Custo de Produção

Apicultura cada vez mais eficiente

João Carlos de Faria – O Estado de S.Paulo

 

 

 

 

 

Casa cedida na propriedade de André Ceruks para associação beneficiar produção. Foto: Luciano Coca/AEO Vale do Paraíba produz, conforme o Centro de Estudos Apícolas (CEA) da Universidade de Taubaté (Unitau), cerca de 500 toneladas de mel, reunindo mais de 200 apicultores, com faturamento anual bruto estimado em R$ 5 milhões. Os números não são oficiais, mas alguns municípios da região estão buscando valorizar e organizar a cadeia apícola, para melhorar a renda das propriedades, principalmente de produtores familiares.

 

Os exemplos mais evidentes disso ocorrem nos municípios de Monteiro Lobato e Pindamonhangaba, onde há projetos para profissionalizar os apicultores e construir casas de beneficiamento da produção.Em Monteiro Lobato, o bairro da Pedra Branca concentra 15 dos 20 apicultores ligados à Associação dos Pequenos Produtores e por isso sediará a casa de beneficiamento.

 

Financiamento

 

O projeto foi um dos dez escolhidos pelo governo federal para receber um financiamento de R$ 40 mil. “Há dois anos havia um grupo se organizando para formar um núcleo de apicultores na associação. Quando surgiu o edital do governo federal entramos e fomos contemplados”, explica a bióloga Lídia Maria Carelli Barreto, que coordena o CEA/Unitau, responsável pela execução do projeto, junto com a prefeitura.

 

“É uma equipe multidisciplinar integrada por alunos da Unitau, como Ciências Agrárias, Biologia, Arquitetura e Comunicação”, diz Lídia.

 

A casa do mel vai ocupar uma casa antiga do Acampamento Recanto do Sauá, cedida pelo proprietário André Ceruks, também apicultor. Até outubro a casa deverá estar pronta para vistoria, e ainda este ano iniciará o beneficiamento da produção.

 

Em um ano, os 20 apicultores beneficiados pelo projeto conseguiram avanços significativos, graças às orientações da universidade e ao acompanhamento técnico da veterinária Marilúcia Lamoglia, da prefeitura de Monteiro Lobato. “Os objetivos de gerar renda e melhorar a qualificação estão sendo alcançados. Com o beneficiamento da produção, fecharemos um ciclo importante.”

 

Na ponta do lápis, as contas são otimistas em relação ao impacto na renda dos produtores, sobretudo quando, na segunda fase do projeto, programada para o ano que vem, for construído um ponto de vendas no centro da cidade.

 

Programação visual

 

Para essa fase, os universitários já fazem estudo da programação visual, incluindo embalagem e logomarca. Hoje, os apicultores recebem noções de custos de produção, após terem passado por um treinamento em um apiário-escola e por aulas práticas nas propriedades de cada um. “Hoje a produção quintuplicou”, diz Lídia.

 

Da média de 10 quilos por colméia, já há produtor que passou para 52 quilos/ano. Calcula-se uma produção de 20,8 toneladas por ano. Isso apressa a necessidade de pôr em funcionamento a Casa do Mel, para tirar os apicultores da clandestinidade, gerando mais de R$ 100 mil de renda no meio rural.

 

“O pessoal desanima se não tem onde e como vender o mel”, diz o apicultor André Ceruks. Ele, que sempre produziu mel para consumo próprio e para seu acampamento, planeja chegar a 20 colméias. “Vamos vender mel sem medo.”

 

Para a presidente da Associação, Maria Conceição dos Santos Silva, a expectativa é ótima, com relação à possibilidade de beneficiar e certificar o mel. “A Casa do Mel é um passo importante”, diz. No seu sítio, no Bairro São Benedito, ela tem 15 colméias e já conseguiu dobrar a produtividade só modificando o manejo.

 

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,apicultura-cada-vez-mais-eficiente,243191,0.htm