Gerenciamento de Produção

A Produção e Comercialização da Castanha em Portugal

A castanha (Castanea sativa, Mill) foi, durante muito tempo, o principal alimento das populações rurais de montanha. O fruto, considerado na época de inferior qualidade, era um alimento de eleição para os animais domésticos, com reconhecido sucesso na qualidade da carne, particularmente nos suínos.

De acordo com os dados da FAO, a produção mundial de castanha estima-se em 1,1 milhões de toneladas, distribuídas por uma superfície que não atinge os 340 mil hectares. A China é o maior produtor do mundo, com um volume anual de cerca de 800 mil toneladas, o que representa aproximadamente 70% da produção mundial. A Europa é responsável por 12% da produção mundial, destacando-se a Itália e Portugal com representatividades na produção mundial de 4% e 3%, respectivamente.

Hoje em dia, em Portugal, a área ocupada com castanheiros é cerca de 30 500 hectares, dando origem a uma produção de mais de 20 500  toneladas anuais de castanha. As áreas de mercado mais representativas são Bragança, Chaves, Guarda e Portalegre, onde são produzidas as cultivares Cota, Longal, Judia,  Matainha, Rebordã, Bária e Colarinha. A nível nacional existem quatro “Denominações de Origem Protegida” (DOP) para a castanha: Castanha da Terra Fria; Castanha dos Soutos da Lapa, Castanha da Padrela e Castanha de Marvão.

Após uma fase de evidente decréscimo, que se fez sentir desde os anos 50 do século XX, assiste-se, desde o início da década de 90, a um período de evidente ressurgimento da importância da castanha, visível tanto nos maiores níveis de produção atingidos como no aumento da área de souto plantada. Este facto resulta da  reconhecida rentabilidade das explorações e do incentivo dos subsídios, podem igualmente referir-se razões associadas ao custo e escassez da mão de obra para a actividade agrícola, o que tem levado os proprietários, mesmo os ausentes, a optarem por florestar os seus solos com castanheiros (prevalecendo nitidamente a produção do fruto em detrimento da madeira). A cultura dos castanheiros permite ainda a manutenção da pastorícia, para além de ser favorável ao desenvolvimento da caça na região.

A produtividade média dos soutos no nosso país ronda os 1 000 kg/ha, o que fica bastante aquém dos níveis de produtividade dos países europeus produtores de castanha, como a Itália (21 667 kg/ha), a França (18 571 kg/ha), a Grécia (15 769 kg/ha) e a Espanha (16 667 kg/ha) (FAO, 2005). Importa registar que o souto plantado nos últimos anos, bem estruturado, com uma gestão sustentável e material vegetal tradicional de qualidade pode, alcançar os valores de produtividade atrás mencionados.

A castanha que comemos é, de facto, uma semente que surge no interior de um ouriço – o fruto do castanheiro. Mas, embora seja uma semente como as nozes, tem muito menos gordura e muito mais amido, o que lhe dá outras possibilidades de uso na alimentação. As castanhas têm mesmo cerca do dobro da percentagem de amido das batatas. São também ricas em vitaminas C e B6 e uma boa fonte potássio.

As suas características organolépticas e tecnológicas são adequadas, quer para consumo em fresco, quer para a indústria transformadora, onde se produz castanha congelada, pilada, confitada ou em calda. Trata-se de um fruto rico em hidratos de carbono, isento de colesterol, que contém elementos minerais como o potássio, fósforo, cálcio e magnésio e valores importantes de oligoelementos como o cobre e manganês. Também os aminoácidos e as fibras são componentes relevantes.

A procura crescente deste fruto está associada à sua recente inclusão na gastronomia urbana, sendo utilizadas de maneiras muito diversas: cruas,assadas, cozidas, fritas, na sopa, com carne, para sobremesas, etc., e inclusivamente começa a ser mais explorada pela indústria alimentar – congelada, pilada, confitada, em calda, em puré, em flocos, etc..

Em Portugal, o Outono e a chegada definitiva do tempo frio são comemorados a 11 de Novembro, dia de São Martinho, em que, um pouco por todo o país, por tradição, se comem castanhas assadas e se bebe vinho novo e água-pé.

No momento da compra, deve ter-se particular cuidado na observação do estado da sua pele, que deve ser bem brilhante e intacta (sem cortes ou gretas). Para conservar em casa, devem ser guardadas em local fresco e seco. É importante que não sejam comprimidas e amaçadas, devendo estar separadas entre si, tanto quanto possível para que não fiquem moídas. Tanto cruas como assadas, as castanhas podem perfeitamente conservar-se num congelador durante cerca de 6 meses.

A época de produção e comercialização, duma forma geral, ocorre desde meados de Outubro a meados de Janeiro. Cerca de 70 a 80 % da castanha destina-se à exportação e os restantes 20 a 30 % ao mercado interno.

A castanha portuguesa impõe-se há décadas no mercado externo pela sua qualidade, sendo um produto que nos permite manter, com larga vantagem, um saldo positivo na balança comercial. Os principais importadores são a Espanha e os mercados tradicionais de emigração portuguesa, nomeadamente o Brasil, a França e a Suíça, entre outros. As aquisições de castanha ao exterior têm vindo a aumentar nos últimos anos, aproximando-se das 2000 toneladas anuais e provém quase na totalidade de Espanha.

As cotações da castanha, tanto nos mercados de produção, como nos abastecedores, oscilam bastante ao longo da campanha, consoante a variedade e o calibre dos frutos. As variedades Rebordã (Sabugal) e Judia são as mais valorizadas para o consumo em fresco. O pico de maior valorização ocorre em Dezembro, com o aproximar da época natalícia e do Ano Novo.

Especialmente na região de Trás-os-Montes, esta espécie é por vezes o melhor recurso cultural para vastas áreas, proporcionando aos agricultores bons rendimentos em zonas onde não é possível desenvolver outras culturas. Assim, verifica-se, para além do aparecimento de novas áreas plantadas, a introdução de novas técnicas culturais, o que se tem traduzido num aumento da produção e da melhoria da qualidade da castanha. Também o sector da indústria da congelação da castanha está em crescimento nesta região.

Fonte: http://www.observatorioagricola.pt/