Sanitário

loque americana

Agente Causador

A loque americana é uma doença bacteriana produzida pelo bacilo Paenibacillus larvae (White, 1906) um microrganismo móvel com flagelos, que possui a forma de um bastão com cerca de 2,5 a 5 micros de largura por 0,4 – 0,8 micros. Uma característica fundamental de P. larvae é a formação de endósporos, extremamente resistentes ao calor (30 minutos a 100º e 15 minutos a 120º), aos desinfectantes químicos, ao cloro, à radiação UV (20 minutos), iodados e água quente com qualquer aditivo.

Os espóros de Paenibacillus larvae podem permanecer infectados por mais de 40 anos, ainda que se veja diminuída a sua visibilidade logo neste período. Apresentam a particularidade física fundamental de possuir movimento browniano, ou seja, quando se observam ao microscópio óptico, movem-se constantemente, permitindo assim uma melhor identificação.

Sintomatologia e danos

Prova de existência de Loque

A Loque Americana é uma doença da cria que a mata assim que esta termina a sua etapa como larva. Morrem, principalmente, em estado de pré-pupa, mesmo que seja provável que algumas o façam em estado de pupa. Um mês depois da morte da larva, é característico a formação de uma escama aderente à parede inferior da cela, podendo permanecer nos favais por vários anos sem que as abelhas a retirem.

Quando a doença surge, os opérculos dos favais da cria tornam-se húmidos e mais escuros, para logo se fundirem. É neste momento que as abelhas começam a retirar os restos larvais. Quando mortas, as crias adquirem uma cor castanha e expelem um odor desagradável.

As larvas mortas por Loque Americana adquirem uma consistência semifluida, que se assemelha a uma pastilha elástica, é por isso que quando se introduz um palito dentro do opérculo este arrasta um resíduo castanho em forma de erva viscosa, que se estende até 4 cm. Actualmente, vários casos têm sido apresentados que demonstram uma sintomatologia clínica duvidosa (Loque atípica), mediante técnicas de laboratório confirma-se a presença de Paenibacillus larvae, agente causador da Loque americana. Nestes casos, estão em causa diferentes bactérias associadas.

Ciclo de vida

As larvas de abelhas infectam-se ao ingerir o alimento contaminado com esporos de Loque Americana, estes germinam irregularmente num período entre 24 a 48 horas no intestino e dão origem às células vegetativas (bacilos). As bactérias podem atravessar a parede intestinal até que a larva se converta em pré-pupa. Quando tal sucede, as bactérias chegam à hemolinfa e proliferam, multiplicando-se violentamente até matar a cria.

Uma escama possui aproximadamente 2,5 biliões de esporos. Larvas com menos de 24 horas somente necessitam de 6 esporos para se infectarem, enquanto uma larva de 3 dias necessita de ingerir milhões de esporos para ser infectada; passado este período dificilmente se infectam. As larvas de rainhas são mais susceptíveis às doenças que as larvas de obreiras e estas que as larvas de zângãos.

Difusão da Ioque Americana

Os principais agentes de difusão da doença são: a pilhagem, a deriva de abelhas, a alimentação (mel e pólen), o intercâmbio da cria de uma colmeia para outra e o manuseamento do apicultor (alavanca, luvas, favais abandonados em telheiros abertos, veículos contaminados, etc.).

As colónias muito afectadas pela Loque americana vêm gradualmente diminuindo a sua população, até ao ponto em que a rainha, com poucas abelhas, abandona a mesma, ainda que as causas deste abandono não sejam ainda muito conhecidas. Alguns autores sustentam que se deve ao excessivo odor no meio ambiente da colmeia. Este feito deixa a colmeia infectada exposta à pilhagem das outras colónias do apiário.

A Loque americana é uma doença não estacional, que leva invariavelmente à perda da colónia. Pode suceder que ao surgir um surto, este logo desapareça, é improvável que as abelhas possam retirar dessa colónia todos os esporos formados durante a primeira infecção. Por conseguinte, em algum momento esses esporos podem recomeçar o ciclo.

Os esporos podem ser transmitidos às larvas pelas abelhas adultas encarregadas de limpar os favais; também pode haver contaminação por esporos que persistam no fundo das células.

As abelhas adultas podem identificar a infecção muito pouco depois que esta se produz. Durante o embrião no momento de eleger uma nova colmeia, elas não podem distinguir entre favais contaminados ou não, pelo que manter colmeias mortas e abandonadas no campo pode ocasionar a infecção dos enxames.

Na maioria dos casos, as colónias doentes que se recuperam parecem curar abruptamente durante a temporada de mel. Tal se deve fundamentalmente a:Os esporos podem diluir-se no néctar recém-recolhido até ao ponto em que as larvas jovens susceptíveis têm poucas probabilidades de recebê-las com o alimento.

As abelhas evitam armazenar mel ou pólen em celas que contenham restos de larvas mortas por Loque americana. O fluido do néctar estimula o comportamento higiénico das nutrizes.

Algumas pupas infectadas com Loque Americana morrem depois da língua se ter formado. A pupa infectada inicia a decomposição e encolhe, mas a língua permanece apontada para cima quase tocando na parede da cela inferior.

Importância do mel como fonte de contágio

Presença de esporos no mel:100% das colónias infectadas 26,1% das colónias saudáveis localizadas em apiários que tenham algum caso positivo. 4% das colónias saudáveis de apiários que não apresentam a doença, mas localizadas em zonas infectadas.

Manter baixos os níveis de infecção contribui para o abrandamento da doença e do seu grau de difusão, já que durante o processo de deriva, as abelhas das colmeias infectadas são capazes de transmitir a doença a colmeias fortes.

Diagnóstico

O teste do fósforo – um excelente meio para testar a Loque Americana.

Por se tratar de uma doença agressiva, é importante saber reconhecê-la e detectá-la nos primeiros momentos da infecção. Devem considerar-se determinadas pautas no momento de realizar a inspecção:Percentagem de marcos de cria inspeccionados. A localização da câmara de cria dos marcos que se inspeccionarem. Frequência do ano/temporada em que se realizam as inspecções. Observação minuciosa dos opérculos e restos de larvas. Tempo empregado na inspecção da câmara de cria. Durante a observação, a olho nu, pode ver-se:O faval da cria não tem uma postura par. Vêem-se as celas vazias, sem postura, nem larvas, alternadas com celas trabalhadas (cria salteada).

Nos favais da cria podem encontrar-se opérculos fundidos, mais escuros que o normal, gordurosos e com pequenas perfurações. As larvas mortas de cor castanha, de aspecto “gomoso”, que ao introduzir um palito e ao retirá-lo, este traz uma pasta tipo pastilha elástica. As escamas, produto das larvas mortas, ficam aderentes longitudinalmente à parede das celas. São de cor castanha muito escura, quase negra, muito difíceis de retirar. As larvas mortas começam a decompor-se, exalando um odor forte característico.

Diagnóstico diferencial

É preciso fazer um diagnóstico diferencial com Loque europeia.

Pelas características da própria doença, uma vez que a LA se detecta numa região, muito dificilmente pode ser erradicada por completo na mesma. Quaisquer dos métodos descritos em seguida devem complementar-se indefectivelmente com um programa intensivo de revisões periódicas aos apiários (num intervalo de 90 dias, como mínimo), incluída a época invernal, já
que uma só colónia abandonada no campo pode destruir o trabalho de vários anos de controlo.

É fundamental adequar as acções tendentes a controlar a doença de acordo com cada caso e a cada sistema em particular, devidamente assegurado por um técnico.

Destruição por meio de fogo das colônias doentes

Esta é sempre a melhor opção para erradicar a doença. A destruição implica:Deve fazer-se um poço na terra com um diâmetro de acordo com a quantidade de material a queimar, de aproximadamente uns 60-70 cm de profundidade. Sobre o olho colocam-se 2 ou 3 paus verdes ou barras de metal, onde se colocará o material a ser queimado.

Matar as abelhas mediante a utilização de um insecticida ou um pano embebido em nafta (300ml). Para este procedimento não se deve usar húmus, já que as abelhas enchem os seus papos com mel contaminado aumentando o risco de escape e contaminação de outras colmeias. Este procedimento pode realizar-se a qualquer hora do dia devido ao facto de as abelhas que se encontram a obrar dificilmente apresentarem esporos nos seus papos, já que estas retornam com néctar recém-colhido das flores.

Uma vez verificado que as abelhas estão mortas, procede-se à queima dos favais, abelhas e marcos. Se o material de madeira não é incinerado junto com as abelhas, deve desinfectar-se ou esterilizar-se perfeitamente.

Durante o processo de queima, deve evitar-se que o mel seja derramado fora do poço. Uma vez finalizada a incineração, deve tapar-se o poço, a fim de evitar a pilhagem do mel, cera e própolis, que não tenham terminado de queimar. Este sistema é recomendável quando a incidência de Loque Americana, nos apiários, é menor a 5%, ao ano.

Caixas de abelhas

Celas perfuradas num favo contaminado com Loque Americana.

A tecnologia da caixa é um dos métodos mais eficazes para recuperar colónias afectadas com Paenibacillus larvae. Ainda que esta tecnologia não seja 100% eficaz, permite diminuir a infecção melhor que qualquer outra alternativa de manuseamento.

Os passos a seguir são os seguintes:Cortar as alas e enjaular as rainhas das colmeias afectadas.

Sacudir com auxílio de um funil e um pulverizador de água; colocar as abelhas dentro de um pacote, note que as abelhas devem ser pulverizadas previamente. Para queimar uma colónia devemos evitar o uso de húmus, substituindo por um bom pulverizador de água com açúcar.

A quantidade de abelhas necessárias para a confecção de um pacote de recuperação de colónias é de aproximadamente 1800 grama, que são cerca de 6 marcos de abelhas.

Caso uma colónia muito debilitada por uma doença não atinja este peso, deve completar-se com abelhas de outra colmeia.

Matar o excedente de abelhas e incinerar os favais da cria e pólen. O mel pode ser extraído se se manipular adequadamente para evitar a pilhagem. O resto do material apícola deverá ser desinfectado.

Colocar os pacotes com alimentador num lugar escuro e fresco, durante 48 ou 72 horas. Preparar uma câmara de cria, com três marcos de cera estampada e um alimentador, nunca se deverá utilizar quadros com cera trabalhada, já que as abelhas tendem a colocar o mel com esporos nas celas.

Colocar o pacote dentro da câmara; durante a operação deverá tirar-se a rainha e colocá-la entre os marcos de cera estampada, retirando o tampão do açúcar; manter a câmara totalmente hermética durante 48 horas.

Abrir um pouco o orifício e encher novamente o alimentador de xarope com antibiótico. Alimentar cada 4 ou 5 dias, até que completem a câmara.

Planeamento duplo

O procedimento consiste em:Deslocar a colmeia do seu lugar e colocar um núcleo vazio e quadros. Sacudir os quadros de abelhas dentro do núcleo com alimentador.

Os marcos da colmeia com cria devem ser INCINERADOS indefectivelmente e a câmara desinfectada. Os quadros com cera poderão fundir-se e utilizar-se para o estampado. O mel poderá extrair-se e utilizar-se somente para consumo humano, “nunca deverá alimentar as abelhas com esse mel”.

O núcleo, no qual se terão sacudido as abelhas, será deixado no lugar até ao anoitecer para se assegurar que todas as abelhas retornem do campo; nesse momento, deve fechar-se com uma tela metálica que permita o arejamento, deixando fechado por 48 ou 72 horas.

Ao fim desse tempo, o núcleo poderá ser transferido para uma câmara com cera estampada e um alimentador. Alimentar cada 4 ou 5 dias, até que completem a câmara. No momento em que as abelhas tenham obrado e estejam presentes as primeiras larvas de obreiras, deve acrescentar-se o alimentador com o xarope com o antibiótico. Esta técnica é mais simples que a do pacote, e oferece muito menos resultados, podendo haver reincidência da Loque Americana, como a perda de colmeias durante o processo. Na maioria dos casos, as abelhas morrem no núcleo ou abandonam a câmara.

Planeamento Simples

Nas pupas doentes, as partes do corpo perdem maioritariamente a sua forma característica, ainda que a língua permaneça direita e proeminente.

Colocar imediatamente ao lado da colmeia doente uma câmara desinfectada. Colocar 3 quadros de cera estampada, um alimentador e uma rainha. É importante saber que mediante esta metodologia somente se baixa o nível de infecção das colmeias, não se elimina a doença por completo, sendo que é altamente provável que esta volte a aparecer nos próximos meses. Este método é aconselhável somente quando o número de colmeias afectadas é muito grande e o nível de desinfecção de cada colmeia seja baixo.

Desinfecção de materiais apícolas

Esterilização por fogo: em caso de não queimar as câmaras de criação, pisos e tectos, deverá proceder-se a uma exaustiva desinfecção que pode consistir em:

Queimada em forma de pira ou chaminé: Colocam-se 6 ou 7 alças invertidas em forma de chaminé. Estas são pulverizadas com querosene, por baixo coloca-se um tecto ou piso com um pouco de querosene. Assim que tudo esteja pronto, ateia-se fogo, tendo sempre em atenção que todos os materiais utilizados são inflamáveis e deixa-se arder até que o apicultor observe que começa a sair fumo de cor negra, típico da combustão da madeira. Nesse momento, coloca-se um tecto em cima da pilha de alças com o objectivo de afogar o fogo. Caso não se apague, o aconselhável é derrubar a pilha e apagar com areia ou água. Os pisos e os tectos podem queimar-se com querosene individualmente, um a um. Logo que o produtor realize este procedimento várias vezes voltará a fazê-lo eficientemente que poderá desinfectar-se grande quantidade de material em pouco tempo.

Parafina quente: este sistema consiste em submergir o material apícola em parafina a 150º. Para o respectivo processo, devem-se construir alguns aparatos que permitam a realização do trabalho de forma segura.

Lavagem com soda cáustica: submergir o material em soda cáustica a 15% com água a ferver, tal se deve fazer com muito cuidado já que o produto é altamente corrosivo e pode danificar o apicultor. Antes de tratar dos materiais, devem ser raspados para não desperdiçar a solução dissolvendo grandes peças de cera e própolis e assim facilitar a penetração nas cavidades dos materiais. O material deve permanecer submerso durante 5 a 20 minutos, no máximo, já que a solução destrói as fibras de madeira. Uma vez retirado, deverá colocar-se em água limpa. Deve ter-se presente que o hidróxido de sódio é extremamente tóxico.

Considerações finais acerca de esterilização das favais

Sem dúvida o melhor processo de esterilização é queimar os favais que contenham restos de larvas com Loque Americana e fundir todos aqueles que não contenham cria, para a sua posterior estampagem, já que neste processo grande quantidade de esporos destroem-se ou são eliminados.

Muitos dos produtos aqui mencionados são perigosos para a saúde e para o meio ambiente, pelo que se recomenda:Adquirir produtos de reconhecida qualidade. Ler bem e detalhadamente as instruções de uso. Fortalecer as medidas de precaução já que muitas delas são cáusticas. Perante a maior dúvida, consulte um profissional ou um centro especializado.

Fonte: http://www.apisantos.com/138001/313712.html