Pecuária

A importância da suplementação a pasto para a viabilidade do confinamento

Como em qualquer empreendimento, a rentabilidade da pecuária de corte tem como fator principal a relação entre o custo de produção e a formação do preço de venda.

Para projetos que desenvolvem a fase de recria e engorda, o preço da matéria-prima, bezerro ou boi magro, tem uma grande representatividade na composição dos custos e sua relação com o preço da arroba. Ou seja: o preço do produto acabado (boi gordo) é um dos pilares que direcionam a elaboração da estratégia do negócio.

Um estudo realizado pela equipe do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), entre os anos de 2003 e 2009, mostra-nos que a relação de preço entre o bezerro e a arroba de boi gordo não tem se distanciado nos últimos anos (Figura 1), evidenciando até, na maior parte do tempo, um ágio sobre os animais de reposição. Diante desse cenário, nesse segmento da atividade, a única maneira de sermos cada vez mais rentáveis é priorizarmos a eficiência dentro da “fábrica de transformação”, aumentando nossa produtividade de arrobas por hectare, o que, por sua vez, dilui os custos de produção e otimiza os recursos disponíveis.

Suplementação

As comparações econômicas entre os sistemas intensivos e extensivos de pecuária apontam resultados superiores para os sistemas intensivos (Pilau et al., 2003). De acordo com Paulino et al. (2004), a suplementação de bovinos em pastagem é uma das principais estratégias para a intensificação dos sistemas. Essa tecnologia permite aumentar a eficiência de conversão das pastagens, melhora o ganho de peso dos animais e encurta os ciclos de crescimento e engorda dos bovinos (Figueiredo et al., 2007).

A suplementação dos animais a pasto é uma ferramenta importante dentro dessas indústrias de produção de arrobas. Para a mensuração, a variável mais fácil de dimensionar é o ganho de peso dos animais. As recomendações de suplementação a pasto variam, dependendo de vários fatores. Podemos citar como exemplos a qualidade e a disponibilidade da pastagem, a época do ano, a região, a categoria animal e a estratégia para a fase posterior da criação.

No trabalho de Sampaio et al. (2009) foram utilizadas diferentes estratégias de suplementação, sendo um dos objetivos o de mensurar os diferenciais de desempenho animal durante um ano produtivo. Os animais foram avaliados durante uma estação seca e uma de águas subsequente, compreendendo a fase de recria. O grupo de animais, que recebeu sal mineral com ureia na seca e sal mineral, linha branca, no período chuvoso, foi classificado como de baixo nível nutricional. O segundo grupo foi nomeado de médio nível nutricional, e em ambas as fases receberam um suplemento proteico (consumo de 0,1% do peso vivo), específico para cada época. Além dos bovinos do experimento, foram utilizados outros animais para o ajuste de carga animal nos pastos.

Os resultados finais mostraram um valor diferencial de 1,25@/animal/ano (Figura 2). A princípio, o diferencial não parece significativo, mas quando analisamos o impacto da produção no custo da arroba produzida a linha de raciocínio para o uso de tecnologia a pasto fica bem interessante.

Esses diferenciais de resultados técnicos podem ser ainda maiores, dependendo do modelo tecnológico aplicado.

Analisando os componentes dos custos para animais a pasto (Figura 3), chegamos a um valor de R$ 189,00 por animal/ano, fora as despesas com nutrição. Com o incremento de tecnologia, alguns dos custos citados podem variar. Para a análise em estudo, porém, eles foram mantidos estáticos, sendo alterados somente os investimentos vinculados a suplementação.

Ao compararmos os resultados (Figura 4), observamos que a despesa com nutrição para o grau tecnológico enquadrado como médio aumenta 144% no período (R$ 25,52 vs. R$ 62,46/animal/ano). O custo de produção das arrobas colocadas no pasto apresentou, porém, redução de 8,1 %,indo de R$ 47,26/@ para R$ 43,44/@.

Assumindo que o preço de reposição, R$ 562,50, seja igual para os dois lotes, a composição de custo do animal no final da fase de recria torna-se menor para o sistema que utilizou um maior grau tecnológico. No final, os animais que imprimiram maior desempenho ao longo de um ano deixaram R$ 67,43 adicionais por cabeça, além de terminarem essa etapa mais pesados.

Recria a pasto para o confinamento

Podemos concluir que o uso de tecnologia na recria de bovinos de corte a pasto produz um animal economicamente mais viável para o sistema de confinamento. No caso em estudo, o custo da arroba de estoque, boi magro, é mais baixo em 5,6% (Figura 4), contribuindo para a fase de engorda e minimizando o risco de uma reposição, bezerro, a preços mais elevados. O sistema fica mais “blindado” contra qualquer oscilação do preço da matéria-prima do empreendimento.

Ainda falando sobre o confinamento, se considerarmos um peso de abate de 500 Kg e ganho diário de 1,5 Kg/animal, reduziríamos em 25 diárias por animal, ou seja, o lote que passou pelo sistema de baixa suplementação deveria ficar 92 dias no cocho, ao passo que o que foi trabalhado no sistema com diferenciação tecnológica no pasto ficaria 67 dias no confinamento.

Considerações finais

O uso crescente de tecnologia a pasto aumenta a capacidade de suporte dos sistemas produtivos e incrementa a eficiência de utilização das pastagens, elevando o nível de produção por unidade de superfície (Kg/ha/ano) aumentando a rentabilidade dos projetos.

Para isso, hoje temos várias opções de suplementos com diferentes potenciais de resposta animal, que podem ser implantados de acordo com as particularidades técnicas e objetivos do empreendimento.

Dentro das possibilidades encontradas, devemos estabelecer um plano de ação e tomar nossas decisões rumo ao sucesso da atividade.

Fonte: http://www.nftalliance.com.br/a-import-ncia-da-suplementa-o-a-pasto-para-a-viabilidade-do-confinamento/