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Após mais de dez anos parada, reativação de usina cearense anima região

20/11/2014

A Usina Manoel Costa Filho poderá ser reativada antes mesmo de 2016. O empreendimento, adquirido por empresários paulistas, em contrato de comodato, passará a ser denominado Golden Nordeste. No momento, o local passa por limpeza. O antigo maquinário será recuperado. Desde a semana passada que trabalhadores estão no local fazendo melhorias no campo e funcionários antigos estão sendo contatados para darem uma assistência técnica.

Há mais de uma década que a usina está sem funcionamento e há um ano e meio foi adquirida por meio de leilão pela Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), do Governo do Estado, por R$ 15,4 milhões. Durante esse período, houve várias tentativas de negociações com empresas do Brasil e exterior sem sucesso. Muitos alegaram a pouca disponibilidade de água na região, mas a perspectiva de implantação do Canal da Transposição do Rio São Francisco e Cinturão das Águas anima os produtores.

A última tentativa de negociação aconteceu com os empresários paulistas, que nos últimos três meses vinham mantendo contato com a Adece para tratar das possibilidades de negociação, que resultaram no contrato de comodato. Depois dos empresários paulistas estarem na região várias vezes para verificar as condições de funcionamento, decidiram então adquiri-la. Também foi o único grupo a avançar nas negociações. Eles devem priorizar a produção de açúcar.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Agrário de Missão Velha, José Elismar de Vasconcelos, nesse momento reacende a esperança de funcionamento da velha usina. A formação de profissionais para o segmento também deverá estar assegurada com a fábrica-escola de cana-de-açúcar que irá atuar na formação de novos técnicos do setor, a partir do próximo ano, por meio do Centro de Ensino Tecnológico (Centec). O local vem sendo gerido, no momento, pela Associação do Sítio Coité, no distrito de Barbalha e no local estão sendo produzidos o álcool, cachaça e rapadura totalmente orgânica. Os produtos são comercializados também na fábrica-escola, ao lado do terreno da Embrapa.

No mês passado, a notícia da negociação com o grupo paulista animou os produtores de Barbalha, que já estavam sem perspectivas quanto à reativação do setor. A produção de cana ficou praticamente estagnada em sua totalidade e os poucos engenhos existentes, quase todos parados. A nova fase, conforme Elismar, poderá ser iniciada com o estímulo aos produtores. Os agricultores, mesmo pegos de surpresa, aguardam as novas possibilidades de trabalho. Milhares deles, todos os anos, de localidades como o distrito de Arajara, em Barbalha, e sítios de Missão Velha, onde havia maior parte da lavoura da cana, buscam alternativas de emprego na cultura canavieira do interior de São Paulo, em lavouras do Paraná, Minas Gerais e na Bahia.

A meta dos novos empreendedores é que grande parte do maquinário possa ser aproveitada. O próprio governo ao adquirir a agroindústria decidiu realizar um levantamento de área produtivas na região, que deve chegar, principalmente com áreas agricultáveis nas cidades de Crato, Barbalha e Missão Velha, a 8.500 hectares, necessários para fazer a usina produzir. O levantamento foi realizado por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce). Os técnicos foram a campo para efetivar essa estimativa, com a consulta aos produtores.

Boa parte das terras no entorno da própria usina, atualmente, vem sendo utilizada para o cultivo de bananas, um dos produtos que tem se expandido no Cariri, principalmente em área de Barbalha e no distrito de Missão Nova, em Missão Velha, onde há mais de 700 ha de bananas no cultivo irrigado, e que já abastece vários mercados do Nordeste e da própria região.

Elizângela Santos – Diário do Nordeste