Pecuária

Alto custo reduz intenção de confinar em Mato Grosso

28/08/13
Levantamento aponta que haverá redução de 12% no volume de animais

Mato Grosso registra queda de no número de animais confinados este ano em comparação com o mesmo período do ano passado. O 2º Levantamento de Confinamento realizado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) a pedido da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) aponta uma redução de 6,4%% na estimativa de confinamento em julho de 2013 ante julho 2012. A previsão é de que 693,1 mil animais sejam terminados no cocho, número 12,5% inferior ao total de 792,8 mil confinados ano passado.

O levantamento traça uma perspectiva do mercado de boi e o resultado revela a precaução dos pecuaristas com relação ao futuro da arroba. O superintendente da Acrimat, Luciano Vacari explica que esta pesquisa mostra que os produtores estão agindo com cautela e gerência, uma vez que a decisão de confinar ou não está relacionada com as tendências mercadológicas.

“Independentemente do resultado positivo ou negativo com relação ao volume de animais confinados, observamos que o pecuarista sabe que existe esta ferramenta, mas que para acessá-la é preciso fazer um diagnóstico sobre os preços. Se a conta não fechar, melhor não confinar”.

O fechamento de contas citado é o resultado do preço da arroba menos o investimento para confinar. Levantamento realizado demonstra que o custo para confinar, descontado o valor da aquisição dos animais e o lucro, está 7% maior este ano comparado com o custo ano passado, variando de R$ 4,39 para R$ 4,69 por cabeça/dia. Esta variação é ainda maior se comparar o custo em 2010, que era 41% menor do que este ano.

Alimentação é o insumo que mais registrou aumento de preço nos últimos anos. Entre 2012 e 2013 o ganho foi de R$ 11%, passando de R$ 2,41 cabeça/dia para R$ 2,68 cabeça/dia. O valor pago pela aquisição de animais também teve incremento no último ano, passando de R$ 9,12 para R$ 9,54 cabeça/dia.

Segundo Luciano Vacari, apesar da redução no valor do milho, que é usado como ração bovina, o custo geral cresceu e a arroba não vem demonstrando mesmo desempenho. “Podemos perceber que milho barato não é a única influencia para o confinamento. Outros pontos são avaliados e pesam na hora da decisão. Sem perspectiva de mercado positivo, não tem como investir em confinamento”.

O período de entrega dos animais confinados este ano também está diferente do cenário apresentado em 2012. Durante o 3º trimestre deste ano a expectativa é entregar 402,1 mil, 24% a mais do que nos mesmos meses do ano passado. Porém, para o 4º trimestre o número de animais entregues deverá cair de 469,1 mil para 291,1 mil, queda de 38%.

Fonte: Agrolink