Alimentação – Potros em Crescimento

 

Apesar das variações em função de raça, indivíduo e sexo, os potros possuem grande capacidade potencial de desenvolvimento.

Esta capacidade de desenvolvimento obriga-nos a um ótimo ajuste na alimentação, iniciando-se desde o período final de gestação da égua, passando pela lactação, e por fim, com o potro, especialmente no período de 06 a 18 meses de idade.

Desta forma, pode se garantir a obtenção de um crescimento e de um desenvolvimento ósseo e muscular ótimos, desde muito cedo, que lhe dará melhor estrutura para as competições ou trabalhos desenvolvidos ao longo da vida.

A alimentação do potro, na realidade, inicia-se já na barriga da mãe, desde o terço final da gestação, continuando através da égua até o desmame.

A partir do desmame devemos ter uma alimentação diferenciada exclusiva para ele, pois a velocidade de crescimento do potro, inicialmente, é muito elevada. Nas raças leves (Mangalarga, Quarto de Milha, Hipismo, PSI, etc.), o peso ao nascimento representa 9 a10% do peso da égua e é dobrado em pouco mais de um mês (mais precisamente em 35 dias).

Durante o primeiro mês, o ganho de peso médio ótimo é ao redor 1500 g/dia, podendo atingir 1800 g/dia nos indivíduos muito grandes. O ganho de peso está entre 1200 e 1300 g/dia no 2o. mês e ao redor de 750 g/dia aos 6 meses (havendo variações conforme a raça).

Ao nascer, o potro já apresenta uma altura considerável, onde o potro possui cerca de 60-70% da altura de cernelha de um animal adulto, alcançando cerca de 95% de sua altura máxima aos 24 meses e crescimento final máximo aos 60 meses, com pequenas diferenças entre os sexos, sendo a fêmea mais tardia (havendo pequenas variações conforme a raça).

A criação de um potro visa produzir um animal muito bem desenvolvido, sobretudo em termos de estrutura óssea e muscular, sem acúmulo de gorduras de reserva. Procuramos um crescimento ótimo e não máximo como em um animal de abate.

SUBALIMENTAÇÃO

Toda carência ou desequilíbrio da dieta acarreta um atraso ou mesmo uma situação irreversível no desenvolvimento do animal.

Para os diferentes tecidos, o desenvolvimento máximo obtido em função da idade é, inicialmente, do sistema nervoso, e após, sucessivamente, do tecido ósseo, muscular e de gorduras de reserva.

Este desenvolvimento está relacionado ao potencial genético máximo (em função de raça, origem, indivíduo e sua idade) e aos limites impostos pela disponibilidade e equilíbrio dos nutrientes indispensáveis.

Assim, potros de éguas em regime hipoprotéico durante a lactação, mostram um menor desenvolvimento cerebral, confirmado por dificuldades de aprendizagem durante o adestramento.

O tecido ósseo é o seguinte a ser afetado, em razão de ser o mais precoce. A incidência de problemas ósseos nos potros e cavalos jovens conseqüente a uma má nutrição, é facilmente perceptível em qualquer criação, mesmo naquelas com linhagens acima da média.

A carência protéica para o potro, diminui o desenvolvimento muscular e mesmo ósseo.

Uma carência energética afeta primeiramente as gorduras de reserva, depois os músculos da paleta e da garupa, ainda que o esqueleto tenha um desenvolvimento normal.

Caso a subalimentação seja pequena e passageira, ela provoca um baixo crescimento, dando lugar, tão logo se normalize a situação, a uma recuperação rápida e um pouco perto do ideal, fenômeno conhecido como “ganho compensatório”. Trata-se de um “retardo do crescimento”. Há a possibilidade de recuperação quase total graças ao “desenvolvimento compensatório”, que ocorre com a correção rápida do regime alimentar.

Se a subalimentação é mais grave, com crescimento fortemente reduzido ou mesmo estagnado, por um período prolongado, a recuperação posterior será incompleta e o tamanho do indivíduo estará diminuído definitivamente, mesmo que se eleve posteriormente o nível de dieta.

Convém então adaptar a alimentação quantitativa e qualitativamente ao potencial genético de crescimento e desenvolvimento de cada indivíduo.

SUPERALIMENTAÇÃO

Os excessos, principalmente energéticos, também podem ser extremamente prejudiciais, pois predispõe o animal a Doenças Ortopédicas Desenvolvimentares (que englobam as epifisites), que podem comprometer a função futura do animal.

O acesso ilimitado do potro a leguminosas de boa qualidade, como por ex. alfafa, e a um consumo excessivo de grãos, elevam consideravelmente a energia nutricional também predispondo a estas Doenças Ortopédicas Desenvolvimentares.

Uma taxa de crescimento rápido não aumenta o tamanho do animal adulto, mas predispõe o animal a problemas ortopédicos.

Nos desequilíbrios minerais causados por superalimentação, o potro corre o risco de alterar definitivamente um esqueleto bem desenvolvido e adequado. Isso é observado em alimentação com aveia (ou outro grão, como milho) em complemento exclusivo com as forragens usuais, onde não deve haver o melhor desenvolvimento atlético do potro, mesmo que ele tenha um excelente crescimento ponderal.

A superalimentação é desaconselhável e perigosa. Ela não pode forçar ao desenvolvimento dos tecidos magros onde ele é limitado: pelos potenciais genéticos do indivíduo, pela idade e, pior ainda, pelos desequilíbrios alimentares que alteram o anabolismo protéico.

Assim, os potros complementados exclusivamente com cereais, são expostos a deficiências em aminoácidos essenciais que restringem o crescimento ósseo e muscular, favorecendo a obesidade.

 

 

Fonte:

http://www.cavaloscrioulos.com.br/materias.php?idm=99