Laranja

ADUBOS VERDES NA CULTURA DOS CITROS

A cultura cítrica depende de uma mecanização constante, tanto no período seco quanto no chuvoso, sendo normal a passagem das máquinas por no mínimo de 10 a um limite superior a 20 vezes por ano. Esta movimentação leva à formação de camadas compactadas (Sanches, 1998). A boa estrutura do solo contribui para o movimento adequado da água e do ar. A passagem abusiva de máquinas no pomar ou a pulverização da camada arável por implementos agrícolas são prejudiciais à manutenção da estrutura adequada. A incorporação e/ou manutenção da matéria orgânica no solo é essencial para manter uma boa estrutura, além de contribuir para reduzir o risco de lixiviação de cátions, particularmente de potássio, em solos arenosos (Malavolta, 1985).

 

Em uma citricultura moderna, na qual se preconiza o uso adequado de fertilizantes, mudas selecionadas, bom manejo de pragas e doenças, a produtividade estará sempre aquém do possível se práticas de manejo não forem adotadas no sentido de eliminar ou impedir a formação de camadas compactadas no solo (Castro & Lombardi Netto, 1992).

 

Segundo Sanches (1998), um plantio conduzido dentro de um manejo que leva em consideração o cultivo intercalar de leguminosas, como o nabo forrageiro e gramíneas (Brachiaria ruziziensis), com produção de biomassa significativa e formação de cobertura morta, que somado aos cuidados de não entrar no talhão com umidade alta, uso de pneus largos, trafegar no centro da rua, certamente minimizará a formação de camadas de impedimentos. Um estudo da ausência ou presença de raiz rasa ou profunda demais dará informação real da presença de áreas compactadas. Biologicamente, com uso de leguminosas, ou mecanicamente, com subsolador, essas camadas podem ser eliminadas. O guandu é recomendado para áreas compactadas, mesmo nos pomares em produção, pelo grande poder de penetração das suas raízes, que apesar de ser um processo mais demorado que o mecânico, é o mais duradouro.

 

Os adubos verdes comportam-se como uma planta daninha no pomar cítrico, pois podem competir por água, nutriente, sol e pelo espaço aéreo e do solo. Quando bem usados, entretanto, esses inconvenientes pesam relativamente pouco, sendo compensados pelas vantagens que seu cultivo apresenta.

 

Resumidamente, os benefícios primários da adubação verde são:

 

– reciclagem de nutrientes: o sistema radicular busca nutrientes lixiviados (perdidos no perfil do solo) e incorpora-os nas camadas superficiais;

– fixação simbiótica de nitrogênio direto da atmosfera;

– melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo: textura e estrutura, matéria orgânica e microorganismos;

– economia e melhor aproveitamento dos adubos químicos e corretivos;

– proteção do solo contra a erosão – a erosão devora 200 mil t/ano da terra agricultáveis do Estado de São Paulo;

– descompactação do solo pelo sistema radicular agressivo e profundo;

– melhor infiltração e armazenamento de água no solo, diminuindo os efeitos da seca;

– proteção do solo contra os efeitos dos raios solares: abaixamento e aumento da temperatura do solo;

– economia no controle de plantas daninhas (capinas e herbicidas), devido à alta capacidade de competição dos adubos verdes em relação às plantas daninhas, levando a menor produção de sementes e seqüentes infestações;

– produção de fitomassa para formação de cobertura morta e plantio direto;

– melhoria na produtividade e qualidade dos produtos colhidos;

– controle de nematóides fitoparasitos das culturas por alelopatia e aprisionamento;

– alimentação animal: silagem, pastoreio, mel e pólen;

 

Fonte: http://www.estacaoexperimental.com.br/documentos/BC_09.pdf