Ainda é preciso conter os desperdícios

Evitar os desperdícios, sobretudo em momentos de crise, e na produção de leite, uma das atividades agrárias mais complexas, por demandar conhecimentos técnicos em diferentes áreas, como zootecnia, agronomia, veterinária, administração, economia e empreendedorismo.

Em momentos de crise econômica, que para o empresário de leite significa altos preços de insumos e preço de venda baixo, a sobrevivência ou sucesso na atividade está nos detalhes. Muito se perde com os pequenos desperdícios, defende a pesquisadora Roberta Carnevalli, da Embrapa Gado de Leite. Exemplos desses desperdícios são observados em todo o processo produtivo.

Uma adubação no momento climático inadequado ou mesmo desnecessária, proporcionando excedente de forragem, promove perdas substanciais de fertilizantes. No primeiro caso, além de agredir o bolso do produtor, a perda também agride a natureza, diz a pesquisadora. Na segunda hipótese, a situação não é mais confortável. O excedente de forragem em pastagem mal conduzida leva, inevitavelmente, a uma desestruturação das pastagens, conduzindo a roçadas, na tentativa de corrigir o erro. Resultado: mais gastos e mais perdas.

Roberta Carnevalli, tem outros exemplos. Um deles é muito marcante: o barro na propriedade, responsável por sérios problemas de mastites clinicas e sub-clínicas e de casco. “A simples presença de mastite sub-clínica na fazenda leva a uma redução de até 25% na produção de leite, sem contar o desconto direto da indústria pela alta contagem de células somáticas (CCS).

São inúmeros os exemplos de perdas na fazenda de leite, diz a pesquisadora, relacionando entre elas a baixa taxa de concepção, responsável pela perda de sêmen; perdas de concentrado devido a instalações inadequadas, e o atraso no crescimento dos bezerros, em função da alimentação incorreta. Também contra esse mal, o mal do desperdício, só a um remédio: o acompanhamento de todo o processo produtivo. Do contrário, ressalta Roberta Carnevalli dificilmente pode-se ter alta eficiência na produção de leite, obtida pela redução dos custos de produção, mecanismo capaz de tornar a atividade mais rentável.

Como outros especialistas, ela ressalta que nem sempre a maior receita significa o maior lucro. E o que o mais importante, a rentabilidade, razão pela qual, em momentos de preços elevados dos insumos, a primeira atitude deve ser a busca de alternativas mais baratas de substituição dos itens desejados. Outra ação, que depende de muito critério, é a redução cautelosa e consciente da quantidade de insumos utilizados. “Essa redução leva à redução dos gastos, mas, inevitavelmente, também gera a redução da produção, razão pela qual precisa ser cuidadosamente estudada.

Qualquer decisão a ser tomada precisa ter suas conseqüências avaliadas, antecipadamente”, ressalta a pesquisadora. No caso da redução na quantidade de concentrado, por exemplo, é preciso preservar os animais em fase muito sensível, como as vacas recém-paridas, que ainda não atingiram o pico de produção. Uma redução drástica de concentrado nessa fase afeta toda a lactação, a condição corporal e reprodutiva do animal e causa atrasos na próxima gestação. No médio e longo prazos, diz ela, empresário deve atentar para a importância de um bom planejamento da fazenda.

Fonte: Itambe

http://www.itambe.com.br/Cmi/Pagina.aspx?2309