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Agreste sergipano é propício para produção de biocombustível

Cerca de 20 técnicos contratados pela Petrobras Biocombustível visitaram, nesta quarta-feira (6 de julho de 2011), os trabalhos desenvolvidos pela Embrapa Tabuleiros Costeiros no assentamento Edmilson Oliveira, em Carira (SE), com o objetivo de coletar informações sobre girassol e mamona visando a produção de biodiesel

Embrapa Tabuleiros Costeiros

Os pesquisadores da Embrapa Tabuleiros Costeiros Ivênio Rubens de Oliveira e Hélio Wilson  apresentaram as 47 cultivares de girassol, distribuídas em três experimentos, além de experimentos de mamona em plantio consorciado com feijão. O objetivo dessas pesquisas é selecionar as variedades de girassol de maior potencial produtivo associado à altos índices de óleo, para posterior distribuição na região.

Os pesquisadores ressaltaram que diversas cultivares de girassol tais como M 734, Helio 358,  Embrapa 122, BRS 321,  BRS 322, BRS 323,  MG 2, MG 52, entre outras, vêm demonstrando excelentes resultados, em termo de produtividade, em trabalhos anteriores, justificando suas recomendações para a exploração na região.

Segundo o pesquisador Ivênio Rubens “esses materiais vêm produzindo cerca de dois mil quilos de grãos de girassol por hectare, em média, superando a média nacional que está em torno de 1500 quilos. Na região do agreste sergipano, essas cultivares podem chegar a produzir três mil quilos por hectare se cultivadas em sistema de produção apropriado.

Segundo o pesquisador Hélio Wilson, essa região apresenta condições de clima e solo altamente favoráveis ao cultivo do girassol. “Nesse ano, por exemplo, enquanto estamos preocupados com os experimentos de feijão e milho que correm o risco de serem prejudicados por causa da estiagem que já dura algum tempo, com o girassol, não nos preocupamos”. Hélio Wilson explica que o girassol tem um sistema de raízes profundo e, por isso, é mais tolerante à seca sendo indicado para a região do agreste.

Os técnicos da Petrobrás tomaram conhecimento também sobre a viabilidade de consórcio do girassol com cultivares de milho e de feijão e, principalmente, com a mandioca.

“Resultados parciais do consórcio mandioca versus girassol têm mostrado que a produtividade da mandioca tem sido maior”, disse ele. “Já colhemos em torno de 40 mil quilos de mandioca por hectare em colheita realizada em sistema consorciado com girassol, em onze meses após o plantio. A média de produtividade de mandioca no estado de Sergipe está em torno de 12 a 15 toneladas”, complementa Hélio.

Nesse consórcio, o produtor ainda pode colher 1500 quilos de grãos de girassol que são vendidos para a Petrobras através de contrato com cooperativas. Caso plante apenas girassol, a produção pode chegar entre 2.500 a 3500 quilos por hectare.

Observando esses dados, o pesquisador é enfático em dizer que o uso da tecnologia é de extrema importância na obtenção de altos níveis de produtividade de qualquer produto agrícola. “O produtor tem que buscar as informações necessárias para o sucesso do empreendimento junto à Embrapa e às empresas de extensão rural pública ou privada, como a Emdagro ou Emater”, enfatiza.

Os agricultores da região do agreste sergipano estão confiantes no plantio do girassol. “O grande desafio é a mecanização” disse o produtor José Alves dos Santos Filho, assentado há nove anos do Movimento dos Sem Terras (MST). Ele cede uma parte de suas terras para a Embrapa realizar as pesquisas.

“É o que os centros de pesquisas e de extensão rural deveriam fazer no Brasil inteiro. Pois esses campos experimentais, em parceria com os próprios produtores, é uma excelente vitrine para o repasse de tecnologia”, disse Gustavo Heleno, agrônomo da Petrobrás, que coordenou o dia de campo e o curso de atualização técnica. “Estamos mais aptos a formar multiplicadores e atualizar conhecimentos dos técnicos envolvidos nos projetos de biocombustíveis da Petrobrás”, disse.

Na visita dos técnicos, os pesquisadores da Embrapa também demonstraram que a mamona é igualmente uma grande alternativa para a produção de biodiesel. “Ela, cultivada com milho e feijão, torna-se ainda mais interessante, pois além de produzir óleo combustível, a propriedade produz alimento ao mesmo tempo e no mesmo espaço, o que a torna de grande interesse para a agricultura familiar”, disse o pesquisador Hélio.

 

Fonte: http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?tit=agreste_sergipano_e_propicio_para_producao_de_biocombustivel&id=58295