Trigo

A exportação do trigo brasileiro poderá duplicar na temporada 2011/12

A experiência iniciada em 2011 de exportação do trigo brasileiro, que passou da média de 700 mil toneladas para 1,3 milhão de toneladas, segundo dados do governo e para 2,1 milhão, segundo estimativas privadas, na atual temporada poderá continuar na temporada 2011/12 se os fundamentos atuais do quadro de oferta e demanda do Mundo persistirem pelos próximos 12 meses, o que é bem provável.
Quais são estes fundamentos?
De um lado, a demanda por grãos e cereais está muito ativa, não apenas pela queda de produção em algumas regiões importantes, como Austrália, China, Canadá e partes dos Estados Unidos, como pelo aumento da demanda, diante dos problemas atuais que estão mudando a face política dos maiores países importadores de alimentos, situados no Norte da África e no Oriente Médio, com possível extensão para alguns países do sudoeste Asiático. A ONU já alertou (e seus alertas tem sido certeiros e precisos ultimamente), de que a produção mundial de grãos e cereais precisaria crescer entre 3% e 6%, algo como 194,62 milhões de toneladas, das quais 38,75 milhões apenas de trigo, para normalizar o equilíbrio entre oferta e demanda a curto prazo. Ora, não há estrutura mundial capaz disto no momento, nem nos Estados Unidos, nem na Europa, nem em parte alguma. Os agricultores americanos estão até calculando o valor da multa que o governo impõe para a ocupação de áreas de preservação natural a fim de saber se a elevação que virá dos preços compensará o pagamento dessas multas. Assim, tudo o que se aumentar nas áreas a serem plantadas de trigo de primavera a partir de março no Hemisfério Norte e tudo o que se plantar no inverno do Hemisfério Sul ainda será insuficiente para atender a demanda latente de alimentos que existe no mundo, que deverá manter os preços em patamares elevados por pelo menos mais dois anos. Importante notar que há uma demanda mundial específica para o trigo brando, produzido no Rio Grande do Sul, que não atende as especificações brasileiras de panificação, mas atende perfeitamente as especificações dos países do norte da África e do Oriente Médio, que absorveram as nossas exportações deste ano.
Para o trigo no Brasil, isto significa que:
a)      Estamos tendo uma chance de mudar para bem melhor a estrutura de nosso mercado interno, com a consolidação cada vez maior da exportação de trigo e criando uma alternativa de comercialização que não havia antes, com preços que nos próximos dois anos tenderão a ser competitivos com os dos moinhos no mercado doméstico. Isto vale inclusive para quem quiser continuar plantando trigo brando, sem a garantia de financiamento e preço mínimo do governo, mas com a garantia dos contratos de exportação, que deveriam ser feitos já a partir de agora, com base nas cotações futuras da Bolsa de Chicago, que se estendem até julho de 2013. Só precisa confrontar os custos de produção com a receita da venda, para determinar a margem;
b)      O plantio de trigo pão e de trigo melhorador, exigidos pelas normas governamentais para os financiamentos, seguro e garantia de preço mínimo do trigo, deverão encontrar bons preços por parte dos moinhos, que terão que mantê-los elevados diante da competição advinda da exportação e de uma provável pequena expansão das vendas dos produtos finais à base de farinhas de trigo no mercado interno e nas exportações.
Tudo isto mostra horizontes promissores para o plantio de trigo no Brasil para a próxima temporada 2011/12, que deverá se iniciar já no mês de março no Paraná e no mês de maio no Rio Grande do Sul.

Fonte: Trigo & Farinhas // Luiz Carlos Pacheco
http://www.noticiasagricolas.com.br/artigos/artigos-principais/84453-a-exportacao-do-trigo-brasileiro-podera-duplicar-na-temporada-2011-12.html