Catálogos técnicos e de produtos

Adubação de Terra para Recipientes no Processo de Produção de Mudas de NIM INDIANO*

Prof. Itamar Pereira de Oliveira

**Itamar Pereira de Oliveira & Luana Carvalho de Oliveira

**Trabalho extraído do original do primeiro autor e publicado na Faculdade Montes Belos

**Respectivamente Professor e Discente da Faculdade Salgado de Oliveira

A adubação e nutrição mineral de plantas na produção de mudas de essências florestais devem ser cuidadas desde a sua formação. Para se obter uma planta sadia, é importante que se produza uma muda saudável uma vez que uma planta bem nutrida é mais resistente ao ataque de pragas e doenças após o seu transporte para o campo. Procura – se oferecer à planta um substrato onde se encontra todos os nutrientes em concentração balanceada para evitar os efeitos da lei do mínimo, onde o pouco desenvolvimento da plântula é atribuído àquele nutriente que se encontra abaixo do nível crítico. Por outro lado procura – se evitar altas concentrações de outros nutrientes uma vez que o excesso pode ser tóxico a planta principalmente nos primeiros estágios de seu desenvolvimento. Desse modo, além do cuidado nas doses quantitativas procura – se também uma fonte e um manejo que seja mais econômico para a produção de mudas.

A necessidade de adubação decorre do fato de que nem sempre o solo é capaz de fornecer todos os nutrientes de que as plantas precisam para um adequado crescimento. As características e quantidade de adubos a aplicar dependerão das necessidades nutricionais das espécies florestais, da fertilidade do solo, da forma de reação dos adubos com o solo, da eficiência dos adubos e de fatores de ordem econômica.As florestas são mais comumente plantadas para atender a finalidades industriais, produção de madeira para serraria, mourões, postes, energia, celulose, aglomerados, laminados e extração de óleos e resinas. A grande maioria das áreas de florestamento está sobre solos muito intemperizados e lixiviados, portanto com baixa disponibilidade de nutrientes (SIMÕES, 1987).

Nas regiões do Nordeste e Centro Oeste tem – se outro fator complicador os altos índices de deficiência hídrica que prejudicam a demanda nutricional das árvores. Com relação aos macronutrientes, os sintomas visuais de deficiência e as maiores respostas à adubação têm sido observados no campo, com mais freqüência, na seguinte ordem: P > N > K > Ca > Mg e, para os micronutrientes, B > Zn. Normalmente, para os solos mais arenosos sob irrigação, observa-se com mais freqüência maiores respostas à adubação. Contudo, graças às baixas exigências de fertilidade do solo e também ao programa de melhoramento, em que se procura adaptar as espécies às condições edafoclimáticas da região, as florestas têm se mostrado produtivas, mesmo com recomendações de adubação bem aquém daquelas utilizadas para as culturas agrícolas (Kageyama, 1979).

Comparativamente os solos do Nordeste apresentam índices de fertilidade mais altos que os da Região Centro Oeste, com o agravante para a produção, para algumas áreas a falta de água. A Região Centro Oeste, mesmo apresentando veranicos na época de chuva, a baixa fertilidade deve ser cuidada preferencialmente no cultivo de lavouras. Apresenta solos com baixos teores de P, Ca, Mg, K e principalmente o Zn. Ainda baixos teores de matéria orgânica, baixa saturação de base e baixa capacidade de troca catiônica. Ao mesmo tempo é necessário cuidar da adubação nitrogenada. Os solos são ácidos apresentando altos teores de alumínio trocável.

Devido à degradação ou remoção anterior da floresta, faz – se necessário o enriquecimento ou o reflorestamento das áreas, o que deve ser feito utilizando modelos que associam espécies de diferentes classes ecológicas, denominadas pioneiras, secundárias e clímax. Procura-se dessa forma criar condições adequadas para o desenvolvimento das árvores, similares àquelas que ocorrem nos ecossistemas naturais, sob processo de sucessão florestal. A maioria das espécies florestais exige de média a alta demanda nutricional para seu estabelecimento desenvolvendo – se bem em solos de média fertilidade e com boas condições hídricas, sem longos períodos de estiagem (Campinho Junior e Ikemori, 1983).

Atualmente, os recipientes mais utilizados para a produção de mudas de essências florestais são os sacos plásticos. Os tubetes de polipropileno têm sido evitados devido ao enovelamento do sistema radicular do nim. O processo de saquinhos, mais antigo, normalmente utiliza como substrato de cultivo a terra de subsolo, preferencialmente com teores de argila entre xml:namespace prefix = st1 ns = “urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags” />20 a 35%. Com isso, assegura – se, freqüentemente, boa permeabilidade do substrato no interior do saco plástico, boa drenagem e resistência ao manuseio.

Nos recipientes pequenos usam-se predominantemente substratos orgânicos simples ou misturados (IPF, 1976). Os compostos orgânicos mais utilizados são estercos de curral curtido, húmus de minhoca, cascas de árvores, bagacilho de cana decomposto, entre outros. Esses substratos são geralmente utilizados como os principais componentes de misturas, que incluem também palha de arroz carbonizada, vermiculita e terra de subsolo arenosa.

Algumas composições de substratos que têm dado bons resultados:

1) 80% de composto orgânico ou húmus de minhoca + 20% de casca de arroz carbonizada;

2) 60% de composto orgânico ou húmus de minhoca + 20% de casca de arroz carbonizada + 20% de terra arenosa.

3) vermicomposto + resíduo de casca de arroz queimada na relação 4:1 mais 1g por tubete da fórmula 15 – 10 – 10 NPK na razão de 10 kg/m3.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAMPINHO JUNIOR, E.; IKEMORI, Y. K. Introdução de nova técnica na produção de mudas de essências florestais. Silvicultura, 8 (28):226-228, 1983.

INSTITUTO DE PESQUISA E ESTUDOS FLORESTAIS (Piracicaba). Produção de mudas. Piracicaba, 1976. 4 p. (IPEF. Circular Técnica, 23). Curso de Treinamento e Atualização em Experimentação Florestal.

KAGEYAMA, P. Y. Produção de sementes de eucaliptos. Piracicaba: Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais, 1979. 14 p. (IPEF. Circular Técnica, 63).

SIMÕES. J.W. Problemática de produção de mudas em essências florestais. Piracicaba, IPEF, 1987. 29p. ( Série Técnica 4).

Fonte: http://www.fmb.edu.br/ler_artigo.php?artigo=276