Produtivo

Administração da Sangria

A sangria deve ter como intervalo o início e o fim de cada mês, de maneira que o último corte atinja o limite inferior da faixa de casca determinado para o mês findo. Os trabalhos do seringal são inicialmente acompanhados e administrados pelo cabo de turma, figura indispensável à estrutura administrativa desta exploração. Esta pessoa deve conhecer bem a área, a localização dos blocos e tarefas, além de ter um bom relacionamento com os seringueiros de seu grupo, que deve ser de 10 a 15 componentes. O cabo de turma no seu trabalho faz a reunião dos seringueiros no “ponto” ou posto de recepção, diariamente, antes do início da sangria, relacionando os presentes e caso haja algum seringueiro ausente, será providenciado um substituto junto ao capataz ou redistribuída a tarefa com os demais. Será também anotado diariamente a hora que se iniciou a sangria e as substituições de seringueiros que porventura tenha ocorrido. Durante o horário em que os seringueiros estão realizando a sangria o cabo de turma faz uma fiscalização geral, observando:

Árvores sangradas – às vezes o seringueiro deixa árvores sem sangrar, seja por falta de atenção, involuntariamente, ou de propósito; a razão o cabo de turma deverá descobrir.

Impedir que a sangria iniciasse antes da hora prevista, na tentativa do seringueiro terminar o trabalho mais cedo. Alguns tentam recolher o látex logo após a sangria, aguardando o momento de entregar a produção. Tão logo o sinal seja dado aparecem com uma baixa produção, ou seja, pouco peso para carregar. É muito fácil descobrir a fraude após a execução pela diferença de peso para menos e pelas sobras na tigela, isto é, pelo tamanho dos coágulos. (EMBRATER, 1981).

Látex transbordando pelo painel. Se a sangria não for bem feita e o canal da frente e a bica não tiverem sido bem limpos.

Profundidade de casca e declividade do corte – verificar se os cortes estão sendo feitos na profundidade e declividade ideais, casso encontre árvores sangrando fora dos padrões técnicos, o cabo de turma pode corrigir o erro a tempo, evitando maiores danos.

Cernambi perdido – o seringueiro pode querer acelerar o seu trabalho e com isso deixe de recolher algum cernambi, com prejuízo para a renda do seringal. O cabo de turma deve estar atento para o problema.

Proteção do painel contra doenças – o pincelamento dos painéis com fungicidas deverá ocorrer em dias, semanal ou quinzenal. A calda fungicida e o corante (marcador visual de aplicação do fungicida) devem ser distribuídos pelo cabo de turma. O seringueiro deve fazer o pincelamento no mesmo dia da sangria à tarde, quando o látex já parou de escorrer. As tigelas deverão ser viradas para baixo até a próxima sangria para evitar que o produto cai nestas.

Limpeza das tigelas – os coágulos da tigela e o cernambi do corte e da bica resultantes da sangria anterior devem ser recolhidos pelo seringueiro, sendo colocados separadamente em bolsas diferentes. A raspagem dos restos de látex coagulados aderentes na tigela também deve ser realizada pelo seringueiro.

Manutenção das linhas e faixas de plantio – o seringueiro em alguns plantios também é o responsável pela limpeza das faixas e linhas de plantio de sua tarefa, o cabo de turma irá verificar se os trabalhos estão sendo realizados a contento.

Anti-coagulante – o cabo de turma é o responsável pela preparação e distribuição diária do anti-coagulante usado para manter o látex líquido. Se o dia for chuvoso dificilmente se evitará a coagulação do látex, sendo dispensável essa operação. Nos dias de chuva dois casos são prováveis, em relação à sangria:

· A chuva foi anterior à mesma, encontrando-se na árvore, bica e tigela ainda molhadas. O cabo de turma marca na folha de ponto, na linha painel/chuva, no dia correspondente, a letraM (molhado).

· Se a chuva for durante ou depois da sangria e se cair água na tigela antes do final da coleta, marca-se a letraD (diluído).

Percebendo que a chuva é iminente ou já esteja chovendo antes de iniciar a sangria, o cabo de turma aguarda uma definição do tempo até as 12:00 h. A sangria poderá, nesses casos ser atrasada até esse horário, se a chuva não parar antes. Se a chuva se prolongar até após as 12:00 h não haverá sangria nesse dia. No caso de haver sido iniciada a sangria e o cabo de turma perceber que vai chover, mesmo que não seja a hora de recolher ele pode, através do sinal pré- determinado autorizar a coleta do látex imediatamente (EMBRATER,1981).

Em seringais pequenos o cabo de turma se encarrega da fiscalização geral dos trabalhos. Nos seringais maiores, porém, para cada cinco cabos de turma existe um capataz da sangria, que fiscaliza o trabalho de todos os seringueiros, conferindo-lhes pontos d modo a quantificar a qualidade da sangria. Com tal procedimento, os seringueiros são estimulados, mediante prêmios, a executarem um trabalho de alta qualidade, podendo no final do mês receber um prêmio em dinheiro, variável com o seringal.

COLETA DO LÁTEXA
sangria quando realizada num dia normal, sem chuva e iniciada no horário indicado, a última planta da tarefa será sangrada em torno de 7:00 h, 8:00h. Assim acontecendo, o sinal para iniciar a coleta do látex será dado pelo cabo de turma às 10:00 h de maneira que uma hora após se encerrará a atividade, estando a produção já devidamente pesada e acondicionada em tonéis ou latões, que serão transportados para a usina de beneficiamento ou depósito.

O armazenamento do látex deverá ocorrer após a pesagem e retirada de algum coágulo que porventura tenha se formado e o acondicionamento em tonéis de 200 l,, revestidos de plástico resistente ou fibra de vidro (para evitar a oxidação do ferro). Antes de se despejar o látex nos tonéis adiciona-se o anti-coagulante (amônia líquida ou sulfito de sódio) colocando-se a seguir a produção e armazenando-os à sombra, onde poderão ficar por 30 dias sem maiores perdas de características básicas da borracha natural.

ANTI-COAGULANTES

O produtor de borracha natural deve pensar em conseguir o máximo de rendimento possível do seu seringal. Para isso além de outros fatores inerentes à cultura deve comercializar o seu látex de forma líquida, ou seja, “in natura”. O coágulo ou cernambi da tigela e o cernambi fita não conseguem a mesma cotação no mercado que o látex “in natura” mesmo porque alguns produtos nobres dependem da industrialização do látex em estado natural.

Para ocorrer a produção de látex ”in natura” é necessário se fazer adição de um anti-coagulante na tigela, logo após a sangria. Como produtos usados nesta função temos o sulfito de sódio de 5 a 7,5% e amônia líquida. O primeiro é preparado diariamente pelo cabo de turma no posto de recepção e 10 litros da solução são suficientes para uma turma de 15 seringueiros, que usam algumas gotas por tigela. Este produto é usado como anti-coagulante principalmente quando o látex “in natura” se destina à produção de crepe claro, pois não provoca o escurecimento da borracha.

A amônia líquida é utilizada normalmente a uma concentração até 5%, usando-se de 2 a 5 gotas por tigela e o látex pode ser usado na produção de folha defumada ou outros produtos que não exijam classificação de qualidade e cor.

BENEFICIAMENTO PRIMÁRIO DO LÁTEX

Os produtos látex natural, cernambi e coalho em pouco tempo sofrem modificações acentuadas em suas características, indo com isso perdendo seu valor comercial e restringindo mercado. No contorno dessa situação, a alternativa é estabilizar o látex bruto com amônia e a secagem do coágulo e cernambi. Porém, não chega a atender ao todo, portanto, a solução é a instalação de uma agroindústria no imóvel ou na proximidade deste, pois o produto final terá melhor preço e consequentemente o lucro será compensador. O beneficiamento do látex pode seguir dois rumos, o do látex concentrado (creme) e a borracha sólida.

LÁTEX CONCENTRADOA matéria prima é o látex do campo que passa por um processo de retirada de água, elevando o teor de borracha seca para 60%. A concentração do látex pode ser através de centrifugação (físico-mecânica) ou cremagem (físico-química). No processo resulta o látex com 60% de borracha seca, e o soro que contém entre 0,5 a 2% de borracha seca (BERNARDES et alii,1986).

A estabilização do látex concentrado é obtida com amônia suficiente para aumentar o pH para 10,2. Apesar de a amônia ser excelente agente estabilizador do látex, não apresenta boas qualidades antissépticas, portanto em alguns casos pode-se acrescentar para assepsia o sal de sódio pentaclorofenol.

Após o processamento do látex concentrado é armazenado em tambores, que em casos especiais, podem ser revestidos internamente de polietileno para evitar a oxidação do ferro usado na fabricação dos tambores.

BORRACHA SÓLIDA
As borrachas usinadas mais comuns são os crepes, os granulados e as folhas defumadas ou secas ao ar.

As folhas defumadas podem ser produzidas em mini-usinas dimensionadas para produção econômica a partir de 30 a 50 kg de B.S./dia, ou seja, atende a necessidade dos pequenos e médios seringais existentes nas regiões brasileiras. Os equipamentos para produção das folhas são relativamente simples e com pouco consumo de energia.

Os granulados e crepes exigem equipamentos pesado, construção sólida e movidos por possantes motores, para que possam lavar intensamente e triturar o látex coagulado e obter estes produtos. Por isso a usina para obtenção de crepes e granulados operam geralmente com uma produção de 2.500 kg de B.S./dia. Neste tipo de produção a coagulação do látex na usina é obtida através da adição de ácido acético ou ácido fórmico.

Considerando a comercialização do látex processado, encontramos na folha defumada o produto de maior aceitação e consumo, sendo esta e os granulados os produtos de uso geral, enquanto os crepes e o látex concentrado (creme) tem usos específicos em linhas restritas de industrialização, reduzindo assim as suas participações no total da borracha natural comercializada.

Fonte: http://pt.scribd.com/doc/14730767/34/PRAGAS-DA-SERINGUEIRA

REFERÊNCIAS
BRASIL. Superintendência da Borracha. Anais: Encontro Nacional sobre Explotação e Organização de
Seringais de Cultivo. Brasília, SUDHEVEA, 1986. 97 p.
CEPLAC/ EMBRAPA. Sistema de Produção de Seringueira Para a Região Sul da Bahia. Ilhéus – Bahia, 1983.
48 p.
FUNDAÇÃO CARGILL. Simpósio Sobre a Cultura da Seringueira no Estado de São Paulo, I. Piracicaba,
1986. 334 p.
MORAES, Jonildo G.L. et DUARTE, Jodelse D. Cultura da Seringueira. COOPEMARC.
Valença – Bahia, 1987.102 p