Alimentação

Os caprinos são animais capazes de sobreviver em condições de alimentação escassa e de baixa qualidade, entretanto, nessas condições, o seu desempenho é pouco satisfatório, ficando comprometido. É necessário, portanto, que os caprinos disponham de alimento de boa qualidade e em quantidades que satisfaçam suas necessidades durante o ano, resultando em aumento da produção e gerando mais lucros à atividade.

Normalmente, a fonte principal de alimentos advém da própria vegetação nativa da região, cujas folhas e ramos são bastante apreciados pelos caprinos. Assim, na escolha de uma propriedade para criação desses animais, deve ser dada preferência àquelas cuja vegetação nativa seja do tipo caatinga, ou matas onde existam Unha-de-Gato, Mororó, Jurema Preta, Camaratuba, Maria Preta, Pau Ferro, etc., que são excelentes fontes de alimento. Já as regiões de chapadas, que possuem capim agreste, não são adequadas para a criação de caprinos.

Dentre as espécies com potencial para alimentação de caprinos, destacam-se as seguintes:

Mororó – Também conhecida como Pata-de-vaca. Os animais ingerem as folhas verdes ou secas.

Jurema – Existem a branca e a preta. Os caprinos dão preferência aos brotos novos e às vagens.

Sabiá – Também é conhecida como Unha-de-Gato. É uma das plantas preferidas pelos caprinos. Na época das chuvas, eles comem as brotações novas e no verão, as folhas secas e vagens caídas.

Camaratuba – Planta nativa que existe, principalmente, na região semi-árida. Apresenta grande valor para a alimentação dos caprinos e permanece verde durante todo o ano.

Calopogônio – Suas ramificações e sementes são peludas. Produz grande quantidade de sementes e ramas, que são apreciadas pelos caprinos na época seca, na forma de feno natural.

Pau-Ferro – Também conhecido como Jucá, fornece folhas e vagens para alimentação dos caprinos.

Jitirana – É um cipó que produz muitas ramas e floresce no final da estação chuvosa. Os animais apreciam suas ramas no período das chuvas e as folhas fenadas naturalmente no período seco.

Feijão bravo do piauí – Os animais comem sua folhagem, tanto no período das chuvas como na seca.

Faveira-de-bolota – Produz vagens com grande valor na alimentação dos rebanhos, no período mais seco do ano. Os animais ingerem as vagens e as flores.

Além das plantas citadas, outras espécies nativas da região podem apresentar potencial para a alimentação de caprinos, como o Mofumbo.

Apesar da disponibilidade de alimentos oriundos da vegetação nativa, é possível realizar o seu melhoramento. As pastagens nativas podem ser melhoradas de várias maneiras, sendo a principal o raleamento, que consiste na eliminação de plantas que não servem como alimento para os caprinos, diminuindo o sombreamento e a competição com as plantas desejáveis. Associada à eliminação das espécies indesejáveis, o criador pode efetuar a semeadura de gramíneas como o capim Andropogon, no local em que se realizou o raleamento.

Entretanto, embora a vegetação nativa represente uma importante fonte de alimentos para os caprinos, esses animais apresentam, sobretudo em algumas fases de criação, exigências diferenciadas necessitando, portanto, de suplementação alimentar. Normalmente, os animais apresentam maior exigência nutricional durante as fases de pré-parto, pós-parto e lactação sendo essas, portanto, as fases recomendadas para se efetuar a suplementação alimentar, além da necessidade de se suplementar também, os reprodutores.

Na fase de pré-parto, a suplementação supre as necessidades da matriz para a formação final do feto. Na fase de pós-parto, a suplementação supre às necessidades para a manutenção e para a produção de leite da matriz, além de prepará-la para o próximo período de gestação. Na fase de lactação, recomenda-se a suplementação alimentar com alimento de boa qualidade para o lactente, a fim de suprir possíveis deficiências maternas, principalmente no caso de partos duplos, e estimular o desmame precoce, disponibilizando a matriz para um novo ciclo reprodutivo.

A suplementação alimentar pode ser obtida a partir de subprodutos ou restos das culturas agrícolas, capineiras previamente instaladas na propriedade ou ainda bancos de proteína. O banco de proteína pode ser implantado com leguminosas como leucena e feijão-guandu, que são ricos em proteína.

Feijão-guandu: Planta que cresce até três metros de altura, produzindo ramos e vagens de grande valor na alimentação animal. A parte aérea do guandu pode ser fornecida aos animais de várias formas: transformada em feno, verde picada em forrageira, e seca, moída, transformada em farelo. O primeiro corte das plantas de guandu pode ser realizado aos 90 dias após o plantio e, daí em diante, a cada oito semanas no período das chuvas ou de seca, no caso de cultura irrigada. O corte deve ser feito a 80 centímetros de altura.

Leucena: Planta perene, rica em proteína, muito apreciada pelos animais. A sua parte aérea pode ser fornecida aos animais na forma de feno, triturada verde para ser consumida no cocho ou para melhorar a qualidade da silagem.

A leucena pode ser usada, também, em pastejo direto. Nesse caso é necessário que o criador tenha muito cuidado com o manejo, pois os caprinos podem ingerir a casca das plantas provocando a sua morte. Deve-se levar em conta o fato de que a leucena possui uma substância venenosa, a mimosina, que pode intoxicar os animais se for consumida em dieta exclusiva. Por isso, não deve ultrapassar a proporção máxima de 20% do volume total de alimentos consumidos diariamente pelos caprinos.

Os restos de culturas agrícolas também podem representar uma importante fonte de alimentos aos caprinos, visto que todo ano, perde-se grande quantidade de palhas, cascas e grãos resultantes da colheita, além de cascas, grãos quebrados, sabugos etc., resultantes do beneficiamento da produção das culturas. Esses restos de cultura podem ser utilizados na alimentação dos caprinos, podendo ser usados em pastejo direto no campo ou armazenados para serem fornecidos aos animais em épocas de escassez de alimentos.

Exemplo de material promissor para alimentação de caprinos, mas que geralmente são perdidos no campo, são os restos da cultura da mandioca, que são compostos pela parte aérea (folhas e ramos) e pelos subprodutos da fabricação de farinha, como as cascas, crueiras e aparas. Esses produtos podem ser secados ao sol e fornecidos, logo em seguida, aos caprinos ou ensacados e armazenados para serem utilizados em época de falta de alimentos. O fornecimento desse material, quando verde, deve ser evitado, já que a mandioca brava apresenta elevadas concentrações de ácido cianídrico, que pode provocar a morte dos animais. É importante ressaltar que o produtor deve oferecer aos animais uma alimentação que apresente um balanço de energia e proteína. As cascas, aparas e crueiras da mandioca são ricas em energia, enquanto que os ramos e as folhas possuem elevados teores de proteína.

Fabricação de feno de feijão-guandu, leucena e rama de mandioca

A fenação é um processo utilizado para conservar a sobra de forragem existente em períodos de fartura, para ser utilizada nos períodos de escassez.

O feno é um alimento que pode ser feito na propriedade, utilizando feijão-guandu, leucena, rama de mandioca, gramíneas ou outras plantas e serve para alimentar os animais, principalmente no período de seca. O processo de fenação é feito seguindo as etapas:

Corte das plantas:
Leucena: 40 cm de altura;
Guandu: 80 cm de altura;
Mandioca: Terço superior da planta (folhagem).

Trituração de ramos e folhas, para reduzir o tempo da secagem. A trituração do material deve ser feita com um triturador de forragem munido de lâminas.

Secagem do material em piso cimentado ou terreiro de chão batido, revirando o material todo, após uma hora de exposição e diariamente, duas vezes pela manhã e duas à tarde.

Ensacar o material seco e guardá-lo em local seco e ventilado.

Mineralização

Consiste no fornecimento de sal mineral de boa qualidade, à vontade, a todos os animais. Tal prática aumenta a saúde do rebanho e o seu desempenho produtivo. Já nos rebanhos em que essa prática não é adotada ou que não é feita de modo adequado, as taxas de natalidade e de crescimento são menores e a incidência de doenças é maior.

O sal mineral é uma mistura composta por sal comum, uma fonte de fósforo e cálcio (farinha de ossos ou fosfato bicálcico) e micronutrientes, nas seguintes proporções:

50% de sal comum.

49% de farinha de ossos calcinada ou fosfato bicálcico.

1% de micronutrientes.


Mistura múltipla

Consiste em uma mistura de alimentos e produtos químicos que serve para suplementar o rebanho, devendo ser fornecida à vontade aos animais. No caso de optar pelo uso da mistura múltipla, o uso de sal mineral pode ser dispensado.

Para a elaboração de 100 kg dessa mistura, são necessários os seguintes componentes:

27 kg de milho triturado.

16 kg de farinha de ossos calcinada ou fosfato bicálcico.

10 kg de uréia pecuária.

15 kg de farelo de algodão ou de soja.

30 kg de sal grosso iodado.

1,3 kg de flor de enxofre.

0,6 kg de sulfato de zinco.

0,08 kg de sulfato de cobre.

0,02 kg de sulfato de cobalto.


Fornecimento de água

Os caprinos precisam constantemente de água limpa e de boa qualidade. Quando a água disponível for de açude, lagoa ou tanque cavado, o criador deverá protegê-la, evitando que os animais entrem para que não haja contaminação. É preferível que os caprinos tenham acesso à água corrente, entretanto, caso isso não seja possível, pode ser utilizado um bebedouro rústico feito de cimento, sendo necessário lavar duas vezes por semana.

Fonte: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/AgriculturaFamiliar/RegiaoMeioNorteBrasil/Caprinos/alimentacao.htm