Milho

Abastecimento de milho no Nordeste nescessita investestimentos em infraestrutura e logística, diz CTLog

12/08/2016

Conclusão é advinda de estudo realizado pela CTLog 

Como garantir o abastecimento de milho na região Nordeste? A pergunta foi a chave do estudo do grupo de trabalho composto por 10 entidades, membros da Câmara Temática de Logística e Infraestrutura (CTLog) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O objetivo do estudo é criar meios para minimizar o déficit na demanda constatado na última safra (2015/16) de 2,8 milhões de toneladas de milho, com a produção de 4,3 milhões e consumo previsto de 7,1 milhões de toneladas. Integrante do grupo de trabalho, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou, na última semana, as conclusões para a CTLog, durante reunião no Mapa, em Brasília.

Segundo a assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA, Elisangela Pereira Lopes, apesar do prejuízo da safra pelas adversidades climáticas, um comparativo entre os dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)  e dados da projeção de consumo do Mapa até 2025 mostram que a tendência para os próximos dez anos, caso nada seja feito, é que o déficit na produção de milho na região Nordeste se mantenha entre 2 e 2,5 milhões de tonelada por safra, principalmente nos estados do Ceará e Pernambuco. “Essas regiões possuem uma demanda maior que a oferta. O milho é muito importante, fundamental para garantir a produção animal e, por isso, é preciso reverter essa situação”, observa.

Na busca de informações para embasar o estudo, o grupo fez análise da infraestrutura e logística existente; das condições e os custos da origem e destino; cálculo de extensão; junção, e várias simulações, em parceria com a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), responsável pela verificação das melhores opções para transportar o milho, o que inclui a analise da origem e destino, custo, tipo de modal de transporte.

As conclusões do trabalho mostraram que é necessário investir na melhoria da infraestrutura, principalmente em pavimento de vários trechos das rodovias, nos estados do Tocantins, Mato Grosso e Goiás, escolhidos, no estudo, como origens dos embarques de milho para o Nordeste. Segundo o estudo, concluir obras inacabadas também é importante para facilitar o transporte do milho, principalmente nas ferroviárias – Transnordestina e o trecho da Fiol, que liga a Bahia com a Ferrovia Norte/Sul; além de priorizar a multimodalidade, ou seja, um único contrato de transporte para operar diversos modais. E, principalmente, criar um novo marco regulatório para a cabotagem, entre outros.

De acordo com Elisangela, as recomendações do estudo são de caráter emergencial, uma vez que visam resolver questões de ordem estrutural para ampliar a produtividade do agronegócio brasileiro. A assessora observou que um dos exemplos é a construção de um trecho na BR-020 na Bahia, que liga Barreiras à divisa com o Piauí. “Um produtor que leva a carga da Bahia para o Ceará percorre 1.859 km, gastando cerca de R$ 218,00 por tonelada. Com a construção de 600 km de rodovia, que hoje não existe, o percurso cairia para 1.280 km a um custo de R$ 153,00 por tonelada”, exemplificou. Após a apresentação do estudo à CTLog, o documento será encaminhado para o ministro Blairo Maggi.

Fonte: CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil