Sanitário

Postura Saciforme

Definição

Doença viral das abelhas que afecta a cria, causando a sua morte pouco depois de ser operculada no seu alvéolo e antes da sua transformação em pupa.

Etiologia

O agente causador desta doença é o vírus Morator aetatulae Holmes (White, 1917), que se apresenta sob a forma de corpúsculos isométricos, cujo ácido nucleico é do tipo X, em muito semelhante com o vírus da Paralisia Aguda.

À temperatura vulgar perde o seu poder patogénico em três semanas, assim como em água quente (60ºC), e em mel (70º), em 10 minutos.

Patogenia

Nas larvas afectadas produz-se inicialmente uma multiplicação do vírus, sem sinais aparentes. As larvas infectadas morrem pouco antes da metamorfose na fase da larva estirada.

O problema surge na última muda e por causa do desequilíbrio hormonal, a envolta externa permanece fixa e forma uma espécie de saco, em cujo interior se encontra a larva submersa no líquido que segregou as células epidérmicas.

As crias infectadas apresentam-se entre brancas e amarelentas ao princípio, sofrem um processo de escurecimento e adquirem cor parda e uma consistência flácida, para finalizar convertem-se em crostas pouco aderentes às paredes das celas, adquirindo uma forma arqueada, como gôndolas.

Epidemiologia

O vírus ataca preferencialmente as larvas jovens com 2-3 dias, cuja infecção pode alcançar os 80% e diminui esta percentagem para 40% quando o contágio se produz no momento em que a cria tem 4 ou 5 dias.

Cada larva morta com a doença contém aproximadamente um miligrama do vírus M. aetatulae, quantidade suficiente para infectar a totalidade da cria de 1.000 colónias, se bem que é verdade que a dissecação dos cadáveres atenua em grande medida a patogenia do vírus. Nas larvas, o vírus pode evidenciar-se nas células do tecido e na cabeça (glândulas hipofaríngeas).

Por outro lado, o facto de que as abelhas adultas detectam muitas larvas na primeira fase da doença, e as eliminam, envolve a possibilidade da difusão da mesma, pois o vírus resiste muito pouco às condições ambientais fora da colmeia.

Cadeia Epizootiológica da Cria Sacciforme

O pólen armazenado é outra fonte de vírus que chegou até ali através das secreções das abelhas no momento da recolha e armazenamento.

A pilhagem, a deriva e o manuseamento podem transmitir a doença a outras colmeias.

As abelhas nutrizes transmitem este vírus quando alimentam as larvas com as secreções das glândulas hipofaríngeas, que são o assento do vírus nas abelhas adultas. São necessárias 10 partículas virais para produzir a doença com sintomas em larvas de dois dias de idade.

As abelhas doentes têm uma vida mais curta, pois o vírus induz trocas metabólicas semelhantes às produzidas por CO2, acelerando a oxidação dos tecidos.

O curso desta doença é geralmente leve e desaparece gradualmente de forma espontânea.

Sintomatologia

Se as larvas sãs se transformam em pupas quatro dias depois da operculação das celas, a cria afectada pelo vírus M. aetatulae não sofre essa transformação e permanece estirada, já que coberta endurece formando uma espécie de saco que encerra líquido e a larva adquire uma cor castanha escura. A disposição da cria, salteada, com os opérculos fundidos, é um sintoma muito parecido ao da Loque americana.

Nas larvas afectadas não se produz uma modificação sensível da sua forma e consistência e quando se dissecam adquirem uma forma peculiar, com restos de coberturas cefálicas dirigidas até acima, podendo estender-se até às celas com facilidade.

Diagnóstico

Clínico: Os sintomas assinalados servem de base para diagnosticar esta virose. A análise fundamenta-se na procura de larvas que apresentem forma de saco, cria salteada e crostas em celas com forma em forma de gôndola e facilmente extraíveis.

Laboratorial: No laboratório, as amostras de larvas mortas por vírus não têm germes visíveis (bactérias ou vírus) de outras doenças e, caso se observe algum tipo de bactéria, esta provém da contaminação posterior à sua morte.

A visualização e identificação do vírus realiza-se a partir do exame, com microscópio electrónico, do citoplasma das células adiposas, musculares e da traqueia, nas quais se observam partículas virais esféricas de 28-30mm de diâmetro.

Diagnóstico Diferencial

Realizar um diagnóstico diferencial com Loque americana e loque europeia.

Profilaxia

A cria saciforme é uma doença factorial e uma das causas mais importantes é a falta de alimento da cria. Por outro lado, todos os factores que incidem sobre esta alimentação deverão evitar-se.

As partículas virais apresentam maior perigo se entrarem directamente na corrente sanguínea, pelo que há que minimizar os factores que expõe esta possibilidade: Varroose nas coberturas inter-segmentais e Acarapisose no sistema da traqueia.

Fonte: http://www.apisantos.com/138001/313922.html