Trigo

Alto custo dos fertilizantes anula ganhos dos produtores

Entre 2001 e 2008 a produção brasileira de grãos aumentou de 100 milhões de toneladas para 147 milhões de toneladas. Embora aos olhos do cidadão comum isso possa representar um significativo enriquecimento do campo, a realidade é bem diferente. Uma seqüência de quebras nas safras 2003/04, 2004/05 e 2005/06 diminuíram a produção em 31 milhões de toneladas. Teoricamente, os bons preços no mercado mundial compensariam essas perdas se os fertilizantes, principal insumo da produção, não tivessem tido seus preços reajustados bem acima do que se esperava.

Estudo realizado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indica que alguns formulados foram reajustados, na última safra, em mais de 100%, repercutindo no aumento da participação dos fertilizantes no custo de produção. No trigo, a participação do custo dos fertilizantes no custo de produção subiu de 18% na safra 2003/2004 para 26,5% na última safra. Na soja, a alta foi de 17,5% e no milho de 29%. De acordo com o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, essa situação frustra os produtores que plantam com custo alto e não têm certeza se os preços dos cereais serão atraentes na hora da venda da safra.

Diante do significativo reajuste dos preços dos fertilizantes e com o objetivo de estudar seu impacto na agricultura paranaense, a Gerência Técnica e Econômica da Ocepar realizou estudo que aponta as perspectivas de remuneração nas culturas de trigo, soja e milho. Na cultura do trigo os custos de produção aumentaram 27% em maio último em relação ao mesmo período do ano anterior. O produtor de trigo, que enfrentava baixas condições de viabilidade, recuperou parte da sua competitividade, devido ao aumento de preços no mercado interno e internacional. Mesmo assim, preocupam as quedas de preços que ocorrem a partir de agosto, quando se inicia a colheita nacional.

Na soja, dados da Conab mostram que a participação do fertilizante nos custos de produção aumentou de 10% para 15% na região de Londrina e de 13% para 20% na região de Campo Mourão entre as safras 2002/03 a 2008/09. De acordo com o gerente técnico e econômico da Ocepar, Flávio Turra, embora a rentabilidade esperada para a safra 2008/09 seja positiva, espera-se uma redução de 47% na margem dos agricultores. Na cultura da soja os custos de produção aumentaram em 21% em maio de 2008 em relação ao mesmo período do ano anterior.

No milho, o levantamento da Conab mostra que o maior impacto dos fertilizantes nos custos de produção ocorreu em Campo Mourão, onde a sua participação na composição dos custos subiu de 17% para 32%. E na região de Londrina a participação dos fertilizantes na composição do custo de produção subiu de 18% para 26% entre as safras 2002/03 e 2008/09. Segundo Turra, os preços recebidos pelo produtor deverão ficar muito próximos dos custos operacionais, com rentabilidade baixa. Na cultura do milho os custos de produção aumentaram em 25% em maio de 2008 em relação ao mesmo período do ano anterior.

Fonte: http://jornale.com.br/mirian/?p=1752