Milho

Agronegócios : Produtores de milho interessados em negociar, diz Cepea

O movimento de alta dos preços do milho no início de março não se sustentou, com as cotações recuando a partir da segunda quinzena do mês. O clima mais seco na maioria das regiões produtoras contribuiu para o avanço da colheita. A demanda não mostrou reação, e produtores começam a sinalizar maior interesse em negociar, divulgou o Cepea/Esalq.

No início do mês, as altas refletiam o plantio tardio em 2007 e, consequentemente, o atraso da colheita em 2008. As chuvas em fevereiro reforçaram o retardamento da colheita de milho. Os baixos estoques também sustentavam os preços internos. Além disso, as elevadas cotações da soja e do trigo contribuíam para não dar espaço para quedas nas cotações do milho, que conduziriam ao menor interesse em expandir as áreas com este grão.
De modo geral, o mercado seguiu lento. Do lado comprador, grandes indústrias seguiram recebendo contratos antecipados, efetivados ainda em 2007. Depois da forte reação dos preços no último trimestre de 2007, indústrias que consomem grandes quantidades de milho optaram garantir o fornecimento do produto neste período do ano via contratos. Isso deixou o mercado mais calmo, comportamento atípico se comparado aos anos anteriores.
No acumulado do mês, o Indicador ESALQ/BM&F do milho (região de Campinas – SP) recuou 8,3%. A média mensal foi de R$ 27,19/sc de 60 kg, 2,2% inferior à do mês anterior, mas 34,6% maior que a de março de 2007.
Entre as regiões pesquisadas pelo Cepea, houve queda acumulada de 4% nos mercados de balcão (ao produtor) e de lotes (negociação entre empresas). A média mensal teve queda de 0,8% no valor pago ao produtor e de 1,2% no mercado disponível, comparativamente a fevereiro. Em relação a março de 2007, houve aumentos de 31,8% e 32,7%, respectivamente.
Na BM&F, o contrato Maio/08 de milho subiu 1,6% em março, com média mensal de R$ 23,26/sc. Para os vencimentos posteriores, a média mensal do contrato Jul/08 foi de R$ 24,38/sc, Set/08, de R$ 24,97, Nov/08, de R$ 26,11/sc e Jan/09, de R$ 27,19/sc. Observa-se, então, que a média mensal do físico (R$ 27,19/sc) superou os vencimentos na BM&F. Isso mostra que agentes têm a expectativa de queda nos preços até maio, se aproximando dos R$ 23,00/sc. Tal movimento baixista, contudo, dependerá do desenvolvimento vegetativo das lavouras de milho safrinha e da produtividade agrícola. Se este for prejudicado, ao invés de os preços no físico caírem, as cotações do futuro é que têm a possibilidade de subirem.
Já as cotações internacionais subiram em março, com a volta de fundos e grupos de investimentos ao mercado de commodities agrícolas. Altas das cotações de soja e de trigo, com a qual o milho disputa área, também deram sustentação aos valores do grão. Na Bolsa de Chicago (CBOT), a alta foi de 3,9% no acumulado de março, com média mensal de US$ 233,55/t, 8,32% superior à de fevereiro.
Dados divulgados pela Conab no dia 6 de março apontaram recordes de produção de milho nas safras de verão e de inverno 2007/08. Além do aumento de área, os ganhos de produtividade devem sustentar o maior volume produzido.
Para a safra de verão, a Conab estimou uma produção nacional de 38,02 milhões de toneladas, aumento de 3,9% em relação à safra anterior – a área deve ser 1,5% maior e a produtividade, 2,4%. Mesmo assim, vale destacar que as produtividades no Paraná e no Rio Grande do Sul devem ser menores que as da safra anterior. No Rio Grande do Sul, a queda deve ser de 7,4%, resultando numa produção 5,8% inferior, devido a problemas climáticos.
As estimativas de área plantada, produtividade e produção do milho safrinha chamaram atenção. Segundo a Conab, a área plantada no Brasil deverá crescer 7,3%, para 4,9 milhões de hectares, incentivada pelos elevados patamares de preços. Quanto à produtividade, estima-se aumento de 8,8%, para 3.524 kg/ha, e a produção, para 17,3 milhões de hectares.
Os dois principais estados produtores de milho safrinha, Mato Grosso e Paraná, devem ser os maiores responsáveis pelo acréscimo de produção. A área plantada nesses dois estados deve aumentar 11,2% e 10,2%, respectivamente. A produtividade deverá ser recorde para o período (3,9 toneladas), contribuindo para aumentos de produção de 22,4% em Mato Grosso e de 25,5% no Paraná.
Somando a produção de verão e de safrinha, a oferta total de milho no País deverá ser recorde, alcançando 55,3 milhões de toneladas, com acréscimo de 7,6% sobre o período anterior. A área plantada deverá ser em torno de 14,5 milhões de hectares e a produtividade média, de 3.804 kg/ha.
Em relação às exportações para 2008, a Conab aumentou a estimativa de embarques de milho para 10,4 milhões de toneladas, próxima das 10,9 milhões registradas em 2007. Nos dois primeiros meses de 2008, as vendas externas somaram 710,5 mil toneladas, 12,7% inferior ao volume embarcado no mesmo período de 2007 (814,1 mil toneladas). Em fevereiro, os principais compradores de milho do Brasil foram Países Baixos, Portugal e Alemanha.
Para os Estados Unidos, dados da Fapri (Food and Agricultural Policy Research Institute – sigla em inglês), divulgados no início de março sobre oferta e demanda mundial e evolução até a safra 2017/18, apontaram ligeiros decréscimos de área e produção do milho naquele país na safra 2008/09. A área deverá reduzir 2,8%, para 34 milhões de hectares, e a produção, 1,3%, para 328 milhões de toneladas. Já a produtividade deverá continuar em elevação.
Em termos mundiais, área e produção deverão continuar em crescimento, favorecendo, inclusive, aumentos dos estoques de passagem, mesmo com a elevação do consumo, que deverá passar de 895,6 milhões de toneladas na safra 2017/18, segundo a Fapri.
Análise sobre o mercado de milho elaborada pelo Cepea.
Equipe: Prof. Lucilio R. Alves, Ana Amélia Zinsly, Flávia E. Gutierrez, Renata Maggian, Matheus Rizato e Tamires Vitio. Contatos: cepea@esalq.usp.br
Análise completa, gráficos e outras informações estão disponíveis em http://www.cepea.esalq.usp.br/agromensal/2008/03_marco/Milho.htm#_I_-_An%C3%A1lise_1

Fonte: CEPEA

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