Trigo

A disponibilidade de trigo, no Brasil, depende de importação

Importante produto da cesta básica nacional, o trigo tem a particularidade de as importações terem sido, ao longo do tempo, cerca de três a quatro vezes superiores às produções nacionais. Apenas em 2003, a produção nacional quase se igualou ao volume importado, ambos em torno de 6 milhões de toneladas. O motivo é que, freqüentemente, o trigo importado é de melhor qualidade e produzido a um custo menor, o que motiva as panificadoras brasileiras a preferir o produto importado ou a utilizar misturas das farinhas de trigo nacional e importada.

A Argentina é o grande exportador para o Brasil que, além de ser competitiva nessa lavoura, contou, no período analisado, com as vantagens tarifárias possibilitadas pelo Mercosul. Também Canadá e EUA exportam trigo para o Brasil.

O grande produtor de trigo brasileiro é a região Sul que, devido ao bom rendimento da safra de 2003, teve comprometido seu sistema de armazenagem. No Paraná, algumas cooperativas tiveram que erguer barricadas nas laterais dos silos para colocar trigo até o teto, num procedimento que, além de comprometer a infra-estrutura da construção, pode ter provocado maior incidência de pragas e doenças, por impedir a aeração adequada dos grãos.

O Brasil viu-se forçado a exportar, em 2003, 53 mil toneladas de trigo na época da safra, por falta de capacidade de estocagem, tendo que, na entressafra, importar o produto, para suprir a demanda interna.

Na fase de plantio até a pré-colheita, os problemas que mais afetam o trigo são o excesso de umidade relativa do ar nos meses de setembro e outubro, a ocorrência de geadas na fase de espigamento e de chuvas na colheita.

No período analisado, as safras de 1997, 2000 e 2002 foram as mais prejudicadas, com índice de perdas de 10,86%; 32,02% e 18,38%, respectivamente. Em 2000, no Paraná, principal estado produtor, as perdas foram de 50,69%, o que, em números absolutos correspondeu a 719 mil toneladas perdidas.

No geral, as perdas de milho têm sido as mais significativas, na fase de semeadura até a pre´-colheita, representando 54% do total de 28 milhões de toneladas perdidas no período estudado. Na soja, os índices de perdas são menores, indicando que a produção tem recebido mais investimentos, aliados aos melhoramentos tecnológicos. Há, no entanto, uma grande escassez de dados sobre perdas na agricultura. na fase de pós-colheita. Com este primeiro estudo, o IBGE espera contribuir para o melhor conhecimento da disponibilidade interna de grãos cultivados no país.

 

Fonte: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=330&id_pagina=1