Soja

AgRural aponta plantio de soja perto do fim e problemas pontuais

O plantio de soja da safra 2011/12 no Brasil avançou para 93 por cento da área projetada de 25 milhões de hectares, um índice à frente da média histórica para a época (89 por cento), apesar de a semana passada ter sido marcada por chuvas mal distribuídas em boa parte das regiões produtoras, informou nesta segunda-feira a Agência Rural.

O plantio avançou sete pontos percentuais até a última sexta-feira, na comparação com a semana anterior, e a irregularidade nas precipitações chega a preocupar produtores de algumas áreas isoladas, embora a consultoria não veja problemas significativos por enquanto.

“Em Goiás (quarto Estado produtor de soja do Brasil), o plantio atingiu 99 por cento da área. Em Rio Verde, alguns produtores relatam plantas com menor porte por causa do tempo seco. Embora o problema não seja generalizado, o sudoeste de Goiás é uma área que merece atenção devido à falta de umidade em alguns pontos”, afirmou a AgRural.

Em Mato Grosso, o maior produtor brasileiro, “a irregularidade das chuvas também interfere no desenvolvimento de algumas lavouras”.

“Na divisa com o sudoeste goiano, onde tem faltado chuva e feito mais calor que o normal, há relatos de adiantamento de ciclo. No geral, porém, as plantas estão em boas condições, e o Estado (Mato Grosso) mantém a expectativa de grande safra, com 99 por cento da área plantada.”

A preocupação com o clima se torna cada vez maior de agora em diante, segundo a consultoria, porque nos próximos 45 a 60 dias ele definirá a produtividade da safra.

Segundo a consultoria, embora não se possa afirmar que haverá estiagem, a atuação do fenômeno La Niña “reforça o temor de que falte chuva no Sul em dezembro e janeiro, durante a floração e o enchimento de grãos”.

A AgRural é uma das consultorias que está mais pessimistas em relação à previsão de safra, estimando uma produção de 73,6 milhões de toneladas, contra uma produção em 10/11 superior a 75 milhões de toneladas. A expectativa de produção menor, por conta do clima, ocorre apesar de um aumento na área plantada de quase 1 milhão de hectares.

“As chuvas irregulares que vêm ocorrendo em quase todas as regiões produtoras de soja do Brasil, ainda não conferiram condições plenas ao desenvolvimento da cultura… Além disso, muitas lavouras apresentam tamanho inferior ao normal para o período, o que poderá no final prejudicar as taxas de produtividade”, concordou a Somar Meteorologia em relatório nesta segunda-feira.

RIO GRANDE DO SUL, PARANÁ

No Rio Grande do Sul, terceiro produtor brasileiro, o plantio foi mais lento na semana passada por causa do tempo seco, acrescentou a consultoria. “A falta de chuva nas previsões para os próximos dias também segurou a semeadura, que chegou a 82 por cento. Em Santa Catarina, que tem plantio de 93 por cento, as chuvas também foram irregulares”, disse a AgRural.

O Paraná (segundo produtor nacional), por sua vez, teve uma semana mais seca e de temperaturas mais elevadas, após enfrentar termômetros abaixo da média em novembro.

“Mas como a umidade do solo ainda é alta, as lavouras se desenvolvem bem. O plantio chegou a 99 por cento (no Paraná).”

O Mato Grosso do Sul, primeiro Estado a encerrar o plantio, ainda tem boas reservas hídricas no solo, mas as temperaturas subiram e há municípios, como Maracaju, no sul, que não recebem chuva há cerca de dez dias, segundo a AgRural.

Em algumas áreas da Bahia e do Maranhão, em contrapartida, foi o excesso de umidade que segurou as máquinas nos trabalhos de semeadura.

Autor: Roberto Samora

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