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Agronegócio consegue crescer mesmo em condições adversas

25/03/2014

Há cerca de 10 anos o Brasil era considerado um País de terra e comida baratas. Porém, com o aumento dos custos de frete, mão de obra e energia elétrica, além de um defasado sistema de logística e infraestrutura de transporte, a margem de lucro do agronegócio tornou-se menor nos últimos anos se comparado ao seu potencial de crescimento. “Se não fossem esses gargalos que sofremos hoje, o País estaria em uma posição muito mais privilegiada no cenário mundial”, avalia Alexandre Mendonça de Barros, economista e sócio consultor da MB Agro.

Barros esteve ontem em Londrina para ministrar palestra a convite da Seara para cerca de 80 produtores da região. Em entrevista à FOLHA, o economista explica que mesmo com as adversidades proporcionadas pelo Custo Brasil (somatória de dificuldades estruturais e econômicas de um país), o agronegócio segue em um bom ritmo de crescimento. O “milagre” dessa conta só é possível porque o Brasil possui uma alta capacidade de oferta de produtos do setor. Além disso, ele frisa que alguns polos de produção se localizam nos próprios corredores de exportação, o que facilita o escoamento, a exemplo do Paraná.

Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas referente ao escoamento da produção, o economista se diz satisfeito porque os brasileiros, tanto aqueles que vivem na zona rural quanto os das áreas urbanas, perceberam a importância de se ter um bom sistema de logística e infraestrutura. Barros comenta que as safras estão cada vez mais concentradas, ou seja, planta-se muito cedo e se colhe muito rápido, fator motivado principalmente pelo uso de novas tecnologias, o que exige um mecanismo de escoamento ainda mais otimizado.

Para trazer tranquilidade ao transporte de commodities, o especialista aponta a necessidade de sistemas de armazenagem mais eficientes para escoar a produção aos poucos, além de melhorias em transporte rodoviário e ferroviário. Outra solução apontada pelo especialista seria a ampliação dos terminais cobertos nos portos para possibilitar o embarque mesmo em dias chuvosos. “Temos que ser ecléticos no transporte”, destaca.

Antenados

Diferente dos antigos agricultores que focavam a comercialização de sua produção na própria região, o homem do campo moderno está “antenado” ao mercado mundial. Barros comenta que muitos produtores já estão trabalhando com sistemas de gestão de riscos e se profissionalizando para atender a todos os requisitos exigidos pelo mercado internacional. Barros critica que o Brasil não possui uma política permanente de abertura de novos mercados nem realiza ofensivas quando ocorre qualquer tipo de embargo.

Exportações

Entre março de 2013 e fevereiro de 2014 o agronegócio brasileiro exportou US$ 99,34 bilhões, segundo dados do Ministério da Agricultura. Só as vendas do complexo soja atingiram 59,52 milhões de toneladas embarcadas, o que equivale a US$ 31,95 bilhões. A soja em grãos foi o principal item negociado, com vendas externas de US$ 23,70 bilhões e 41,2% de incremento sobre os valores do período anterior. Já em quantidade, as vendas aumentaram 42,7%, atingindo 44,65 milhões de toneladas.

Fonte: Folha Web
Autor: Ricardo Maia