Sanitário

Varroose

A Varroose é uma doença parasitária que ataca todos os indivíduos da colmeia: larvas, ninfas e adultos, tanto obreiras como zângãos. É uma doença muito grave causada pelo desenvolvimento e multiplicação do ácaro ectoparasita Varroa destructor, descoberto na abelha Apis cerana, por Oudemans, na Indonésia (1904, Ilha de Java). Por estar há muito tempo presente nesta abelha, foi estabelecido um equilíbrio entre a A. Cerana e V. destructor. A partir de 2000 foram diferenciadas duas espécies de distinta virulência: V. jacobsoni e V. destructor.

Esta doença entra numa colmeia saudável através das abelhas que andam no campo. Uma obreira campeira visita várias flores durante a recolha de néctar e pólen, entrando em contacto com abelhas de outros apiários. Outra forma de contágio ocorre quando uma colmeia enfraquecida pela Varroose não se consegue defender e começa a ser pilhada, as abelhas de outra colmeia invadem a colmeia doente, entram em contacto directo com a varroa que circula livremente à procura de abelhas não infectadas. No regresso a casa, a abelha que pilhou leva a varroa consigo para o seio de uma colmeia saudável.

O equilíbrio entre Apis cerana e Varroa destructor testemunha uma relação que prepara o anfitrião e assegura a vida do parasita.

A extensão da parasitose no Sudeste asiático é o resultado de muitos factores, que são, entre outros:

– a substituição de A. Cerana por A. Mellifica para melhorar os rendimentos apícolas dessas regiões;

– a dispersão dos biótipos favoráveis à A. Cerana, à urbanização e às mudanças nos métodos agrícolas.

Em meados de 1960, a varroa foi encontrada na Apis mellifica. Mas a passagem da Apis cerana para a Apis mellifica parece remontar a muitos anos antes. Infelizmente, ignorou-se o seu papel patogénico. Os primeiros sinais clínicos apareceram três ou quatro anos depois do início da infestação. Desde então, a parasitose propagou-se com muita rapidez e foi fatal. A varroa não encontrou no novo anfitrião nenhum entrave ao seu desenvolvimento. Mas teve, no entanto, uma deslocação do nicho ecológico porque durante a evolução teve muito tempo para o realizar.

Se se comparar a biologia e a fisiologia da Apis mellifica à da Apis cerana, esta propagação fulminante pode ser explicada. É causada pela ausência, na Apis cerana, dos fenómenos que mantêm a pressão do parasita a um nível que é suportável para a colónia:

– Na Apis cerana (duração do ciclo evolutivo da obreira: 18 a 20 dias; duração do ciclo evolutivo do macho: 21 a 24 dias), a varroa não se multiplica na postura de ovos de macho. O tempo de operculação da postura da obreira é demasiado curto para permitir um ciclo de desenvolvimento completo do parasita. A varroa fêmea pode, contudo, deixar-se encarcerar.

– Na Apis cerana, quando as condições climáticas são favoráveis, verificam-se quatro ou cinco enxameações por ano, o que limita o número de parasitas na colónia.

– Na Apis cerana, os comportamentos de limpeza de parasitas são essenciais e poderão ser quer de auto-limpeza, a abelha retira ela mesma os parasitas, quer de limpeza mútua, a abelha, depois de uma dança de pedido de ajuda, é auxiliada pelas outras abelhas. Em 15 minutos, de acordo com centenas de autores, a Apis cerana liberta-se de 99% dos parasitas quando, do mesmo modo, a eliminação seria insignificante (0,3%) na Apis mellifica. Apis cerana limparia 90% da postura de ovos parasitada em quatro dias.

Nem todos os autores estão de acordo sobre a importância da caça de parasitas e limpeza da infestação das colónias. O comportamento de limpeza seria simplesmente responsável por uma mudança do anfitrião mas o parasita poderia perturbar a sua reprodução.

– A má regulação da temperatura do ninho da postura seria desfavorável à multiplicação da varroa destructor, cuja temperatura ideal de reprodução situa-se entre 31,3 ºC e 34,2 ºC, de acordo com a temperatura ambiente.

– A taxa de hormona juvenil (hormona de abelha que intervém na manutenção do estado larvário, no controlo do desenvolvimento dos órgãos genitais e do comportamento sexual e que controla a respiração e a nutrição), mais fraca na Apis cerana que na Apis mellifica, limitaria a multiplicação do parasita. Esta hipótese é controversa já que se pode provar que esta hormona não tem nenhum efeito.

– Os alvéolos da Apis cerana, que são mais pequenos, podem também ser um factor limitador da taxa de reprodução.

Estes são os diferentes pontos que, no seu conjunto, explicam a tolerância da Varroa destructor pela Apis cerana. Os outros estão talvez ainda por descobrir.

A partir de 1964, a parasitose, que se estendera ao mundo inteiro, deixa apenas, hoje em dia, algumas zonas intactas e provoca a morte de um número considerável de colónias. O exemplo da França ilustra esta propagação. A varroase apareceu na região da Alsácia, em Novembro de 1982, e alastrou-se por todo o território.

O agente causal é um ácaro: Varroa destructor Oudemans. Apresenta um bimorfismo (existência de duas formas distintas numa espécie animal ou vegetal) sexual muito marcado no estado adulto. Existe, assim, a fêmea que é a forma de disseminação da doença; o macho; as formas larvárias e as ninfais, ainda imaturas. A fêmea vive na abelha adulta e na postura de ovos, o macho apenas na postura.

A varroa fêmea alimenta-se da hemolinfa da abelha adulta, da hemolinfa das ninfas de abelhas e, por vezes, das larvas. A protoninfa, a deutoninfa, o macho e as suas formas imaturas alimentam-se de hemolinfa das ninfas de abelhas.

Depois de se deixar fechar no alvéolo, a fêmea (fêmea fundadora) que fará nascer as futuras varroas alimenta-se de acordo com a idade do indivíduo parasitado. Geralmente, a fêmea fundadora perfura a cutícula da ninfa no quinto segmento. Para isso, se for necessário, a ou as fêmeas fundadoras afastam as patas da ninfa de abelha empurrando-as para aumentar o espaço. Este buraco de alimentação será utilizado por toda a descendência e mesmo pelas outras fêmeas fundadoras.

Diversos autores estão prestes a determinar a quantidade de hemolinfa absorvida pela fêmea adulta. Este valor varia em função do estado fisiológico do ácaro conforme com a época do ano. A varroa fêmea (peso: 0,3mg) alimenta-se de duas em duas horas e leva 0,1 mg de hemolinfa.

Ligada à alimentação, surge a excreção, que também deve ser mencionada. As fezes são depositadas na parede do alvéolo mesmo que estejam presentes muitas fêmeas fundadoras. A actividade de excreção é estimada a um máximo de 15 vezes por 24 horas. A movimentação entre a zona de alimentação e a zona de excreção é muito frequente.

No seio da colónia, a varroa fêmea situa-se:

– Na abelha adulta, com mais de dois dias, de preferência nas abelhas nutrizes, nos lugares onde é possível a punção de hemolinfa, ou seja, onde está a membrana intersegmentária: anéis abdominais, ventral e dorsal, articulações toráxico-abdominais (pecíolo) e cabeça-tórax (pescoço), articulações das patas. Podem existir um ou mais parasitas. Esta escolha permite-lhes estar mais próximos da postura. O parasita distingue as abelhas de interior das abelhas colhedoras. Estima-se em cerca de 20% os parasitas presentes nas abelhas colhedoras, o que assegura a disseminação da doença. A feromona segregada na glândula de Nasanof, cuja produção depende da idade das abelhas, pode intervir na escolha. O Geraniol, composto por esta feromona, tem um papel repulsivo. Quando as fêmeas não se alimentam, localizam-se entre os anéis abdominais ou no tórax.

– Na postura operculada de macho ou de obreira, mas de modo uniforme.

Ninfa de abelha operária (obreira) infestada.

Existe uma preferência para a postura de macho que se fará em função do tamanho dos alvéolos e da maior secreção de substâncias atractivas relacionadas com o tamanho das larvas de macho. Do mesmo modo, as células reais, ainda que pouco atractivas, podem atrair as varroas fêmeas. Em caso de forte infestação, os parasitas podem estar na postura aberta, com mais de três dias, assim como nas células reais (2 a 3% dos casos). Uma fêmea, reconhecida pela sua cor clara, está presente na cabeça da abelha. A varroa macho encontra-se apenas na postura operculada de macho ou de obreira.

O ciclo de desenvolvimento de Varroa destructor acontece ao mesmo tempo que o ciclo de desenvolvimento da abelha obreira ou de macho, durante a fase postura operculada.

Diferentes fases de desenvolvimento da Varroa.

A varroa fêmea fecundada vai penetrar no alvéolo antes da operculação (cerca de 20 horas antes no que diz respeito à infestação das células de obreira, cerca de 40 horas antes no que diz respeito às células de macho) e deixa-se prender, o que supõe a influência de factores de chamamento. Esses factores podem ser químicos, chamados kairomonas. As kairomonas são as substâncias químicas que as larvas emanam e que estimulam os seus predadores e parasitas e que desencadeiam, também, a operculação. Estes factores podem também ser mecânicos e dependem da distância entre a larva e a abertura da célula.

A varroa fêmea movimenta-se entre a parede do alvéolo e a larva e penetra na geleia real mas não se alimenta dela. Assim, fica fora do alcance das obreiras. Depois da operculação, a fêmea criadora fixa-se na larva e alimenta-se de hemolinfa para estimular a ovogénese. A postura começa depois da quinta mudança da larva de abelha, ou seja, 60 a 74 horas depois da operculação. São postos dois a nove ovos, um por cada 30 horas. O primeiro ovo dará um macho, os outros, fêmeas. O primeiro ovo fica posicionado na parte anterior da célula (depois do opérculo), o que evita os riscos de esmagamento durante os movimentos da pré-ninfa durante o seu desenvolvimento. Os outros ovos estão posicionados no interior do alvéolo depois das exúvias e das dejecções da abelha.

O acoplamento tem lugar no alvéolo, a maior parte do tempo na zona de acumulação fecal. Uma fêmea aceita o macho muitas vezes e os machos de outras descendências em caso de células multi-infestadas, o que limita os fenómenos de consanguinidade. Estes são os espermatóforos e não propriamente os espermatozóides que são injectados nas vias genitais femininas. Cerca de dois dias depois já estão na espermateca. O macho morre quando a abelha nasce.

A duração do ciclo da varroa fêmea (ontogenése) desde a postura até à idade adulta é variável como a da abelha (cerca de oito a nove dias). A duração do ciclo da varroa macho é de seis a sete dias. Se se comparar estas durações às da operculação, tendo em conta que os ovos são postos de 30 em 30 horas e que a postura não começa antes da fiação do casulo (cerca de 3 dias depois da operculação), obtém-se um esquema pedagógico relativamente próximo da realidade, que pode estar sujeita a diversas oscilações.

Estes são dados de uma só fêmea criadora que penetra no alvéolo. Mas muitas fêmeas podem, ao mesmo tempo, deixar-se prender, mas o número de descendentes diminui de modo significativo quando o número de ácaros aumenta. De facto, a alimentação perde em qualidade (a larva e a ninfa esgotam-se), falta espaço no alvéolo, as secreções químicas da larva e das varroas podem ter um papel negativo.

Uma mesma fêmea criadora pode efectuar muitos ciclos mas, geralmente, menos de dois. Algumas fazem até sete ciclos e põem até 30 ovos. Todas as fêmeas criadoras que se deixam enclausurar não produzem descendência. Em 20% dos casos, por exemplo, observou-se que os machos morrem antes de assegurar o acoplamento. Outros factores, como a estação, a alimentação, a raça da abelha… podem também entrar em jogo.

Notemos, por fim, que as fêmeas fecundadas antes de começarem um ciclo de reprodução, deverão passar cerca de cinco dias em abelhas adultas (fase forética) para amadurecerem sexualmente. Este período é muito variável e depende da qualidade da sua alimentação.

A duração de vida da varroa fêmea numa colónia é de dois a três meses no Verão e de seis meses no Inverno. Longe do hospedeiro, esta duração varia em função das condições climáticas e seria de sete a nove dias, em dias de bom tempo. Na postura deixada à temperatura ambiente, as varroas fêmea ainda estão vivas quinze dias depois. Depois desse isolamento, a sua vitalidade reprodutora pode melhorar.

A varroase é uma das doenças em que as causas favorecedoras têm um papel menos determinante que para as outras doenças. De facto, a presença do parasita basta-se a si mesma porque a doença desenvolve-se de um modo irremediável. Neste momento, a Apis mellifica ainda não desenvolveu uma adaptação específica que lhe permita tolerar as varroas.

A rapidez com que a infestação vai aumentar e provocar a perda de elementos da colónia depende de muitos factores que podem ser internos ou externos à colónia. Os principais prendem-se com:

a abelha e o parasita: considerável presença de postura, bloqueio da postura, enxameação, importância da postura de macho durante o ano, duração da operculação – variável em relação à cepa de abelhas ou às condições climáticas (logo alimentares), atracção relativamente forte da postura, comportamento de limpeza;

o ambiente das colónias: estação, condições climáticas, doenças e/ou intoxicações das abelhas adultas que vão quebrar o equilíbrio abelha/postura e ambiente apícola, fonte de contaminações.

Num contexto diferente, é necessário acrescentar a esta lista a qualidade dos tratamentos, cuja capacidade varia muito.

A acção patogénica da Varroa destructor exerce-se sobre a abelha adulta e sobre a postura.Sobre a abelha adulta é mais evidente:

uma acção mecânica: a presença de um ou mais parasitas vai obstruir os movimentos da abelha, durante o voo e, em geral, toda a sua actividade no seio da colónia.

uma acção espoliadora: periodicamente, a varroa fêmea vai buscar hemolinfa, o que vai enfraquecer a abelha e perturbar o seu metabolismo. Estima-se que tomem em cada refeição 0,1 ou 0,2% do volume de hemolinfa de uma obreira adulta. Se se considerar a duração total da vida da abelha, são tomados 40% do volume de hemolinfa. Está registada uma diminuição do número de hemócitos e uma variação da taxa de proteínas da hemolinfa. A importância desta predação depende, certamente, do número de parasitas, mas também da pressão que estes exercem, ou seja, do número de varroas em relação ao número de abelhas adultas. Quando a pressão do parasita é forte, o funcionamento das glândulas mandibulares e hipofaringeanas é afectado e, por conseguinte, a qualidade da geleia real também diminui. Uma outra consequência será o enfraquecimento do corpo gordo, tão importante no metabolismo da abelha.

uma acção vectora: a perfuração realizada pelas quelíceras da varroa vai levar à inoculação de germes patogénicos e vírus no anfitrião.

De um modo geral, a abelha adulta manifesta uma redução de actividade, mostra um metabolismo perturbado e, em consequência, terá uma menor duração de vida.

Se se estudar a duração de vida dos grupos de abelhas não parasitadas em condições de laboratório, verifica-se que, depois de 25 dias, 50% das abelhas não parasitadas sobrevivem e  25% das parasitadas morrem.

Ao nível da postura, encontram-se as mesmas principais acções:

uma acção traumática: a população de varroa, no interior do alvéolo, vai contribuir para danificar as placas que estão na origem dos futuros apêndices. Isso poderá traduzir-se no nascimento de abelhas um pouco deformadas. A falta de espaço é um dos elementos (com a acção espoliadora) que obstruirá o desenvolvimento harmonioso da futura abelha: 6% das abelhas nascidas parasitadas mostram ter um abdómen mais pequeno. Certas larvas, muito parasitadas mesmo antes da operculação, vão acabar por sair dos alvéolos e a cair na bandeja da colmeia. No interior do alvéolo operculado, o consumo de oxigénio aumenta por causa da agitação da larva.

uma acção espoliadora: as perdas, função do parasitismo durante a fase ninfal, seria de 15 a 40% do volume da hemolinfa. Esta acção reflecte-se no metabolismo e provoca o nascimento de abelhas menos vigorosas, condenadas a uma vida mais curta, com as glândulas hipofaringeanas e mandibulares atrofiadas. Com um parasitismo de um a três ácaros, o volume das glândulas hipofaringeanas diminui para 13,5%. A perda de peso dos insectos adultos parasitados por mais de três ácaros seria de 30%.

uma acção vectora: certas doenças da postura vão desenvolver-se: loque europeia, loque americana, postura saciforme. A acção de certos vírus que, até então, estavam presentes na colónia sem papel patogénico, aumenta rapidamente. O vírus da paralisia aguda (APV), injectado directamente na hemolinfa pelas picadas da varroa, causa a morte das larvas. O vírus das asas deformadas (DWV) está na origem das abelhas de asas atrofiadas. O modo exacto de contaminação deste vírus está ainda por determinar.

A abelha que vai nascer poderá ser, então, morfológica e fisiologicamente deficiente. Sofrerá uma perda de peso (de cerca de 21,6%), resultado da intensidade do parasitismo.

Postura de macho muito infestada.

Seguida a taxa de infestação, os sintomas vão aparecer com maior ou menor gravidade em função de muitos factores, como a época do ano, as condições climáticas, as técnicas apícolas, as contaminações.

Uma das dificuldades inerentes a esta parasitose é a ausência de qualquer sinal de doença, isto até um ponto crítico em que a colónia dificilmente seria recuperável. O apicultor, mesmo o mais prevenido, pode ser surpreendido. Só uma despistagem pode mostrar que agente patogénico existe em maior quantidade ou evidenciar alguns sinais de alerta, como as abelhas de asas atrofiadas e varroas nas abelhas adultas.

Mais tarde, quando a pressão do parasita aumenta, destacam-se os sintomas:

Ao nível das abelhas adultas e perante a colónia:

– Abelhas mortas;

– Abelhas e ninfas atrofiadas;

– Larvas recém-nascidas presentes na prancha de voo;

– Abelhas que se arrastam ao sol, andando em direcções desordenadas;

– Abelhas de asas deformadas, por vezes negras.

– Abelhas de asas afastadas e assimétricas;

– Pacotes de abelhas na proximidade das colónias, ao sol ou pendurados nos ramos (deserção).

Ao nível da postura, e da colónia:

– Diminuição da postura da rainha;

– Postura em mosaico;

– Ninfas vivas, mas atrofiadas sob o opérculo;

– Ninfas mortas no opérculo, na sua posição normal de evolução (língua saída, patas retardadas).

– Larvas na parede do alvéolo, de uma cor castanha clara a castanha escura, de consistência pastosa, por vezes filante.

– Ninfas relativamente corroídas, em parte saídas dos alvéolos. Isto mostra um canibalismo provocado pela procura de proteínas e pode ser interpretado como um meio de auto-protecção.

– Despovoamento da colónia;

– Presença de reservas de mel e de pólen desproporcionais em relação ao racimo. As abelhas tornam-se prematuramente colhedoras por causa do atrofio das glândulas hipofaringeanas provocado pela tomada de hemolinfa por parte do parasita. As colónias são encontradas sem abelhas e com fortes provisões de mel.

Ao nível da postura, podem aparecer sintomas parecidos aos da Loque Europeia (LE), aos da Loque Americana (LS) e à postura saciforme (CS). Acontecem graças ao desenvolvimento do vírus da paralisia aguda (APV).

Essas doenças merecem, assim, um maior destaque. Elas aproveitam o enfraquecimento geral da colónia, das abelhas e da postura para actuar. Assim que uma colónia é atingida pela varroase desenvolve também a verdadeira Loque Americana, a Loque Europeia, a Micose.
O conjunto desses sintomas não está sempre relacionado com a taxa de infestação.

Os sintomas descritos nunca devem, em teoria, ser encontrados. Uma condução atenta das colónias deverá preveni-los porque:

Nesse estado, a colónia dificilmente é recuperável

É preciso ter em conta sobretudo dois sinais de alerta:

– Abelhas com asas atrofiadas;

– Varroas em cima das abelhas adultas.

Nota-se, por fim, um aumento dos casos de postura tubular ou postura calva. Esta provém grupos de pequenas traças coladas na base dos alvéolos, que obrigam a larva da abelha a subir para a alça, impedindo a construção do opérculo. Observada mais tarde, esta anomalia poderá ser causada pelo enfraquecimento da colónia provocado pela Varroa destructor.

A varroase propaga-se muito depressa e inexoravelmente. Nada a pode deter. Diferentes factores, tanto naturais como apícolas, estão na base deste estado.

Entre os factores naturais estão:

– o voo dos machos, a sua mudança de colónia e de colmeal;

– a enxameação;

– a pilhagem: certos compostos da feromona de alarme têm um papel importante na passagem da varroa da abelha morta para a que ataca;

– a deriva das colhedoras;

– as deserções. Por deserções entende-se a partida das abelhas das suas colmeias transportando os parasitas. A deserção é uma resposta comportamental de um início de parasitismo muito elevado. Em 1900, este fenómeno já foi descrito para a acariose das traqueias.

– o transporte do parasita por outros insectos, nomeadamente vespas.

Entre os outros factores inerentes ao apicultor:

– a transumância;

– a concentração das colónias numa mesma região;

– o transporte de alças com abelhas durante a recolha;

– a venda dos enxames;

– o comércio das rainhas.

Fonte: http://www.apisantos.com/138001/313775.html