Pecuária

Amonização

Caprinos e ovinos podem consumir mato seco enriquecido .

A nova forma foi desenvolvida pelos pesquisadores da Embrapa Semi-árido e consiste numa solução especial de água e uréia pode ser usada pelos produtores para melhorar a qualidade protéica do capim, restos de culturas, galhos e gravetos ressequidos. Com um pouco de recursos, o criador pode transformar este material endurecido, sem qualquer valor nutricional, em uma boa forragem para bodes e cabras.

Misturados e acondicionados em uma lona plástica, a uréia se transforma em amônia, um gás que tem a capacidade de amolecer o material endurecido pela seca e ainda recuperar parte da sua proteína. O melhor é que nesta alteração não está envolvido qualquer insumo técnico sofisticado ou complexo. A recuperação da qualidade forrageira de mato seco, em especial as palhas de culturas perdidas nas roças, é um processo simples conhecido como amoniação.

Para produzir a nova tecnologia, o agricultor deve seguir as orientações da mistura de água e uréia. É importante o agricultor estar atento às quantidades de cada um dos produtos. Cândido Roberto explica que a solução é feita na proporção de 1 kg de uréia para 5 litros de água, no mínimo. Ela deve ser aplicada à base de 5% do material a ser tratado. Este material deve ser triturado ou quebrado e arrumado sobre uma lona plástica em camadas compactadas de aproximadamente 30 cm. Sobre cada uma delas se derrama a solução. Ao final, é só fechar a lona deixando um pouco folgada e sem nenhum vazamento para que o gás de amônia não escape e atue para amolecer a palhada.

Esta lona só deve ser aberta 21 dias após a data que foi fechada. Daniel Miranda, Supervisor do Campo Experimental da Caatinga, da Embrapa Semi-Árido, destaca que neste momento o agricultor precisa ter cuidado para não respirar o gás que está contido no interior da lona. Da mesma forma, se deve adotar algumas precauções no fornecimento do material amoniado para os animais. Ele orienta que antes de ser oferecida para os animais consumirem, é necessário deixar a forragem em repouso de um dia para o outro. Esta é uma forma de se assegurar a evaporação do excesso de gás do alimento.

Elder Moura explica que ao ser aberta a lona, a palhada estará com uma coloração escurecida e consistência macia, sinal de que o gás não escapou e a amoniação deu certo. As quantidades a serem colocadas para o consumo dos rebanhos é outro aspecto a ser bem observado. Ele orienta que a porção de consumo adequada é de 1,5 a 2% do peso vivo do animal. No caso de caprinos e ovinos, a quantidade oferecida deve ser de 0,5 a 0,7 kg/cabeça/dia.

Fonte: 24/11/2008 – Nordeste Rural

http://www.nogueirafilho.com.br/arquivos_artigos/amonizacao.htm