Pecuária

Alimentos alternativos

UTILIZAÇÃO DE ALIMENTOS ALTERMATIVOS NA ALIMENTAÇÃO DE EQUINOS
 

     Os cavalos são animais que desempenham atividades sócio-econômicas importantes e a nutrição desempenha papel fundamental no sucesso da criação, condicionando programas de alimentação peculiares à sua fisiologia digestiva e objetivo da eqüinocultura.

      A utilização de alimentos concentrados na alimentação de eqüinos é um dos fatores que mais onera custos de criação; desta forma, a busca de alimentos alternativos para compor rações para esta espécie, no sentido de diminuir os custos de alimentação, torna-se, atualmente, fator limitante na criação dependendo do objetivo do criador ou uso do animal. Dessa forma, a constante busca pelos nutricionistas em formular rações mais eficientes e economicamente viáveis aumenta a necessidade de pesquisas concernentes à composição química e valores energéticos dos alimentos, permitindo que os objetivos almejados na formulação de rações possam ser atendidos.

      A energia presente nos alimentos é um produto resultante da transformação dos nutrientes, pelo metabolismo, sendo um dos fatores mais importantes na nutrição animal. É consenso entre os nutricionistas que a energia é um dos fatores limitantes do consumo, sendo utilizada nos mais diferentes processos, que envolvem desde a mantença, reprodução e alta performance, permitindo assim o máximo potencial produtivo.

      Os cavalos são animais herbívoros que tem certa particularidade onde caracteriza a espécie como não-ruminantes de ceco-colon funcional e a criação desta espécie envolvem o conhecimento peculiar de sua estratégia digestiva, capacitada ao aproveitamento de nutrientes de alimentos alternativos.

      Assim, pesquisas de avaliação de alimentos utilizam ensaios metabólicos de consumo voluntário e digestibilidade como ferramenta interpretativa, que respaldam a elaboração de estratégias nutricionais para eqüinos. Nesse sentido, os subprodutos agroindustriais como casca, resíduo de soja, casca de trigo e casca de milho, resíduos da produção agrícola e da agroindústria necessitam de estudos para serem mais bem aproveitados na alimentação dos animais domésticos, possibilitando a utilização de alimentos alternativos viáveis nutricionalmente e economicamente.

      O conhecimento da fisiologia da digestão dos eqüinos é essencial para práticas nutricionais eficazes e faz – se necessário conhecer não somente como o trato digestivo funciona, mas o quão eficiente o seu funcionamento pode vir a ser, para que tenhamos êxito nas diversas atividades eqüestres, relacionadas com cada estágio fisiológico do animal ou com os objetivos do criador. Um ponto muito importante refere-se à avaliação da ingestão dos diferentes alimentos pelos animais, devido aos aspectos morfofisiológicos do trato gastrintestinal de cada espécie. Assim a caracterização dos alimentos também é fundamental para que se tenha êxito na utilização adequada dos mesmos na alimentação dos animais. No processo de caracterização dos alimentos é importante conhecê-los quanto à composição químico – bromatológica, presença de fatores anti – nutricionais ou outras características que possam limitar o uso na alimentação animal.

      Neste processo de caracterização avalia-se também a capacidade que os alimentos têm em disponibilizar seus nutrientes para os processos metabólicos do organismo animal. Isto é feito, através da determinação da digestibilidade dos componentes nutricionais do alimento, ou seja, proteínas, carboidratos e lipídeos, além de vitaminas e minerais. A digestibilidade dos nutrientes nos alimentos, teoricamente, se expressa como porcentagem do nutriente que desaparece no balanço entre a ingestão e a excreção por uma determinada espécie animal. Existe uma série de fatores que podem influenciar a digestibilidade dos alimentos para eqüinos, tanto devido ao animal em função das características genéticas ou individualidade, quanto em função das características intrínsecas dos alimentos, especialmente como composição química – bromatológicas, quantidade consumida, tamanho de partícula, teor em água, quantidade de fibra e procedimentos analíticos laboratoriais, entre outros.

      Atualmente, os subprodutos da agroindústria são grande fonte de interesse para pesquisadores e produtores que buscam a cada dia a maximização do desempenho animal associado a baixo custo.

      Desta forma, a casca de soja possui um alto teor de fibra, sendo este altamente digestível por possuir baixo teor de amido, proporciona uma baixa taxa de fermentação e reduz os problemas de acidose nos animais, doença que pode levar ao aparecimento de outra doença a laminite. Apresenta, em sua composição, teor de PB ao redor de 11%, comparável aos fenos de gramíneas de elevada qualidade e ainda apresenta alta disponibilidade energética. Assim, a casca de soja surge como promissor alimento a ser utilizado na alimentação dos eqüinos, sendo utilizada na substituição total e parcial do milho e de fontes protéicas, assim como na subtituição de fontes de volumosos como fenos de alfafa e gramíneas devido sua característica bromatológica peculiar.

      A inclusão da casca de soja em substituição ao feno de Tifton 85 aprenta valores de coeficientes de digestibilidade bons e podem ser explicados pelo alto teor de pectina contido neste alimento, constituindo a pectina um carboidrato de parede celular de alta digestibilidade quando comparado a parede celular de fenos de gramíneas.

      Apesar de rico em parede celular a casca de soja, apresenta pouca lignina, teor considerável de pectina e proteína ligada à mesma, indicando que o enriquecimento em nutrientes da digesta que alcança o intestino grosso poderá melhorar o aproveitamento dos carboidratos estruturais. Os coeficientes de digestibilidade apresentaram valores que variaram de 62,48 a 82,77% para os níveis crescentes de inclusão de casca de soja. Estes valores podem ser considerados satisfatórios para estudos de digestibilidade em dietas para eqüinos. Além de não se verificaram efeitos negativos de ingestão e/ou palatabilidade no uso das rações com casca de soja, como também, não foram observados distúrbios gastrointestinais e que as dietas para eqüinos podem ser formuladas com substituição parcial e total do feno pela casca de soja sem afetar adversamente a digestibilidade da proteína bruta e alterando positivamente a digestibilidade da matéria seca, fibra bruta, fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido.

      Outro subproduto utilizado é o resíduo de soja, apresenta em sua constituição, fragmentos de plantas, grãos quebrados, imaturos, atacados por insetos e/ou doenças, “ardidos”, danificados por intempéries, sementes de plantas invasoras e torrões e parte da casca dos grãos de soja que se solta após a secagem dos grãos. Este resíduo vem sendo intensamente utilizado na alimentação de ruminantes, principalmente em rações para confinamento, pelos produtores ou pecuaristas das regiões produtoras de soja.

      O resíduo de pré-limpeza da soja como também é conhecido apresenta: matéria seca 87%, nutrientes digestíveis totais 76%, proteína bruta 30%, fibra bruta 17,5% e extrato etéreo 10%. Observa-se que a presença de grãos de soja é de 42,20%, mostrando que se trata de um subproduto com elevado valor nutritivo. Menor umidade no momento da colheita da soja pode ocasionar maior quebra de grãos, aumentando sua porcentagem no resíduo. Alta infestação por plantas invasoras deverá produzir um resíduo com maiores porcentagens de sementes e outras partes dessas plantas.

      De acordo com seus teores de proteína bruta e fibra bruta o Resíduo de Soja pode ser classificado como concentrado protéico. O teor de extrato etéreo é relativamente alto e reflete a alta porcentagem de fragmentos de grãos. O teor de cinza também é alto e provavelmente seja devido à contaminação com terra. Quanto à proteína bruta, observa-se que o resíduo de soja tem proteína de alta degradabilidade.

      Dentre os ingredientes não convencionais, pode se destacar o farelo de germe de milho desengordurado como uma opção para substituir o milho. Este alimento é um subproduto da industrialização do milho para retirada do amido por via úmida. Durante o processo, o milho é umedecido para amaciar a semente e facilitar a separação do glúten, proteína e germe. Após a remoção do germe de milho, restam apenas o glúten, o amido e a casca do milho. Porem não foram encontrados estudos referente a espécie eqüina, principalmente com casca de milho este subproduto oriundo de do beneficiamento dos grãos de milho, no caso mais especifico a produção de farinha de “biju”, denominação regional para alimento de consumo humano, a retirada da película que envolve o grão também é necessária para não fazer parte constituinte do produto final. Da mesma forma como os outros subprodutos, geralmente é utilizado de forma empírica na alimentação de ruminantes na forma de resíduo de milho ou incorporado ao “misturão”, o qual trata-se de um “pool” de subprodutos e alimentos que o compõem.

      A casca de trigo é um subproduto originário do beneficiamento do grão de trigo, geralmente, incluído no farelo de trigo, e este nível de inclusão determina a qualidade do farelo, pois se trata da película que envolve o grão. Sua retirada é necessária para produção de farinha de trigo convencional, de uso na alimentação humana. Desta forma, assim como o farelo de trigo, a casca de trigo, também vem se destacando como possível substituto a alimentos convencionais. Na prática de criação de eqüídeos, a alimentação tem sido responsável pela maior parte dos custos, sejam esses animais criados confinados ou extensivamente. É, pois, de fundamental importância conhecer os princípios básicos sobre os alimentos em si e seu balanceamento ao formular rações, buscando novos alimentos que tenham potencial de uso correlacionado com a espécie.

      O trigo é o principal cereal produzido no mundo e, diferentemente do milho, é usado prioritariamente na alimentação humana, sendo que o seu beneficiamento gera valiosos subprodutos para os animais domésticos. Na obtenção da farinha de trigo, 28% do grão não é aproveitado, originando o farelo de trigo, um dos mais populares alimentos para o gado leiteiro, e com potencial de uso na alimentação de eqüinos fornecido, geralmente, em alimentos mais ricos em proteína. Nos moinhos o farelo e o farelinho de trigo (casca de trigo) correm em bicas separadas; entretanto, no mercado brasileiro, a rotina é o emprego dos dois, formando um produto único com o nome de farelo de trigo comercial. De modo geral, contém cerca de 16,79% de proteína bruta e 72,74% de Nutrientes digestíveis totais (NDT), constituindo boa fonte de energia para herbívoros como os ruminantes e os que apresentam ceco-cólon funcional.

      O farelo de trigo é rico em fibras e seu consumo melhora a fisiologia intestinal do animal. Entretanto, seu consumo demasiado pode provocar um efeito laxante indesejável para o animal, sendo necessário conhecer bem a interação desse subproduto com os demais ingredientes da ração animal, para balanceá-la adequadamente em função do peso e da espécie consumidora.

     Realizando uma avaliação dos alimentos alternativos em ensaios de metabolismo com eqüinos, encontramos valores médios dos coeficientes de digestibilidade aparente dos nutrientes de 65,87% sendo o maior coeficiente de digestibilidade obtido com a dieta contendo casca de milho com valor de 68,05%. Estes valores encontram em uma faixa aceitável, mostrando se bons valores. Para a digestibilidade da proteína bruta, o melhor valor foi observado com a dieta contendo casca de trigo cujo valor médio situou-se em 56,56%. Para a digestibilidade do extrato etéreo (gordura), o melhor valor foi observado com a dieta contendo Resíduo de soja, cujo coeficiente médio situou-se em 64,50%.

     Para a digestibilidade da fibra em detergente neutro, o melhor valor foi observado com a dieta contendo casca de milho, cujo coeficiente para fração fibrosa situou-se em 84,32% e o para a dieta contendo casca de soja com valor médio de 60,62%.

      Assim, estudos com subprodutos agroindústrias tem ainda mostrado se relativamente uma área pouco explorada, principalmente com a espécies eqüídeas, devido a dificuldade de encontrar materiais sobre o assunto. Existe certo receio quanto ao uso de subprodutos na alimentação de eqüinos, principalmente devido a uma “elitização” da espécie e uma idéia erronia de causarem distúrbios alimentares com cólica. Desta forma existe uma relutância quanto ao uso e uma dificuldade em utilizar. Porém, a utilização de alimentos alternativos na alimentação de animais que constituem a tropa de trabalho em fazendas de criação de gado, animais de passeio que não requerem uma alimentação não muito energética, podem ser uma alternativa de suplementação alimentar a um baixo custo.

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     É autora também deste texto:

     Paula Konieczniak

     Aluna do Curso de Zootecnia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, Campus de Marechal Cândido Rondon – Paraná.

      Leonir Bueno Ribeiro

Fonte:

http://www.cavaloscrioulos.com.br/materias.php?idm=113

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