Custo de Produção

Análise de Mercado – Café 25/04/2011 a 29/04/2011

Problemas climáticos em regiões produtoras sustentam os preços do café

Fonte: AGROCIM

O período analisado  iniciou pesado para o café, mas as cotações fecharam em alta mais uma vez. Notícias sobre condições climáticas desfavoráveis em países produtores foram as principais responsáveis pela sustentação dos preços em patamares elevados, chegando aos níveis mais altos dos últimos 14 anos durante a semana.

No mercado internacional, o Quênia quer aumentar a produção de café para 200.000 toneladas anualmente, após a introdução de uma nova variedade no mercado. O diretor da Coffee Research Foundation (CRF), Joseph Kimemia, disse que a introdução de uma nova variedade de café (conhecida como Batian) deverá aumentar a produção significativamente devido a sua resistência a doenças e seu alto rendimento. A nova variedade é capaz de produzir uma média de 40 quilos por cafezal devido a sua resistência, diferentemente de variedades tradicionais. A produção de café do país caiu em 2009/10 para 40.000 toneladas, comparado com 54.000 toneladas em 2008/09, porém os ganhos aumentaram para 16 bilhões de xelins (US$ 188,72 milhões) em 2009/10, comparados com 10,4 bilhões de xelins (US$ 122,67 milhões) no ano anterior. O aumento foi atribuído à recuperação que está sendo vista no sub-setor e um recente senso de otimismo entre os produtores de café. De acordo com o programa Vision 2030, que visa transformar o Quênia em uma economia de nível médio, o país está visando produzir um mínimo de 100.000 toneladas de café anualmente. Os membros da indústria estão otimistas no que diz respeito a melhores ganhos em 2011, após um forte desempenho sustentado dos preços da commodity nos principais mercados do mundo desde o ano passado.

No México, o aumento no consumo doméstico contribuiu para a queda de 20% nas exportações do produto durante os primeiros seis meses da temporada, de acordo com o ministro da agricultura, Francisco Mayorga. “O mercado doméstico está crescendo, portanto retivemos parte de nossa produção”, disse à imprensa. Autoridades do setor de café no México vêm estimulando o consumo doméstico do produto mexicano, inclusive destacando os benefícios do café para a saúde. O ministro espera que a produção da temporada 2010/11 seja 5% menor do que a do ciclo anterior, alcançando 4 milhões de sacas de 60 kg. Inicialmente, autoridades esperavam que o país fosse produzir 5% mais café nesta temporada, mas a previsão foi revisada para assimilar danos causados por enchentes e excesso de calor no início da temporada. As autoridades avaliam que as exportações de café se estabilizarão conforme a temporada continuar. O ciclo no país corre de outubro a setembro.

As exportações de café do Peru devem ser de US$1,2 bilhão esse ano, refletindo um crescimento de 30% com relação as exportações do ano anterior, estimou o Ministério da Agricultura (Minag) do país. O chefe do Gabinete de Assessores do Minag, Dow Seiner, disse que as exportações de café do ano passado foram superiores aos US$ 870 milhões e que 25% do aumento corresponderiam ao maior volume produzido e o restante (75%) corresponderia ao melhor preço e qualidade do café. Ele também disse que os preços de todas as commodities no mundo se manterão elevados nos próximos meses por razões de mudança climática e outros.

A produção de café da Nicarágua na temporada 2010/11 deve ser menor do que a do ciclo anterior, apesar do aumento da produção no início da temporada, afirmou hoje o presidente da Associação de Cafés Especiais do país, Julio Peralta. Ele afirmou que o país deve produzir 1,3 milhão de sacas de 60kg de café neste ano-safra, queda de 20% em relação a 2009/10, por causa do clima adverso que afetou a floração nos cafezais. “Supostamente, esse deveria ser um ano de produção positiva”, disse. “Mas muitas áreas tiveram produção ruim.” Enquanto isso, as exportações durante os seis primeiros meses da temporada somaram 789,92 mil sacas, elevação de 13% na comparação com o acumulado de outubro a março do ciclo passado. A associação representa grupos de produtores, exportadores e torrefadoras na Nicarágua.

Em Nova Iorque (ICE Futures US) os contratos com vencimento em maio e junho fecharam a semana sendo cotados a 299,35 cents/libra-peso e 299,85 cents/libra-peso, respectivamente. A valorização dos contratos foi de 11,45 cents/libra-peso (+3,98%) para maio e 9,05 cents/libra-peso (+3,11%) para julho

No mercado interno, as exportações brasileiras de café em 2011 devem cair em volume, mas crescer em receita, segundo o diretor do Departamento de Café do Ministério da Agricultura, Robério Silva. Pelos seus cálculos, apesar de a safra ser de ciclo curto neste ano, as vendas devem chegar a 30 milhões de sacas, com receita de US$ 7 bilhões. Em 2010, a comercialização foi de 33,5 milhões de sacas, com resultado financeiro de US$ 5,8 bilhões. A produção total nacional, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) feita em janeiro, será de 43,3 milhões de sacas, queda de quase 5milhões de sacas em comparação com o ano passado, quando a produção foi de 48,1 milhões de sacas. No primeiro trimestre de 2010, o Brasil enviou 8,5 milhões de sacas ao exterior, obtendo US$ 1,9 bilhão com a venda. Essa comercialização resultou em um valor médio de US$ 228,57 por saca. O saldo é bem acima do que a média dos últimos 10 anos, que chegou a ser de US$ 48,2 a saca em 2002. Na avaliação do diretor, o câmbio não vai atrapalhar as vendas externas este ano porque a demanda está crescente, embora a safra brasileira deva ser menor.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, na quinta-feira, 28 de abril, a distribuição de recursos para financiar a cafeicultura em 2011. Será R$2,29 bilhões do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para custeio, colheita, estocagem, investimento em mercado futuro, aquisição pela indústria e refinanciamento de dívidas. O valor é R$ 290 milhões superior ao direcionado pelo governo em 2010 para a safra de café. “Considerando a recuperação dos preços pagos aos produtores e a tendência de que os valores se mantenham nesses patamares, o volume de recursos deve ser suficiente para atender a demanda da cafeicultura este ano”, avalia o diretor substituto do Departamento de Café do Ministério da Agricultura, Thiago Masson.

Estão previstos ainda R$ 300 milhões para cafeicultores refinanciarem dívidas. A linha crédito já havia sido aprovada pelo CMN em 31 de março e o financiamento é válido para produtores com saldo devedor de recursos utilizados exclusivamente na lavoura de café. A medida é direcionada a produtores que contrataram crédito diretamente de agentes financeiros ou por intermédio de suas cooperativas. Pela nova linha especial, cada produtor poderá contratar até R$ 200 mil a juros de 6,75% ao ano, sendo que o financiamento deverá ser pago em até cinco anos. “Nos próximos dias, o Ministério da Agricultura enviará um aviso aos agentes financeiros informando a disponibilidade dos recursos e estipulando prazo para que apresentem suas demandas pelas linhas de crédito do Funcafé”, informou Masson. A expectativa é que em 45 dias, os produtores possam começar a contratar os recursos.

No Sul de Minas Gerais a colheita já começou. Apesar de a região ser montanhosa, onde a topografia ajuda a colhedora já está trabalhando. “Cerca de 80% do café está pronto para ser colhido. Quanto mais rápido a gente colher, mais qualidade vai ter o produto”, diz o produtor Braulino Miranda. A produção este ano deve ser 12% menor que em 2010. Isso por causa da bienalidade da planta, que produz mais em um ano, menos em outro. Com isso, os cafeicultores estão otimistas e esperam que os preços se mantenham. Minas Gerais é o maior estado produtor e deve colher de 20 a 22 milhões de sacas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. O sul de Minas é responsável por quase metade desta produção nacional. Archimedes Coli Neto, presidente do Centro de Comércio do Café, conta que os estoques nas cooperativas da região estão baixos, o menor dos últimos anos. “O café que começou a ser colhido agora ainda não está sendo vendido, o mercado está lento. A safra começou agora e os primeiros lotes não foram bons, porque os grãos foram colhidos verdes. O produtor tem que tomar cuidado com a qualidade, o mundo demanda excelente qualidade e quem assim fizer vai ser bem remunerado”.

Até o dia 28, os embarques de abril estavam em 1.761.653 sacas de café arábica, 288.250 sacas de café conillon, somando 2.049.903 sacas de café verde, e 192.529 sacas de solúvel, contra 2.165.994 sacas no mesmo dia de março. Até o dia 28, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em abril totalizavam 2.422.968 sacas, contra 3.012.970 sacas no mesmo dia do mês anterior.

Na BM&F Bovespa (Bolsa de São Paulo) os contratos encerraram a semana sendo negociados a US$389,85 para vencimento em maio e US$383,20 para vencimento em junho. As valorizações foram de US$10,85 (+2,86%) para o mês de maio e US$9,20 (+2,46%) para o mês de julho.

O mercado físico brasileiro apresentou-se firme, mostrando interesse comprador por todos os lotes que chegaram ao mercado. Os cafeicultores que ainda dispõem de algum café estão vendendo e limpando os armazéns para a nova safra que começa a ser colhida. Os cafés oferecidos são, em sua maioria, de bebida mediana ou fraca e já desmerecidos em cor. Relatos de armazéns vazios chegam de todas as regiões e o pouco café ainda existente deverá ser usado no consumo interno e exportação dos meses de maio e junho. Lotes de cafés mais fracos, alguns de safras anteriores, com pouco interesse comprador até um mês atrás, estão sendo comercializados por preços que no início deste ano-safra eram pagos apenas para os melhores lotes de cereja descascado.

O saca de 60 kg do café tipo 6, bebida dura para melhor encerrou a semana sendo negociado a R$546,00 na região de Três Pontas, com valorização foi de R$11,00 (+2,05%) durante o período. Na região de Cerrado as cotações permaneceram inalteradas, com a saca sendo negociada a R$550,00.

A safra que começa a ser colhida no país é uma safra de ciclo baixo, como já vem sendo dito há tempos, e dessa forma a atenção passa a se concentrar mais na questão climática de países produtores, principalmente a Colômbia que voltou a sofrer com fortes chuvas. O ministro da agricultura do páis, Juan Camilo Restrepo, informou que as chuvas e inundações que atingem o país devem elevar os preços dos alimentos e dificultar a colheita e o transporte do café. No Brasil, chuvas típicas de verão têm acontecido em pleno outono e podem causar prejuízos para os produtores.

Dessa forma, a tendência em curto prazo continua sendo de alta e o valores da saca de 60 kg podem bater novos recordes positivos de preço nas próximas semanas, já que contratos com vencimentos vêm sendo negociados muito próximos ou acima dos US$3,00/libra-peso em Nova Iorque e acima do US$ 380,00na BM&F Bovespa. Vale ressaltar que outro destaque nos fundamentos vem da Starbucks, maior player do mercado dizendo que está preocupada com a escalada de preços, dizendo que os mesmos são impraticáveis e por isso anda travando suas posições de compra no mercado desesperadamente.

Fontes: Escritório Carvalhaes; Café Point; XP Investimento – XP Agro; Dow Jones; Agência Estado; Valor Econômico;

Analista: Alexandre Arbex de Castro Vilas Boas

CIM – Centro de Inteligência em Mercados

UFLA – Universidade Federal de Lavras

Fonte: http://www.agrocim.com.br/analise/Analise-de-Mercado-?-Cafe-25042011-a-29042011.html