 mil toneladas, sendo que as perdas já acumulam 35,96% da produção estimada em julho, que era de 2.681,9 mil toneladas. Apesar das doenças fúngicas identificadas nesta safra, o maior dano foi provocado pelas baixas temperaturas por ocasião de geadas e granito. A colheita do trigo no estado se concentra no mês de outubro, inclusive na região sudeste do estado onde há áreas não afetadas pelas baixas temperaturas. Se houver excesso de precipitação este mês, haverá maior dano na qualidade do produto colhido, que requer períodos de estiagem para esta operação.

De forma geral, as lavouras encontram-se em boas condições, já que até o momento o clima tem sido favorável ao desenvolvimento das plantas. Em torno de 7,0% das lavouras encontram-se em perfilhamento, 66,0% em emborrachamento e 27,0% em floração. Destes, os dois últimos são considerados suscetíveis a perdas, caso ocorram geadas nos próximos dias.

A área de trigo em Minas Gerais atingiu um recorde histórico de 36,2 mil hectares, suplantando a safra 2012/13 em 68,4%, sendo a expansão motivada pelos bons resultados alcançados na última safra, pelos preços de mercado do produto, e também por constituir uma boa alternativa de aproveitamento do solo no período de inverno, devido às baixas temperaturas registradas nesta época do ano, muitas vezes restritivas para o plantio de outras culturas. Constatou-se, ainda, que o plantio de trigo irrigado perdeu espaço para áreas de feijão e de olericultura, e que o aumento significativo ocorreu, de fato, no plantio de trigo sequeiro, sobretudo, nas regiões central e sul desse estado, e que este sistema de cultivo já responde, na presente safra, por mais de 70% dos cultivos implantados no estado.

O clima seco, decorrente da falta de chuvas desde meados de abril, vem favorecendo a sanidade das lavouras e concorrendo para a boa qualidade dos grãos colhidos nas áreas irrigadas, que vêm, normalmente, apresentando rendimentos próximos dos níveis alcançados na safra anterior, em torno de 5.100 a 5.700 kg/ha. Já nas áreas de sequeiro há uma diversidade de resultados, de perda total de algumas áreas a rendimentos de 3.600 a 3.900 kg/ha, dependendo da época, localização do plantio e da intensidade da estiagem enfrentada por cada lavoura, mas na média, há perdas na produtividade em relação à safra passada. Os efeitos da estiagem e a maior participação dos cultivos de sequeiro na composição da área total de plantio explicam a queda de 11,8% na produtividade média das lavouras, estimada em 3.309 kg/ha.

A colheita das áreas de sequeiro será encerrada em setembro, e das áreas irrigadas em outubro. Estima-se que a colheita já tenha sido realizada entre 85,0 a 90,0% da área total. De modo geral, a produção deve ter um incremento de 48,5%, totalizando 119,8 mil toneladas, dados ainda passíveis de ajuste no próximo levantamento.

Em São Paulo a cultura se encontra em fase inicial de colheita, se estendendo até meados de outubro. O crescimento de área (62,1%) no estado, em função dos ótimos preços praticados pelo mercado, só não representou em aumento maior na produção por causa das perdas das lavouras em função de pragas e da geada que comprometeu 35,6% da produtividade, atualmente estimada em 1.749 kg/ha. A produção está estimada em 90,8 mil toneladas, 11,1% maior do que a safra passada.

Em Mato Grosso do Sul a área plantada sofreu uma redução de 43,3% em relação à safra anterior, com 8,5 mil hectares plantados na safra 2013/14. Com relação à produtividade, houve uma quebra significativa, tendo em vista a geada ocorrida nos meses de julho e agosto, onde a maior parte dessa cultura encontrava-se em fases bastante vulnerável à geada. As perdas já atingem 43,8% em relação à safra passada, ficando no momento, com produtividade de 900 kg/ha. Essa adversidade climática ocorrida em todos os estados produtores, já reflete no valor pago ao produtor, bem como, aumento da importação para suprir a demanda interna desse produto. A colheita encerrou-se no estado devido às condições climáticas desfavoráveis durante o ciclo da cultura (geadas), sendo que o produto colhido não é de boa qualidade, causando os chamados triguilhos em decorrência da geada.

A produção nacional de trigo para o exercício 2013/14 deverá atingir 4.769,5 mil toneladas, representando um incremento de 8,9% em relação à safra passada, fruto do aumento de 15,1% da área plantada.

Oferta e Demanda

A estimativa de plantio da safra 2013/14 mostra um crescimento de área de 15,1% e uma produção da ordem de 4.769,5 mil toneladas, maior em 8,9% ao ano anterior, sendo 54,6% originários do Rio Grande do Sul, 36,0% do Paraná e o restante dos demais estados produtores. Devido a uma série de intempéries climáticas como seca na implantação da lavoura, geadas e chuvas em excesso em período crítico da lavoura, além de vendavais e granizo, estima-seperda próxima de 1,0 milhão de toneladas, comparativamente às previsões iniciais.

Com referência ao suprimento interno, no ano safra que terminou em 31 de julho próximo passado, as importações foram de 7,01 milhões de toneladas, usando divisas de US$2,2 bilhões, enquanto as exportações de 1,68 milhão de toneladas renderam ao país US$498,6 milhões, valor próximo a meio bilhão de dólares.

Para o período 2013/14, prevê-se a necessidade de importação da ordem de 6,7 milhões de toneladas, 4,4% menor que a do ano anterior. Quanto às exportações, estima-se recuo para600 mil toneladas, a depender da qualidade da safra gaúcha que até o momento se apresenta com saudável desenvolvimento, e da conjuntura de preços no mercado da Argentina no primeiro semestre de 2014.

Como o Rio Grande do Sul deverá produzir cerca de 2,6 milhões de toneladas e sua demanda para moagem é de 1,4 milhão, existirá um excedente de 1,2 milhão de toneladas no estado. Na hipótese de se exportar 50% desse excedente o restante poderá ser consumido em outros estados deficitários ou ser usado para recomposição dos estoques, caso os preços fiquem abaixo do mínimo oficial.

Preveem-se, ainda, que a moagem industrial poderá evoluir para 10,4 milhões de toneladas e o consumo de sementes para 327 mil toneladas devido ao aumento da área cultivada. Dessa forma, a demanda por trigo em grão no país deverá elevar-se para 10,7 milhões de toneladas.

Constata-se, pois, que o abastecimento nacional estará muito ajustado, com estoques de passagem extremamente baixos, quando deveriam ser equivalentes a um mês de consumo.

 

Fonte: Conab