Cadeia Produtiva

A Saga dos Pneus

Conheça um pouco da história do componente, fabricado principalmente a partir do látex, extraído da seringueira

Uma das mais importantes invenções de todos os tempos, a roda, apareceu há mais de 5.500 anos, mas esperamos até 1888 para que o veterinário Dunlop inventasse o pneu, que até hoje equipa nossos automóveis (e que depois contribui para poluir o planeta…).

Inicialmente estes pneumáticos inventados por Dunlop eram destinados às bicicletas, e somente em 1895 foi produzido o primeiro pneu para automóvel, pela Michelin.

No início, os pneus eram brancos, como era branca a matéria prima para a sua confecção, o látex (isto explica a cor do boneco da Michelin, criado em 1898). A extração e o processamento do látex deram os capítulos mais significativos na história dos pneus.

O látex pode ser extraído de várias plantas, mas é da seringueira que se obtêm os melhores resultados. A extração é feita sulcando o tronco da árvore, que pode produzir até 8 kg em um ano (50 gramas por “sangria”).

No estado natural, esta borracha não tem muita utilidade, pois amolece com o calor e se fragiliza com o frio. A borracha ganhou o mundo após a descoberta, por Charles Goodyear, da “vulcanização”, no ano de 1839.

Este processo dava estabilidade e resistência química ao produto pela adição, a quente, de enxofre ao látex. Apesar da importância do seu invento e de ter patenteado este e muitos outros processos, Goodyear morreu pobre e em sua homenagem foi batizada a conhecida fábrica de pneus no ano de 1898.

O processo de vulcanização fez crescer vertiginosamente o consumo mundial de borracha pela demanda de pneus da recém criada indústria automobilística (até então esta era aplicada na fabricação de galochas, capas de chuva e borracha de lápis. E adivinha quem fornecia látex para o mundo? O Brasil.

Esta explosão na exportação da seiva das seringueiras da região amazônica ficou conhecida por aqui como o Ciclo da Borracha, e durou de 1879 até 1912 (lembram desta aula?). Este ciclo chegou ao fim quando a produção de Malásia, Ceilão, Indonésia e Cingapura passou a ser ofertada no mercado mundial por preços menores.

Estes países haviam recebido mudas de seringueiras germinadas na Inglaterra a partir de 70 mil sementes levadas da Amazônia em 1876 por um cidadão inglês, Henry Wickham (esta espécie, a mais produtiva, era típica das terras brasileiras…).

Aventura na floresta

Outro fato histórico relacionado à indústria de pneus foi a saga de Henry Ford no Pará: a Fordlândia. Ford buscava uma alternativa para o fornecimento de borracha para a produção de pneus para seus carros e suas fábricas, que eram muito dependentes do fornecimento de colônias europeias no sudoeste asiático (controladas predominantemente pelos britânicos).

De 1927 até 1945, os executivos de Ford tentaram sem sucesso o plantio da seringueira em escala industrial numa área concedida pelo estado do Pará às margens do Rio Tapajós – equivalente a um terreno de 100 km de largura por 100 km de comprimento. Plantadas lado a lado, as plantas eram dizimadas por pragas e insetos, fato que não ocorria na floresta, onde as árvores são espaçadas, e na Ásia, onde não havia estas pragas naturais da floresta brasileira.

Antes de se aventurar na floresta amazônica, Henry Ford tinha a esperança na invenção de borracha sintética, e seu amigo Thomas Edison (o inventor da lâmpada elétrica) não poupou esforços para desenvolvê-la.

O desenvolvimento e a produção de borracha sintética com custo viável só foram possíveis no final da década de quarenta, motivados pela Segunda Guerra Mundial (o fornecimento de borracha natural pelos países asiáticos foi bloqueado pelo exército japonês).

Apesar da evolução da borracha sintética, até hoje a borracha natural é utilizada na produção de pneus, pois suas qualidades são insuperáveis. Atualmente, num pneu de automóvel, há cerca de 800 gramas de borracha natural e, num de caminhão, 14 kg.

Em outras palavras, para se equipar um carro com quatro pneus novos é necessário que haja 64 seringueiras de pé, e para equipar um caminhão com 18 rodas são necessários nada menos que 5.000 árvores. Há um lado ecologicamente correto em cada pneu fabricado, pois para produzi-lo é necessário manter e conservar enormes florestas de seringueiras.

Fonte: Revista Hot Rods

http://www.seringueira.com/br/a-saga-dos-pneus/