Sanitário

Paralisia

Definição

A Paralisia Crónica e Paralisia Aguda são doenças infecciosas das abelhas adultas produzidas por duas espécies de vírus.

Etiologia

O vírus que provoca a Paralisia Crónica é um vírus ARN (ou seja, cujo material genético é o ácido ribonucleico). Tem forma irregular e mede 20mm x 30 a 60nm. O vírus que causa a Paralisia Aguda é também do tipo ARN, tem forma esférica e dimensões de 30nm de diâmetro.

A duração desta virose pode ser de poucos dias e excepcionalmente pode persistir durante meses. Raramente causam a morte à colónia afectada.

Existem outras formas de paralisia transitória, devido aos tóxicos naturais que desaparecem quando as abelhas visitam plantas distintas das que produzem estas alterações.

Patogenia

O vírus da Paralisia Aguda tem um curso mais rápido que o da Paralisia Crónica. Ambos os vírus são neurótropos (encaminham-se especificamente para o cérebro).

O vírus da Paralisia Crónica reproduz-se em numerosos tecidos e especialmente nas células nervosas e nas das mucosas intestinais.

O local de estabelecimento do vírus da Paralisia Aguda é o das glândulas salivares torácicas e em tecidos não essenciais para a vida das abelhas.

Epizootiologia

Para que a abelha fique infectada são necessários muitos milhões de partículas virais, ainda que somente sejam precisas 100 partículas quando se injectam na hemolinfa.

Nos sacos melários distendidos, em abelhas com paralísia, encontram-se em grandes quantidades de vírus da Paralisia Crónica, assim como no pólen recolhido por indivíduos em cuja colónia está presente o vírus.

Em zonas de preferência, pode permanecer em estado latente, o que explica as recidivas constantes em diversos estados de stress na colónia.

Caso se apresentem problemas de consanguinidade nas colónias doentes, a incidência da doença aumenta devido à multiplicação do vírus influenciada por várias características hereditárias. O vírus da Paralisia Aguda transmite-se pela Varroa destructor (vector do vírus).

Sintomatologia

Na Paralisia Crónica as abelhas apresentam um tremor anormal das asas, que com frequência se encontram deslocadas. Este tremor chega ao corpo das abelhas doentes que estão incapacitadas para o voo, arrastam-se pelo solo e tentam entrar na colmeia trepando pelos talos das ervas perto do orifício.

O abdómen parece volumoso, como consequência da distensão do saco melário, que está cheio de líquido com grande quantidade de vírus. Esta distensão provoca disenteria.

Os sintomas de Paralisia Aguda apresentam-se em abelhas que ao princípio podem voar; aparecem quase carentes de pelo (alopecia), o que faz com que pareçam mais pequenas e com uma cor escura, quase negra.

Apresentam o abdómen relativamente largo e, dias depois, aparecem os tremores e a incapacidade de voar. Estas características fazem com que sejam recusadas por abelhas da própria colónia, que as confundem com abelhas ladras.

Diagnóstico

Clínico: A sintomatologia não prova com segurança a presença do vírus da Paralisia.

Laboratorial: Visualiza-se o vírus ao microscópio electrónico. Também se podem fazer culturas de vírus em células embrionárias da abelha.

As abelhas com Paralisia Aguda apresentam no epitélio do intestino corpos citoplasmáticos basófilos, que parecem ser específicos desta doença.

Fonte: http://www.apisantos.com/138001/313901.html