Pecuária

Agroleite abre debate sobre investimentos

14/08/13
Produtores dos Campos Gerais avaliam ponto de equilíbrio dos gastos com equipamentos e tecnologias

O bom momento do setor leiteiro, atribuído principalmente à cotação de R$ 1 por litro ao produtor, anuncia uma nova onda de investimentos na atividade. Nem por isso, a pecuária leiteira especializada perde o controle das contas. Pelo contrário, faz questão de impor limite aos gastos. A estratégia tenta evitar aumento dos custos de produção para além de R$ 0,90 por litro, relatam os participantes da Agroleite, que começou segunda e segue até sexta-feira em Castro, a 150 quilômetros de Curitiba.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o preço médio do leite passou de R$ 1 por litro em junho, fato que não ocorria desde setembro de 2007 no Paraná. Na região dos Campos Gerais, os produtores alcançam até R$ 1,20, com investimento contínuo em qualidade (nutrição, genética, sanidade, concentração de sólidos). Na Agroleite, a cooperativa Castrolanda aponta alternativas para ganho de rentabilidade.

Numa região alto investimento, os pecuaristas assumem custo elevado. Os R$ 0,90 por litro seriam sinônimo de prejuízo em regiões que recebem somente essa cotação das indústrias. Os Campos Gerais só devem ter custo reduzido se as cotações dos grãos baixarem. A expectativa de quem produz leite com ração é que a próxima safra norte-americana, que está se desenhando cheia, contribua para isso.

“O momento é bom para investir na mecanização, genética e alimentação. O mercado é exigente. É preciso aumentar o volume [da produção]”, afirma Lucas Rabbers, que detém 1 mil cabeças de gado em Castro, 450 em lactação.

Além de participar do Torneiro Leiteiro na Agroleite, Rabbers avalia em quais tecnologias deverá apostar. “Assim como as mulheres vão aos shoppings, nós [produtores] viemos à feira para comprar também. Com certeza, eu não vou sair de mãos abanando.”

“A missão da feira é trazer conhecimento para todos os elos da cadeia e atualizar o produtor sobre as tecnologias para buscar eficiência. Quem não se modernizar vai ficar para trás e, lá na frente, será engolido pelo mercado”, avalia Frans Borg, presidente da cooperativa Castrolanda, organizadora do evento.