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ALIMENTADOR DOLITTLE: INOVAÇÃO NA ALIMENTAÇÃO ARTIFICIAL E NO MANEJO DE CAMPO NO BRASIL

As abelhas não morrem de frio, mas de fome, na maioria das regiões apícolas (exceto nas áreas de planalto). As reservas de alimentos existentes nas colmeias determinam o êxito ou o fracasso das ações realizadas para regular a população dos enxames. Condições adversas de clima e flora afetam drasticamente o desenvolvimento e a estabilidade populacional de enxames de abelhas alojados em colmeias racionais com exploração comercial.

 

A alimentação artificial, comum no manejo de campo, principalmente em apicultura de produção convencional, é uma das principais práticas disponíveis para regular a população do enxame. Além disso, permite a substituição total ou parcial das reservas de mel de inverno, de modo a maximizar a colheita. Conhecer o tipo de alimento que aporta durante a época de floração das espécies apícolas de sua região (néctar e pólen), ajuda o apicultor no levantamento dos fatores limitantes para o desenvolvimento das colmeias. Desta forma, o apicultor pode definir um plano de alimentação artificial para seu apiário.

 

Dentro das colmeias, há um balanço natural das reservas alimentares, determinado pela variação populacional das abelhas. Este balanço é negativo quando há mais consumo do que reserva de alimentos, e positivo quando a entrada de alimentos é maior do que o consumo. No segundo caso, as reservas aumentam naturalmente.

 

Nos momentos em que o balanço de reservas for negativo, o apicultor deverá garantir alimento, natural ou artificial, para suas abelhas. Assim, ele evita que ocorra um “stress” alimentício na colmeia, que leva à diminuição de postura da rainha, ao início de canibalismo das larvas e pré-pupas, e à necessidade, por parte do enxame, de recorrer a reservas corporais.

 

Desequilíbrios populacionais antes da floração interferem de forma negativa na colheita do mel. Por isso, é preferível ter alimento de sobra a alimentar tarde demais uma colmeia. Lembre-se: a causa principal de mortalidade no inverno se deve a falta dos apicultores em prover às colmeias reservas suficientes de mel durante a estação de entre safra.

 

A quantidade de mel necessária para uma colmeia normal sobreviver no inverno varia segundo sua população adulta e de cria, a latitude, a altitude e as condições climáticas locais, assim como os manejos relacionados ao posicionamento de instalação dos apiários. Uma colmeia normal é capaz de sobreviver com 10 quilos de mel durante a estação fria. O preço pago pela quantidade extra de mel depositado para as abelhas nas sobre caixas não é alto se comparado à perda de uma família produtiva morta por fome.

 

Além disso, a prática de garantir mel suficiente às abelhas no outono reduz custos referentes à mão-de-obra mais adiante, no inverno, e gastos com açúcar e xarope, muitas vezes relacionados à alimentação de emergência.

 

A quantidade de mel extra que consome uma colmeia forte é compensada pelo trabalho de coleta de grande número de abelhas operárias coletando néctar e / ou pólen nas primeiras flores que aparecem na primavera. O mel que não é consumido influencia naturalmente a quantidade de néctar que as abelhas devem coletar para produzir reservas adequadas para o inverno seguinte. Uma colmeia limitada, com pouca capacidade de coleta e, consequentemente, pouca reserva de mel, muitas vezes coleta somente a quantidade de néctar suficiente para suas necessidades diárias.

 

Uma colmeia consegue se manter viva até depois do inverno, mas começa a perder população no início da primavera ou no final do verão. A perda de população ocorre devido a enfermidades e/ou à quantidade insuficiente de pólen para manter uma cria normal. A falta de alimento nutritivo, especialmente a base de pólen, é a principal causa da perda de população no início da primavera em uma colmeia normal e sã. No início dessa estação, é importante que pelo menos dois quadros estejam cheios de pólen. O pólen, igual ao mel, deve estar disponível dentro do aglomerado de abelhas para ser utilizado durante o inverno.

 

É fundamental que cada apicultor avalie se suas colmeias têm uma quantidade de pólen adequada e esteja preparado para atender qualquer carência, administrando um ou vários substitutos e/ou suplementos recomendados na literatura apícola. É possível obter excelentes resultados quando se colocam tortas de substitutos ou suplemento de pólen diretamente acima dos quadros da câmara de cria, cinco a seis semanas antes de haver pólen natural disponível. É importante que as tortas estejam em contato com as abelhas e sejam repostas à medida que são consumidas pelo enxame, até o aparecimento de pólen natural.

 

Com esse processo de alimentação, as colmeias iniciam a procriação semanas antes da disponibilidade de pólen fresco. Uma alimentação suplementar no final do inverno e início da primavera estimula o crescimento dos enxames e, consequentemente, haverá maior rendimento da produção de mel.

 

ALIMENTOS ARTIFICIAIS

 

Dois alimentos são de fundamental importância para as abelhas melíferas: mel ou néctar, e pólen. Os primeiros representam todas as exigências das necessidades energéticas da colmeia, o segundo, todo o canal de proteínas de uma família de abelhas. As necessidades das colmeias são diárias e contínuas. O mel e o néctar proporcionam o calor necessário para o desenvolvimento da cria, são o combustível necessário ao vôo das abelhas de campo e o alimento de crias e abelhas adultas. Na alimentação artificial, eles são substituídos pela sacarose e pela glicose comerciais, que podem ser encontradas em pó, pasta, em estado sólido ou líquido.

 

Neste último caso, os alimentos artificiais são chamados de xaropes e apresentam maior eficiência de conversão. Os xaropes são produzidos em diferentes concentrações. Concentrações baixas (menores ou iguais a 50%, metade água e metade sacarose, por exemplo) são utilizadas para estimular um aumento de postura de ovos das rainhas, desde que as outras abelhas tenham se encarregado de coletar o pólen, fonte natural de proteínas. Concentrações altas (iguais ou superiores a 50%) são utilizadas para suprir carências energéticas, mas não promovem quaisquer estímulos que aumentem a postura de ovos pelas rainhas.

 

ALIMENTADOR DOLITTLE

 

Os xaropes podem ser administrados sob várias formas e em diferentes tipos de alimentadores, que podem ser externos ou internos, de alvado, de cobertura, etc. Os que apresentam maior eficiência e facilidade de manejo são os alimentadores internos, localizados dentro dos ninhos. O alimentador de cobertura e o alimentador Dolittle em plástico injetado, lançado recentemente no Brasil (figura 1), são os mais conhecidos.

 

No Brasil, antes do lançamento do Dolittle, os alimentadores acessórios para colmeias eram produzidos em madeira. Esses modelos dificultavam o manejo e também a higienização.

 

Iniciativas de instituições parcerias no estado de Santa Catarina, como Sebrae/SC, Colégio Evangélico de Panambi e empresas do pólo metal mecânico de Chapecó, viabilizaram o desenvolvimento de novos equipamentos para processos em pós colheita – dentre eles o alimentador Dolittle em plástico injetado, uma inovação que melhora toda o processo de fornecimento de alimento artificial às colmeias.

 

O Dolittle foi produzido pela empresa Edege, localizada no município de Chapecó/SC. O equipamento foi testado em campo sob protocolos técnicos de viabilidade de utilização, eficiência, higiene e capacidade em proporcionar os volumes corretos de alimento às abelhas. Todos os requerimentos necessários à melhoria do produto e do processo foram atendidos e a empresa conseguiu a aprovação para comercializar o alimentador, que pode ser utilizado por apicultores de todas as regiões do Brasil.

 

O preço do alimentador Dolittle em plástico injetado é de R$ 9,75 (nove reais e setenta e cinco centavos) + 5% de IPI e FOB (frete por conta do cliente). O alimentador pode ser comprado diretamente na Edege Equipamentos Agropecuários Ltda, na Rua Marechal José B. Bormann – E, 843, em Chapecó, Santa Catarina. Telefone (49) 3322-0266. Site: http://edege.com.br/

 

REFERÊNCIAS:

 

SALOMÉ, J. A. et al. 2000. “Alimentação Artificial Energética em Apis: Implicações para a Apicultura Catarinense”. Anais do XIII Congresso Brasileiro de Apicultura. Florianópolis. In CD.

 

SALOMÉ, J. A. 2001. Alimentação Energética na Apicultura Racional. Informativo Zum Zum 301. pg. 10-11.

 

Fonte: http://www.apacame.org.br/mensagemdoce/107/artigo.htm