Pecuária

Análise de Mercado – Boi 01/04 a 30/04

Cotações estáveis e fechamento do mês com leve queda

Fonte: AgroCIM

No inicio do mês de abril, as cotações do boi gordo seguiam estáveis no estado de São Paulo, segundo levantamentos do Cepea. De modo geral, os preços no mercado estavam firmes mesmo com a pressão exercida por frigoríficos. Entre 30 de março e 6 de abril, o Indicador do boi gordo ESALQ/BM&FBovespa (à vista – São Paulo, com Funrural) teve ligeira queda de 0,49%, fechando a R$ 104,18 na quarta-feira, 6. Já nas demais regiões acompanhadas pelo Cepea, os preços da arroba caíram em quase todas, com exceção de Cuiabá (MT), Colider (MT) e Campo Grande (MS). Dados divulgados pelo IBGE referentes ao último trimestre de 2010 apontam que os abates de bovinos diminuíram 3% sobre o terceiro trimestre do ano e, no comparativo com o final de 2009, a redução foi de 3,8%. Além do menor número de cabeças, também o peso das carcaças reduziu. No comparativo com o trimestre anterior, a queda foi de 5,2% e, com o último trimestre de 2009, de 6,2%. Esses dados confirmam as freqüentes declarações de pecuaristas e representantes de frigoríficos sobre redução do volume negociado. Posteriormente, os preços da carne no atacado da Grande São Paulo, segundo levantamentos do Cepea. Entre 6 e 13 de abril, a carcaça casada de boi valorizou 0,78%, fechando a R$ 6,48/kg na última quarta-feira, 13. Segundo colaboradores do Cepea, as altas nos preços da carne se devem ao repasse dos elevados patamares da arroba para a carne. Apesar disso, representantes de frigoríficos continuam alegando que as vendas de carne estão lentas no mercado físico. Quanto à arroba, de 6 a 13 de abril, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa teve ligeira baixa de 0,12%, indo para R$ 104,06. Em uma visão geral, desde o início de março, o boi gordo foi negociado em torno dos R$ 105,00 no mercado paulista. Entre 16 e 23 de março, o Indicador do boi gordo ESALQ/BM&FBovespa (estado de SP) ficou praticamente estável, a R$ 105,79 na última quarta-feira, 24 – à vista e para descontar o Funrural. As negociações de animais para abate estiveram em ritmo bastante lento nos dias pós feriado, diferente do que agentes consultados pelo Cepea esperavam. Tanto compradores quanto vendedores mostraram baixo interesse em negociar, segundo informações do Cepea. Representantes de frigoríficos comentam que as vendas de carne no feriado foram baixas e, por isso, continuam recuados para novas compras. No entanto, operadores consultados pelo Cepea têm expectativa de aquecimento nas vendas no início de maio, quando o Dia das Mães pode elevar a demanda. No atacado da Grande São Paulo, o preço da carcaça casada do boi fechou a R$ 6,37/kg nessa quarta, 27, estável entre 20 e 27 de abril. Quanto à arroba, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa caiu apenas 0,25%, entre 20 e 27, fechando em R$ 104,32 (com Funrural) na quarta.

Na semana passada, o mercado futuro projetou a arroba do boi gordo em R$ 101 para maio e em R$ 105 para outubro. “Com base nestas cotações, temos uma diferença entre os meses de 3,8%, indicando que o mercado ainda vê com certo pessimismo o preço para o segundo semestre”. De acordo com o Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (Imea), esta conclusão foi possível devido a “diferença média entre estes dois meses nos últimos dez anos foi de 13,6%, 9,8 pontos percentuais acima do que o mercado estão esperando para este ano”. “Os novos movimentos do governo federal em relação à taxa de juros e a instabilidade internacional devem estar pesando nesta tendência”, ressalta o Imea. Por enquanto, as cotações futuras seguem a trajetória ditada pelo mercado físico e permanece em queda, com todos os vencimentos fechando em baixa. Foram negociado 4.544 lotes no pregão de sexta, com 42,03% de day trade e liquidação de 1.767 posições, devido à liquidação de 2.736 lotes em abril pela média à vista a 104,03. No mercado físico muitos frigoríficos reportavam uma situação de escalas mais confortáveis e ficaram fora das compras. Quem estava nas compras indicava preços bem abaixo dos valores de quinta. As máximas à vista e à prazo recuaram 1 real a R$ 105,29 (R$ 102,87 L) e R$ 106,45 (R$ 104,00 L). A mínima a vista recuou 1 real a R$ 102,04 (R$ 99,70 L) e a mínima à prazo ficou estável em R$ 104,40 (R$ 102,00 L). Os indicadores à vista e à prazo tiveram movimentos fortes em direções opostas, num movimento bastante atípico, com o Indicador à vista recuando R$ 0,73 a R$ 103,22 e o a prazo subindo R$ 0,64 a R$ 106,01, com prazo de pagamento de 36 dias. No atacado o traseiro teve forte queda de 1,74% a R$ 7,54, o dianteiro cedeu 0,83% a R$ 5,38 e a P.A. ficou estável em R$ 5,00.

Analista: André Mesquita Ximenes Reis – Centro de Inteligência em Mercados

Fonte: CEPEA, IMEA, ITRADING, XP AGRO, BEEFPOINT

http://www.agrocim.com.br/analise/Analise-de-Mercado–Boi-0104-a-3004.html