Flores

A dinâmica da regionalização da agrofloricultura no Brasil

Aspectos relevantes da floricultura nacional são abordados a seguir, considerando a dinâmica do seu desenvolvimento nas regiões geográficas e nos estados. Procura-se relatar o que vem ocorrendo de mais significativo neste setor dentro dos estados de cada região.

Norte
Na Amazônia legal, a Região Norte do País é provavelmente a que apresenta maior potencial de expansão da floricultura brasileira, podendo expandir a produção tanto de flores exóticas quanto tropicais. No Estado do Amazonas, há mais de cinco mil espécies de plantas nativas de valor comercial, em razão de propriedades fitoterápicas, cosméticas e ornamentais. A floricultura está sendo estruturada em Manaus, capital do estado, e no seu entorno, englobando três municípios que abastecem o mercado local. Os floricultores desse estado ainda estão em processo de organização associativa. No plano institucional, o Sebrae – MA, o governo do estado e o Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas vêm cuidando de ajudar a estruturar o setor.
O Estado do Pará é o principal produtor e consumidor de flores da região norte. Nesse estado, a produção de flores está presente nos seis municípios que integram a região Metropolitana de Belém e seus produtores estão agrupados em duas associações. A área cultivada com floricultura tem aumentado bastante e a produção é direcionada para abastecer o mercado local e o interno.
As informações obtidas dos estados do Acre, Amapá, Roraima, Rondônia e Tocantins sobre as condições de desenvolvimento da floricultura são bastante incipientes.
O Acre destaca-se pelas espécies medicinais, conhecidas e utilizadas pela população residente. A Secretaria de Apoio Rural e Cooperativismo do Estado mantém um Programa de Desenvolvimento da Floricultura e Plantas Ornamentais, com ações de assistência técnica aos produtores, elaboração de um sistema de informações comerciais e tecnológicas do setor florícola e certificação de flores e plantas ornamentais. O Amapá dispõe de uma xiloteca com as flores das principais espécies florestais e medicinais. Em Roraima, há centenas de espécies e samambaias pré-históricas, tendo destaque a
produção de flores temperadas. Em Rondônia, foi criado pela Embrapa um banco de germoplasma de plantas ornamentais e flores tropicais. Em Tocantins, a Universidade Federal tem uma unidade demonstrativa de floricultura já instalada. Esses estados, dado o estágio pouco expressivo de desenvolvimento da atividade, são importadores de produtos da floricultura.

Nordeste
Nessa região, registra-se significativo crescimento da floricultura nacional. O setor privado e o governo criaram diversos mecanismos de governança, com programas e eventos específicos para melhorar o desempenho do setor, gerando oportunidade de novos negócios, garantindo a inclusão social e valorizando o trabalho da mulher e do jovem.

No Maranhão, além da existência de um Comitê Estadual de Flores, a associação de produtores instalou na Praça Deodoro, em São Luís, a Feira Permanente de Flores Tropicais e Folhagens.
No Piauí, essa atividade começa a ser estruturada na grande Teresina. O Programa de Floricultura do Piauí dá apoio técnico aos produtores e promove eventos como a “Semana da Primavera”.
O Estado do Ceará é o maior exportador brasileiro de rosas e flores tropicais e ocupa o segundo lugar na exportação de flores frescas cortadas. A câmara fria do terminal de flores do aeroporto internacional de Fortaleza é um dos fatores do sucesso das exportações cearense.
A floricultura é desenvolvida em quatorze municípios do estado, nos quais os produtores estão organizados em três associações e dois consórcios. O Projeto Plantação do governo local vem estimulando o associativismo, melhorando o processo produtivo e aumentando a competitividade da floricultura cearense.
No Rio Grande do Norte destaque tem sido dado às ações da Cooperativa Potyflores, que opera em onze municípios e vem ampliando suas vendas, até mesmo para o exterior, e participando de exposições de plantas e flores tropicais em Shoppings.
Na Paraíba, a floricultura destaca-se pela inclusão social. Em Pilões, sertão do estado, um grupo de mulheres organizadas pela Cooperativa de Floricultores da Paraíba (Cofep) tem no cultivo de flores o sustento de suas famílias. Trata-se de um projeto de inclusão de atividades de gênero bem-sucedido, em expansão e reconhecido por agências internacionais.
Pernambuco é o principal produtor de flores tropicais do País. Nesse estado, destaque é dado à organização coletiva dos floricultores para modernizar e expandir seus negócios.
Existem operando cinco entidades de floricultores: uma cooperativa e quatro associações.
Essa estratégia tem garantido melhoria na qualidade dos produtos da atividade.
No Estado de Alagoas a floricultura, por meio de uma cooperativa e duas associações, tem diversificado suas atividades e vem exportando seus produtos para a Europa e a África.
A regularidade da oferta e a logística de transporte são, contudo, fatores restritivos.
Em Sergipe, a floricultura desenvolvida em seis municípios está direcionada para o abastecimento interno. O estado conta com uma associação de produtores e uma cooperativa em estruturação para comercializar melhor a produção do setor.
A Bahia fez da floricultura uma atividade voltada para a inclusão de jovens no mercado de trabalho, por meio do bem-sucedido “projeto comunitário flores da Bahia”, iniciado na cidade de Maracás, com extensão a outros doze municípios do estado. Outro projeto mais amplo da floricultura baiana desenvolvido pelo governo do estado vem garantindo melhorias significativas na organização da atividade. O estado já conta com uma associação estadual, dezessete associações municipais e quatro cooperativas. Um dos resultados dessa organização é a melhoria do auto-abastecimento com redução das importações.

Sudeste
Essa região é o principal centro produtor e consumidor de produtos da floricultura no país.
O Espírito Santo é um grande importador de flores de Holambra (SP). A meta do governo desse estado é melhorar o auto-abastecimento por meio do “Projeto de Fortalecimento das Pequenas Propriedades da Região Centro-Oeste Serrana do Espírito Santo”, resultante de uma parceria do setor público com o privado e com atuação em cinco municípios. Entre as ações do projeto em benefício da floricultura local, está sendo produzido um catálogo de flores capixabas, sendo feito o registro das orquídeas do Espírito Santo no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), para garantir diferenciação e reserva de mercado, bem como a instalação de um laboratório para a micropropagação de mudas de orquídeas e de outras espécies.
No Rio de Janeiro, a floricultura concentrada em treze municípios da região serrana vem sendo fortalecida com a criação da Escola de Flores Família Agrícola de Nova Friburgo e a instalação de um curso de técnico agrícola com especialização em floricultura. Além disso, a Associação de Floricultores e Distribuidores do Rio de Janeiro (Aflorj) mantém um pólo atacadista com cento e cinco lojas no Benfica. A formação local de redes associativas, reunindo produtores, varejistas, atacadistas e profissionais do setor, tem garantido a introdução de novas técnicas de produção e novos procedimentos de comercialização, estreitando os elos da cadeia de floricultores nesse estado.
O Estado de São Paulo é no País o maior produtor, consumidor e exportador de flores e plantas ornamentais. A produção está concentrada em seis pólos, envolvendo vinte municípios, com cinco mil produtores e quatro mil lojistas. Responde sozinho por 60% da produção e 40% do consumo nacional de produtos da floricultura, além de abastecer grande parcela do mercado interno e exportar para a América do Norte. Em Holambra, principal pólo do estado e a “capital brasileira das flores”, as vendas são realizadas por leilões eletrônicos via internet por meio da Veiling – Holambra. A cooperativa Agropecuária de Holambra tem mais de duzentas e setenta empresas associadas e responde por 60% da produção nacional de flores. A Expoflora, evento realizado anualmente nesse município, é
o maior da América Latina.
Em Minas Gerais, a floricultura tem como principal produtor o município de Barbacena, conhecido como “cidade das rosas”, cuja produção abastece as principais cidades do País.
O esforço de organização da floricultura nesse município traduz-se pela reestruturação da associação dos floricultores, instalação de uma central de negócios, criação de um catálogo de flores de Barbacena e assessoria técnica aos produtores. Pretende-se ainda implantar um espaço atacadista, instituir um certificado de qualidade e criar o selo Barbacena.

Sul
Trata-se de uma região ainda muito dependente de fornecimento externo. No Paraná, a produção local é de flores para forrações. É um grande importador de flores, sendo praticamente abastecido por São Paulo. O Estado de Santa Catarina é o terceiro maior produtor nacional e responde por sete por cento da produção do País com uma área cultivada de novecentos hectares, cultivados por trezentos e setenta produtores, em cento e doze municípios das regiões litoral norte, central litorânea e Alto Vale do Itajaí. O estado, com o apoio do programa FloraBrasilis, criou os selos FloraBrasilis Estadual e Nacional, para certificar a qualidade de seus produtos vendidos no mercado interno e externo, tendo já credenciado sete empresas. O certificado com selo nacional é referendado pela European Retailers Produce Working (Eurepgap), servindo de passaporte para a entrada das flores e plantas ornamentais no exigente mercado da união européia.

O Rio Grande do Sul é um grande importador de flores e plantas ornamentais da região sudeste, que responde por 70% do abastecimento interno. A organização dos agentes da cadeia no estado está tratando de reduzir essa dependência. A Associação Gaúcha de Floricultura criou a Rede de Cooperação Entreflores. Essa rede conseguiu, com o apoio governamental, instalar em São Sebastião do Caí uma Central de Distribuição e Comercialização de Flores e Plantas Ornamentais. Essa central deve ajudar a reduzir as importações do estado, criando alternativas para atendimento por produtores locais a mais de dois mil distribuidores.

Centro-Oeste
Nessa região, o cultivo comercial de flores e plantas ornamentais é bem recente. Em Brasília, as flores do cerrado são vendidas como souvenir aos visitantes e residentes. O cultivo de flores tropicais era inicialmente realizado por imigrantes, na maioria japoneses, instalados nas cidades satélites da capital, sem, contudo, ter escala comercial. Nessa última década, a Associação de Produtores do Distrito Federal (Central Flores) passou a manter na Central de Abastecimento da Cidade (Ceasa) uma feira permanente, que é referência para produtores e revendedores das espécies produzidas nessa capital.
O Estado de Goiás tem projeto para ampliar a produção local e atender à metade da demanda do estado. A associação local de floricultores pretende ampliar essa atividade passando de três municípios para nove pólos produtores. As flores tropicais nesse estado têm tido grande expansão de cultivo.

Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o potencial para a produção de flores está sendo levantado, sendo esses estados importadores de flores do restante do País.
As regiões refletem condições diferenciadas da floricultura no Brasil, necessitando de ações localizadas e diversas para garantir o desenvolvimento desse setor em âmbito nacional, para atender aos mercados interno e externo.

Fonte:

http://www.iica.org.br/Docs/CadeiasProdutivas/Cadeia%20Produtiva%20de%20Flores%20e%20Mel.pdf

 

Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Cadeia produtiva de flores e mel / Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,

Secretaria de Política Agrícola, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura ; Antônio

Márcio Buainain e Mário Otávio Batalha (coordenadores). – Brasília : IICA : MAPA/SPA, 2007.

140 p. ; 17,5 x 24 cm – (Agronegócios ; v. 9)

ISBN 978-85-99851-21-0

 

1. Agronegócio – Brasil. 2. Política Agrícola – Brasil. 3. Frutas. I. Secretaria de Política

Agrícola. II. Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura. III. Buainain, Antônio

Márcio. IV. Batalha, Mário Otávio. V. Título.

AGRIS 3307;9340

CDU 631.575