Equídeos

Alimentação

AVALIAÇÃO DO CONSUMO DE ÁGUA E SEUS EFEITOS DIRETOS SOBRE O DESEMPENHO DE CAVALO
 

     Num país como o Brasil, onde a água é um nutriente abundante, muitas vezes não damos à devida importância a este nutriente. A água devida sua características bioquímicas, desenvolve papel importante dentro da nutrição animal, assim como e principalmente no metabolismo animal. Desta forma, uma pequena revisão sobre o consumo de água por eqüinos é apresentada com intuito de despertar para quantidades de água consumida assim como qualidade.

      Apesar de ser um composto bastante simples, formado de duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio (H2O), a água é o mais importante de todos os nutrientes essenciais para a manutenção da vida. Fornece o material estrutural essencial para o protoplasma celular. Atua como solvente e meio onde ocorrem as reações químicas com outras substâncias essenciais. É o maior constituinte do sangue, o principal mecanismo de transporte do organismo. Serve como substrato para várias reações metabólicas. Protege tecidos e órgãos, contra choques e mantém lubrificados vários meios, como as articulações. Mantém o equilíbrio físico e químicos dos fluidos intra e extracelulares, e atua na manutenção da temperatura corporal.

      Além disto, o consumo de alimento e conseqüentemente o fluxo da digesta no trato digestivo dos animais é influenciado por vários fatores, como espécie, idade, estado fisiológico, exercícios, temperatura ambiente, ingredientes da dieta, tamanho da partícula, freqüência de alimentação e teor de fibra da dieta ou ração completa e também devida a qualidade de água fornecida aos cavalos.

      Segundo Martin-Rosset (1990), a quantidade de alimentos que um cavalo pode ingerir varia de acordo com o teor de matéria seca dos alimentos, com o peso vivo do animal, com seu desempenho e com o seu estado fisiológico. A capacidade dos diferentes segmentos do trato gastrintestinal, a taxa de passagem da digesta, a concentração dos nutrientes na digesta e principalmente, as necessidades energéticas são os fatores mais expressivos que explicam a regulação do consumo de matéria seca dos eqüinos (Frape, 1992).

      Os eqüinos necessitam de uma fonte de água de boa qualidade a ser fornecida em quantidades satisfatórias diariamente para suas funções fisiológicas normais. Limpar os bebedouros freqüentemente, removendo algas e outros materiais que possam estar prejudicando aspectos qualitativos da água, como restos de alimentos e insetos, são medidas necessárias para manter um consumo de água adequado pelos animais. Apenas recomenda-se restringir o consumo de água momentos antes e durante a recuperação dos animais após realização de exercícios, quando o batimento cardíaco e os movimentos respiratórios estão elevados (Lewis, 2000). Assegurar um consumo de água adequado é fundamental em eqüinos expostos a exercícios prolongados ou em ambientes quentes.

      O índice de água corporal dos eqüinos é relativamente constante (68 a 72 % do peso total), sendo que a exigência mínima de água pelos eqüinos em mantença está diretamente correlacionada às perdas. As principais formas de perdas de água são as excreções através da urina, das fezes, do suor, da evaporação nos pulmões e pela secreção de leite (Robinson e Mccance, 1952; Mcdonnell et al., 1999).

      A quantidade de água consumida pelos eqüinos está relacionada a diversos fatores, como já destacado anteriormente, a composição química bromatológica dos alimentos associada especialmente ao conteúdo de proteínas, minerais e fibra da dieta, porém, a digestibilidade das dietas, a temperatura e a umidade relativa do ar, a atividade física e o estágio fisiológico em que se encontram os animais são efetores cumulativos sobre as perdas e têm que ser compensadas pela ingestão de água (Kristula e Mcdonnell, 1994; Mcdonnell e Kristula, 1996).

      Neste contexto, o NRC (1989) destaca que um dos fatores mais importantes que influenciam no consumo de água é a ingestão de matéria seca, sendo recomendado que os cavalos bebam 2 a 3 litros de água / kg MS ingerida. A restrição ao consumo de água pode levar a uma depreciação do apetite e redução no consumo voluntário de alimentos.

      Observando o consumo de água a vontade durante ensaios de metabolismo com cavalos em mantença, sugeriu se que a possibilidade de realização de equações de regressão que expliquem o consumo de água em função da matéria seca ingerida, com grau elevado de confiança. No entanto, embora a literatura relate que cavalos à pasto ingiram água somente uma ou duas vezes por dia, é evidente a falta de dados sobre ingestão voluntária de água.

      A avaliação objetiva dos sistemas gerenciais sobre animais e efeitos associados à saúde e o bem-estar animal têm demonstrado ser oportuna e importante tal averiguação, especialmente, a investigação da quantidade de água consumida por cavalos estabulados (Freeman et al., 1999). Desta forma, o consumo de água pelos eqüinos está ligada diretamente a vários fatores que podem prejudicá-lo quando ao desempenho e saúde caso não sejam atendidas as quantidades e qualidades da água ideal.

      Em nutrição animal, sempre recomendasse que a qualidade de água fornecida aos animais, seja tão boa quanto a água destinada ao consumo humano, assim fornecendo água a vontade, estaríamos garantindo que os animais não tenham seus consumo de água restringidos e sim disponibilizados para atender as exigências fisiológicas de cada categoria animal.

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     É autora também deste texto:

     Paula Konieczniak

     Aluna do Curso de Zootecnia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, Campus de Marechal Cândido Rondon – Paraná.

      Leonir Bueno Ribeiro

Fonte: