Laranja

Calagem e adubação de citros

SOLO

Considerações abrangentes sobre solos para citros foram feitas por RODRIGUEZ (1984). STOLF (1987) deu atenção às propriedades físicas, particularmente à possibilidade de compactação.

OLIVEIRA (1986) resumiu muito bem as exigências edáficas das plantas cítricas:

“(1) o sistema radicular dos citros apresenta grande proporção nos 40-60 cm superiores, podendo se aprofundar até 5m;

(2) são sensíveis à acidez e muito exigentes em magnésio e principalmente cálcio;

(3) crescem bem em solos com ampla variação textural, porém são os de textura média (em torno de 20% de argila) os mais adequados;

(4) nenhuma característica do solo é mais essencial para os citros do que a boa drenagem; raramente são encontrados bons pomares com plantas crescendo satisfatoriamente em menos de 100 cm de solo bem drenado;

(5) são plantas de folhas persistentes ao longo do ano, requerendo, portanto, água continuamente;

(6) a fertilidade (natural) do solo, para citros, é menos importante que as características físicas.”

Os teores de argila ajudam a entender: drenagem e armazenamento de água e possibilidade de compactação e, junto com o teor de matéria orgânica (C %) os valores para soma de bases (S). A saturação em alumínio (m), tanto na superfície como em profundidade, conseqüência do baixo teor de cálcio no complexo de troca, representa uma “compactação química” ao crescimento das raízes, portanto, menor possibilidade de aproveitar água e nutrientes do solo ou do adubo aplicado: compare-se a Terra Roxa Estruturada com o Latossolo Vermelho Amarelo e as Areias Quartzosas.

CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS

As plantas cítricas são verdes durante o ano todo, não apresentando período de repouso e podendo viver vários séculos (SMITH, 1966ª). Apresentam dois ciclos anuais de crescimento:

De primavera    = crescimento vegetativo e floral;

De verão                      = principalmente vegetativo.

O crescimento dos brotos termina com 3-9 folhas expandindo-se quase simultaneamente. As folhas podem persistir durante 1-3 anos, havendo então num mesmo ramo folhas de ciclos diferentes. Uma planta adulta apresenta 50 mil a 100 mil folhas, produzindo na primavera 10 mil flores, das quais somente 1.000 aproximadamente podem chegar à maturação que se completa entre 8 a 15 meses depois do florescimento. Temperaturas maiores que 35ºC durante 1-3 dias podem causar abortamento das flores.

De acordo com ERICKSON (1968) são necessários 2,3 m² de folhas para produzir 1 kg de fruta em plantas com 9 anos de idade. No Japão foi estimado que devem existir 25 folhas para nutrir 1 fruto. O índice de área foliar (IAF) mais adequado está ao redor de 7 (7 m² de folhas para cada m² da área da copa projetada.

As raízes apresentam baixa capacidade de absorção de nutrientes, o que tem sido atribuído ao pequeno número de pêlos absorventes. Mostram alta necessidade de oxigênio, embora alguns porta-enxertos, como trifoliata, sejam menos exigentes. A distribuição e a quantidade de raízes depende do porta-enxerto, da copa, da idade e das condições do solo. Laranjeiras adultas (10-23 anos de idade) têm cerca de 90% das raízes na profundidade de 60 cm. Entre 75 a 99% das raízes encontram-se na área compreendida num raio de 2 m a partir do tronco (MONTENEGRO, 1960).

Embora as plantas possam viver dezenas de anos, mais de 1 século, a vida útil varia entre 20 e 30 anos, aproximadamente.

IRRIGAÇÃO

Estima-se que existam hoje 30 milhas de laranjais irrigados no estado de São Paulo (1998). O primeiro grande projeto de irrigação na citricultura paulista foi instalado no inicio da década de 70, por iniciativa da Fazenda Sete Lagoas, no município de Conchal, em área de 2.200 há de laranjeiras natal, valência, pêra e murcote. Nos últimos seis anos grandes empresas, assim como pequenos e médios citricultores, têm contribuído para o aumento da área irrigada.

Registram-se resultados positivos na irrigação de pomares de laranja em muitas propriedades, mas verificam-se também casos de insucesso. Com freqüência atribui-se o fracasso ao equipamento e não à falta de experiência do operador do equipamento no manejo da água.

Ao analisar tecnicamente os projetos de irrigação de laranja que deram errado, observa-se que, na maioria das vezes, o problema foi o desconhecimento da hora certa de iniciar a irrigação e também da quantidade de irrigação necessária.

Convém saber que altas produtividades em pomares de laranja dependem da emissão de floradas intensas na área. E a indução fisiológica da florada na planta baseia-se na falta de água (déficit hídrico) no solo ou na ocorrência de baixas temperaturas ambientais.

Na região do mar Mediterrâneo (Espanha, Israel, etc.), por exemplo, a indução floral da laranja é comandada pelas baixas temperaturas no inverno. Quando chega a primavera, todas as variedades tendem a florescer simultaneamente e o escalonamento da produção para suprir a demanda anual só pode ser obtido pela utilização conjugada de variedades precoces, médias e tardias.

Já na região da Flórida, nos Estados Unidos, a indução floral pode ser comandada tanto pelas temperaturas baixas no inverno, quanto pelo déficit hídrico no solo, dependendo das condições climáticas de cada ano. Isso confere à região maior capacidade de floradas defasadas no tempo.

Nas zonas citrícolas tradicionais do Brasil, localizadas no centro-oeste do estado de São Paulo (Bebedouro, Matão, São José do Rio Preto, etc), o que comanda a emissão floral é somente o déficit hídrico no solo, porque as temperaturas de inverno não são suficientemente baixas. Já na região sudeste do Estado de SP (Itapetininga, Pilar do Sul, São Miguel Arcanjo, etc), tanto as baixas temperaturas de inverno e o déficit hídrico no solo, poderão comandar a emissão floral de acordo com as condições climáticas de cada ano agrícola. Assim, quem tenha comprado um equipamento de irrigação e comece a irrigar tão logo pare de chover, corre o risco de reduzir a produtividade de seus pomares, se o déficit hídrico não tiver sido suficiente para induzir a floração, principalmente na região centro-oeste de SP. Em suma, água fora de hora mais atrapalha do que ajuda o produtor a colher mais.

A experiência do manejo da irrigação em pomares de laranja mostra ser impossível oferecer uma recomendação pronta e acabada sobre a conduta a seguir, à maneira de uma receita de bolo, porque as condições climáticas variam de ano para ano. A estratégia de irrigação que funciona em um ano mais seco pode não servir para ano mais úmido. Outros fatores também influenciam: posição do talhão na área, combinação variedade-porta-enxerto, profundidade do sistema radicular e tipo de solo.

A solução técnica para o manejo racional da irrigação em pomares está no monitoramento rigoroso da umidade do solo. A introdução recente no Brasil do tensiômetro digital de punção tem contribuído para assegurar o sucesso da irrigação em citros. O que diferencia a nova tecnologia em tensiômetros é a alta precisão do leitor digital, associado ao baixo custo de instalação em larga escala do equipamento.

Fertirrigação, recurso poderoso.

A irrigação localizada, além de possibilitar a aplicação de adubos por seu intermédio, mostra vantagens inesperadas, como a melhor convivência das plantas com o amarelinho.

O grande interesse pela irrigação localizada se deve especialmente à economia de água, energia elétrica e mão-de-obra, além do substancial aumento de produtividade e qualidade das frutas por ela proporcionado. Verificou-se também que pomares irrigados de forma localizada convivem melhor com a clorose variegada dos citros (CVC).

Suas principais vantagens podem ser assim relacionadas:

– Economia de fatores de produção, como água e energia elétrica, por haver o umidecimento de apenas parte do volume do solo (quando comparado aos sistemas de irrigação não localizada).

– Por ser a água levada diretamente à zona das raízes, perdas por percolação ou evaporação são mínimas.

– Desestímulo ao crescimento de plantas invasoras por supressão da irrigação nas entrelinhas da cultura.

– Garantia de precisão no fornecimento de água e distribuição uniforme, graças à evolução dos equipamentos, como emissores autocompensáveis, válvulas hidráulicas e filtros.

– Alta eficiência no fornecimento de água, alcançando facilmente 90% no gotejamento e 85% na microaspersão (contra 60 a 70% da aspersão convencional).

Essas características criam as condições necessárias para a aplicação de fertilizantes via água de irrigação – fertirrigação -, que constitui a maior vantagem do sistema e a mais poderosa ferramenta para a condução da cultura.

Fertilizantes utilizados na fertirrigação

Nitrogenados
Sólidos Líquidos
Nitrato de amônio Uran
Nitrato de cálcio Sulfuran
Nitrato de potássio
Uréia
Sulfato de amônio
Potássicos
Sólidos
Cloreto de potássio (branco em pó)

Sulfato de potássio

Nitrato de potássio
Fosfatados
Sólidos Líquidos
MAP purificado Ácido fosfórico

Calagem e adubação dos citros

Critérios e Recomendação da Calagem e Adubação dos Citros

Dada a relação entre a disponibilidade dos nutrientes no solo, sua concentração no tecido vegetal, o crescimento e a produção de frutos, estudos desenvolvidos no Brasil, desde a década de 60, têm trazido contribuições significativas para o estabelecimento de padrões de interpretação e de manejo do estado nutricional dos citros através das análises químicas de solo e de folhas.

Análise de solo

A amostragem de solo para os citros é feita em glebas ou talhões homogêneos quanto a cor e textura do solo, posição no relevo e manejo do pomar, idade das árvores, combinações de copa e porta-enxerto e produtividade. As amostras de solo devem ser coletadas na faixa de adubação, nas profundidades de 0-20cm, com o intuito de recomendar a adubação e calagem, e 20-40cm, com o objetivo de diagnosticar barreiras químicas ao desenvolvimento das raízes, ou seja, deficiências de Ca com ou sem excesso de Al+3. Recomenda-se a coleta de pelo menos 20 subamostras que comporão a amostra representativa do talhão a ser encaminhada para o laboratório. As amostras, com cerca de 250cm3, devem ser secas ao ara e acondicionadas em sacos ou caixas de papel. A época mais apropriada para coleta é de fevereiro a abril, garantindo-se um intervalo mínimo de 60 dias após a última adubação. Para garantir maior eficiência e representatividade da amostragem, a coleta das subamostras deve ser feita com trados do tipo holandês, sonda ou similares.

Os padrões de fertilidade do solo com base na amostragem da camada de 0-20cm foram obtidos com curvas de calibração das análises de macro (Quadro 1) e micronutrientes (Quadro 2) no solo, específicas para citros.

QUADRO 1 – Padrões de fertilidade para a interpretação de resultados de análise de solo para citros(1)

Classes de teores P-resina

(mg/dm3)

K

(1)(mmol/dm3)

Mg

(1)(mmol/dm3)

Saturação por bases (%)
Muito baixo <6 <0,8 <26
Baixo 6-12 0,8-1,5 <4 26-50
Médio 13-30 1,6-3,0 4-8 51-70
Alto <30 <3,0 <8 <70

(1)    Esta é a nova representação, pelo Sistema Internacional de Unidades (SI). Os resultados expressos em mmol/dm3 (milimos de carga por decímetro cúbico) são dez vezes maiores do que os expressos em meq/100cm3, usados anteriormente.

QUADRO 2 – Interpretação de resultados de análise de solo para S e micronutrientes

Classes de teores S-SO4

(mg/dm3)

B

(mg/dm3)

Cu

(mg/dm3)

Mn

(mg/dm3)

Zn

(mg/dm3)

Baixo <5 <0,20 <0,3 <1,5 <0,7
Médio 5-10 0,20-0,60 0,3-1,0 1,5-5,0 0,7-1,5
Alto >10 >0,60 >1,0 >5,0 >1,5

Análise  foliar

Os teores totais obtidos com a análise foliar não dependem unicamente da disponibilidade do nutriente no solo, pois estão sujeitos à influência de vários outros fatores como taxa de crescimento do tecido vegetal, idade da folha, combinações copa e porta enxerto, e interações com outros nutrientes.

Os teores de N, P e K diminuem com a idade da folha, enquanto os de Ca, por exemplo, aumentam nas folhas mais maduras. Também, não se dispõe de informações precisas para interpretar os resultados da análise foliar de forma diferenciada para combinações de copas e porta-enxertos específicas. Pelos motivos citados, as folhas coletadas para análise devem apresentar a mesma idade e provir de plantas cultivadas em condições semelhantes.

A amostragem é feita coletando-se a terceira ou quarta folha a partir do fruto, geradas na primavera, com aproximadamente seis meses de idade, normalmente de fevereiro e março, em ramos com frutos de 2cm a 4cm de diâmetro. Recomenda-se amostrar pelo menos 25 árvores em áreas de no máximo dez hectares. Coletam-se quatro folhas não danificadas por árvore, uma em cada quadrante e na altura mediana, no mínimo 30 dias após a última pulverização. As amostras devem ser acondicionadas em sacos de papel ou plásticos e guardadas em geladeira, à temperatura aproximada de 5ºC, até o envio para o laboratório, num período inferior a dois dias após a coleta no campo.

Calagem

A avaliação da acidez do solo para a recomendação de calagem para citros é feita por meio da determinação da acidez tampão (H+AI), da soma de bases (Ca+Mg+K) e da capacidade de troca catiônica (CTC) a pH 7,0 (Sistema IAC de análise de solo).

A necessidade de calcário é calculada para elevar a saturação por bases (V) a 70% na camada superficial do solo (0-20cm de profundidade). Este valor corresponde a pH 5,5 determinado em solução de CaCl2. Recomenda-se também o manejo da calagem para elevar e manter os níveis de Mg no solo em pelo menos 4mmol/dm3 ou, idealmente, 8mmol/dm3. A produção máxima de laranjas foi observada para valores de V de 60% e Mg no solo ao redor de 9,0 mmol/dm3. O cálculo da calagem é feito com a seguinte fórmula:

CTC(V2-V1)

10 PRNT

NC =                           em que:

NC        = necessidade de calagem, t/há;

CTC      = capacidade de troca de cátions, mmol/dm3;

V1 = saturação por bases atual do solo, da camada arável de 0-20 cm, %;

V2 = saturação por bases desejada para os citros, %;

PRNT    = poder relativo de neutralização total do calcário.

Para culturas perenes, como os citros, é importante fazer a correção da acidez antes da implantação do pomar, com a incorporação mais profunda possível do calcário. Além disso, recomenda-se a aplicação de uma quantidade adicional de calcário (250g/m de sulco) no sulco, onde serão colocadas as mudas, junto ao P, para estimular o crescimento do sistema radicular.

Adubação NPK

Trabalhos realizados no Brasil permitiram, pela primeira vez, fazer a calibração da análise de solo para P e K em citros, com base na extração com resina de troca iônica. Os resultados mostraram que a análise de solo é uma excelente ferramenta para o diagnóstico da disponibilidade desses elementos para os citros. Os limites das faixas de interpretação de teores (muito baixo, baixo, médio etc) para o K são semelhantes aos usados para as culturas anuais, mas, para o P, os valores para culturas perenes são um pouco mais baixos. Existe uma correlação bastante estreita entre os níveis de P no solo e a produção relativa de frutos de árvores adultas. A resposta da produção de frutos à adubação com K é também bastante significativa. O incremento da produção é maior para valores muito baixos e baixo de K no solo, definidos de acordo com os padrões de fertilidade do solo.

As tabelas de recomendação da adubação N, P e K para os citros são divididas em três fases na cultura: plantio, árvores jovens (até cinco anos de idade) e árvores adultas (em produção).

Na implantação do pomar, recomenda-se a aplicação apenas de P nos sulcos, em doses que variam de 20 a 80g de P2O5/m linear de sulco, junto com o calcário.

Para a fase de formação, as doses de N, P2O5 e K2O recomendadas levam em conta a idade do pomar e os resultados da análise de solo para P e K para atender às necessidades de crescimento da copa e ao início de produção de frutos (Quadro 3).

QUADRO 3 – Recomendações de adubação para citros em formação, por idade e em função da análise do solo(1)

Idade

(anos)

N

(g/planta)

P-resina

(mg/dm3)

K trocável

(mmol/dm³)

0-5 6-12 13-30 >30 0-0,7 0,8-1,5 1,6-3,0 >3,0
P2O5

(g/planta)

K2O

(g/planta)

0-1 80 0 0 0 0 20 0 0 0
1-2 160 160 100 50 0 80 60 0 0
2-3 200 200 140 70 0 150 100 50 0
3-4 300 300 210 100 0 200 140 70 0
4-5 400 400 280 140 0 300 210 100 0

(1) Para a variedade de laranja ‘Valência’ reduzir as doses de K em 20%.

Resultados recentes da pesquisa mostraram que na fase de formação, a resposta dos citros à adubação com Pé maior para copas enxertadas em tangerineira ‘Cleópatra’, em comparação ao limoeiro ‘Cravo’ e ao citrumelo ‘Swingle’. A calibração dos teores de P no solo parece distinta daquela na fase de produção de frutos. O nível crítico para as árvores jovens é superior aos 20mg/dm3 reportado para árvores ser limitado a um volume menor de solo, e a absorção de P ocorrer principalmente por difusão desse elemento. Também há resultados que indicam que nesta mesma fase de condução dos citros no campo (antes de cinco anos de idade), a resposta de copas em citrumelo ‘Swingle’ à adubação com K seja maior em comparação a outros porta enxertos. Daí, provavelmente, uma explicação para o fato de o citrumelo ‘Swingle’ induzir frutas com boa qualidade de suco.

No caso dos citros em produção, as doses de nutrientes recomendadas foram determinadas a partir de curvas de calibração para máxima produção econômica dos citros, em função dos teores foliares de N, P e K no solo. Nesta fase, doses distintas são recomendadas para laranjas e lima ácida ‘Tahiti’, e limões, tangerinas e tangor ‘Murcote’. Ainda nessa fase, é importante levar em consideração a produtividade esperada para a definição das doses de fertilizantes a adicionar aos citros, uma vez que plantas mais produtivas extraem e exportam quantidades maiores de nutrientes. Em média, uma tonelada de frutos de laranja contém 2,4kg de N e 2,0kg de K, além do que é necessário para a formação e desenvolvimento do restante da planta.

A análise do solo não fornece parâmetros para a adubação nitrogenada dos citros, pois ainda não se dispõe de métodos adequados para avaliar a disponibilidade de N no solo. No entanto, o teor de N foliar tem mostrado, em pesquisas feitas no Brasil, ser um bom indicador para ajustar as doses de N definidas, conforme a produção pendente de frutos. Para teores acima de 28g de N/kg a resposta à produção de frutos é praticamente inexistente. No caso de limões, o teor adequado de N nas folhas parece ser menor que aqueles em laranjas e situa-se em torno de 22g de N/kg.

Os citros armazenam uma grande quantidade de N na biomassa, que pode ser redistribuída, principalmente para órgãos em desenvolvimento como folhas e frutos. Por este motivo, a redução da adubação com N pode não afetar a produção de frutos de imediato, contudo, quando as doses de N forem inferiores às recomendadas, as árvores podem sofrer uma gradativa redução da densidade e crescimento da copa, que, consequentemente, acarretará em perdas na produção de frutos em anos posteriores.

O manejo dos adubos nitrogenados é importante para garantir a eficiência de uso do N. Com as práticas recomendadas para o controle do mato no pomar, por meio de herbicidas ou roçadeira, evitando o uso de grades, os fertilizantes são aplicados na superfície do solo, às vezes sobre resíduos de plantas. Nessas condições, a uréia, fonte de N mais comum no Brasil, está sujeita a perdas por volatilização de amônia se não ocorrer chuva ou irrigação em até dois dias após a aplicação, para incorporar o fertilizante ao solo. Avaliações de campo têm mostrado que as perdas por volatilização podem variar de 15% a 45% do N aplicado à superfície do solo como uréia.

O ajuste da adubação nitrogenada com base na análise de folhas é muito importante, pois a falta ou excesso de N interfere no tamanho e na qualidade dos frutos.

A adubação com P em citros vinha sendo negligenciada no Brasil em função de dados obtidos em outros países que sugeriam que esta cultura era pouco responsiva a esse elemento. Essa informação não levava em conta que em muitas regiões produtoras no exterior, os citros são cultivados em solos desenvolvidos a partir de sedimentos ricos em P e que os solos no Brasil são, em geral, deficientes nesse nutriente. Resultados obtidos têm mostrado respostas expressivas a P em pomares adultos cultivados em solos pobres.

Para as aplicações de adubo na superfície, deve-se utilizar fontes de P solúveis em água. Além disso, devido à baixa mobilidade do P nos solos, é recomendável fazer a incorporação do adubo, com o calcário, uma vez por ano, especialmente nos solos nos quais a deficiência de P pode ser limitante. Também, a melhor oportunidade de incorporar P ao solo é na fase de implantação do pomar.

A adubação é feita na época das águas, período de maior demanda das plantas. O parcelamento das doses de N e K em três ou quatro aplicações durante o ano aumenta a eficiência da adubação, por evitar perdas de nutrientes no solo com a água de drenagem, o que ocorre principalmente em solos arenosos, e por adequar a demanda de nutrientes em diferentes períodos de desenvolvimento dos citros (do florescimento à maturação dos frutos). Para pomares em produção aplicam-se de 30% a 40% do N e K na época do florescimento, e o restante é dividido entre os meses de outubro a março do ano seguinte. O P pode ser aplicado em dose única nos meses de agosto e setembro.

Micronutrientes Essenciais aos Citros

1. INTRODUÇÃO

A nutrição dos citros apresenta aspectos de grande importância que devem ser considerados atentamente para que seja proporcionado um bom desenvolvimento das plantas. É necessário que haja um bom equilíbrio entre as quantidades dos diferentes nutrientes, para atender às exigências das plantas.

São aceitos como principais macronutrientes em peso o carbono – C, oxigênio – O e hidrogênio – H que as plantas retiram do ar e da água e que constituem cerca de 95% do seu peso. Os outros 5% compõem-se de: macronutrientes minerais que somam cerca de 4,5% do peso total e 0,5% correspondendo a micronutrientes, que entram em quantidades bem menores, na nutrição. São seis os macronutrientes minerais mais importantes: nitrogênio – N, fósforo – P, potássio – K, cálcio – Ca, magnésio – Mg e enxofre – S. São também seis, os micronutrientes essenciais para os citros: zinco – Zn, boro – B, manganês – Mn, cobre – Cu, ferro – Fé e molibdênio – Mo.

Cada um dos nutrientes tem, em associação com outros ou isoladamente, funções específicas que influenciam o comportamento das plantas quanto a seu crescimento, produção de frutas e sua qualidade interna e externa, longevidade, resistência a pragas e moléstias, etc. Para exemplificar, o nitrogênio, que é considerado o nutriente mineral mais importante para os citros, quando está em deficiência, provoca a diminuição ou até, em casos mais graves, a paralisação de crescimento das plantas, culminando com o secamento das extremidades dos ramos e, em conseqüência, prejuízos sérios à produção de frutas.

2. MICRONUTRIENTES

Tratando especificamente dos micronutrientes, embora sua quantidade em peso seja muito reduzida, eles exercem funções enzimáticas importantes e participam ativamente do metabolismo dos citros.

A seguir são apresentadas as características que permitem reconhecer visualmente a deficiência de cada micronutriente, bem como as funções que desempenham no complexo nutricional. Já que os sintomas descritos referem-se à falta acentuada do micronutriente, isto indica que as plantas com tais sintomas estão sofrendo a carência apontada.

A fim de conhecer a tendência da falta de dado nutriente, antes que haja um desequilíbrio grave para a nutrição dos citros, é usada a diagnose foliar. Esta diagnose apresenta, dentro de alguns parâmetros que tem sido determinados, a possibilidade de serem tomadas medidas acauteladoras, com o suprimento do nutriente, ou nutrientes, em falta.

2.1. ZINCO – Zn

– Funções: É elemento essencial para a vida das plantas embora não sejam bem claras suas funções. Suas carência provoca uma queda acentuada da clorofila, o que leva a pensar que ele interfere na sua produção. É Geralmente aceito que o zinco participa da formação de auxinas de crescimento e da ativação de enzimas estimulando o crescimento vegetativo, tamanho das folhas e sua cor verde.

– Sintomas de carência: Com a falta de zinco há redução de tamanho das brotações novas e das folhas. Há clorose acentuada do limbo, em faixas entre as nervuras. Em casos agudos, aparece o aspecto de “zebradas”. Os internódios são curtos. Há tufos de folhinhas. Há redução de botões, ocorrendo pequena produção de frutos de tamanho reduzido, de casca lisa, pálidos e com pouco suco.

2.2. BORO

– B no solo: Tem sido encontrado B no solo na faixa de 2 a 100ppm o que, por si só, tem pouco valor para saber de sua disponibilidade. Ele se encontra no solo como parte de alguns silicatos. Alguns fatores influem na sua disponibilidade, sendo importantes a acidez ou a alcalinidade do solo, a quantidade de colóides, a matéria orgânica, o cálcio e outros. É mais comum a deficiência de boro nas plantas em solos naturalmente ácidos, em que o B foi lavado; em solos arenosos; em solos alcalinos; em solos pobres em matéria orgânica, etc.

A faixa de segurança entre a deficiência e o excesso d B é pequena. A toxidez é tão grave quanto a sua falta, manifestando-se nas folhas por um amarelecimento das pontas, que se estende para as margens. Mais tarde pode haver a formação de resinas na face inferior seguindo-se queda de grande número delas com grave deperecimento e até morte de plantas.

Algumas práticas culturais podem interferir na disponibilidade de B às plantas: a) a água de irrigação com 0,10 a 0,20ppm de B dificulta o aparecimento da deficiência, mas se o conteúdo de B for maior que 0,75ppm, os citros podem mostrar toxidez; b) adubações orgânicas freqüentes reduzem a deficiência de B; c) o salitre do Chile (nitrato de sódio contém impurezas das quais o B faz parte, podendo diminuir a deficiência de B; d) o mesmo acontece em São Paulo, com os calcários sedimentares da região de Limeira – Piracicaba – Rio Claro nos quais são encontrados alguns micronutrientes; e) as calagens pesadas podem interferir na utilização do B pelas plantas, tornando-o insolúvel.

2.3. MANGANÊS – Mn

Funções: O manganês ocupa posição semelhante à do zinco na nutrição das plantas, quanto à quantidade. Sua função não é bem conhecida, mas parece ser necessário para a síntese da clorofila. O Mn parece exercer também função catalítica, ajudando na atividade respiratória das plantas, na translocação do ferro, etc.

Sintomas de carência: Em folhas de tamanho normal, com maior freqüência nas partes mais sombreadas das plantas, aparecem cloroses entre as nervuras, menos acentuadas do que as de zinco. Seria como que uma leve deficiência de zinco, sem redução do tamanho das folhas.

Mn no solo: O Mn ocorre nos solos normalmente na forma de óxidos. Compostos de Mn, como o dióxido de Mn, apresentam baixa disponibilidade às plantas, diminuindo a acidez do solo, a solubilidade do Mn decresce, tornando-se pouco disponível, com pH acima de 6,5. Certas condições do solo podem influenciar a deficiência de Mn, a saber: solos de aluvião derivado de material calcário; solos calcários mal drenados e com alto teor de matéria orgânica, solos muito arenosos e pobres originalmente em Mn, etc.

Algumas práticas culturais influenciam na disponibilidade de Mn no solo: a) calagens exageradas neutralizando a acidez no solo, comumente originam deficiência de Mn por sua insolubilização; b) a queima de matéria orgânica em solos ricos em cálcio, produz alcalinidade que induz a deficiência de Mn; c) em solos muito ácidos, o excesso de Mn livre causa toxidez, com prejuízos à produção.

REUTHER e outros (1954) na Flórida constataram que após 15 anos de adubações continuadas de citros em solo arenoso, com fórmulas contendo manganês, era comum encontrar excesso do nutriente na camada de solo de 0 – 30 cm de espessura, da ordem de 670 a 900kg de Mn por hectare.

2.4. COBRE – Cu

Funções: Dentre os micronutrientes, o cobre participa na nutrição dos citros em doses reduzidas, em torno de 5 a 10 ppm nas folhas. Sua função é também pouco conhecida, admitindo-se ser do tipo catalítico como a do manganês, ajudando em outras funções de planta.

Sintomas de carência: É comum, na carência de cobre, aparecer uma folhagem de cor verde escuro, com brotos tenros, angulosos, em forma de S, com folhas gigantes. Com o prosseguimento da carência, as brotações novas aparecem com a coloração verde amarelada, param de crescer e perdem as folhas. Aparecem bolsas de goma nos ramos novos, o que também tem ocorrido em plantas muito jovens em viveiros. Quando há produção de frutos, eles podem apresentar sintomas de goma externamente, na casca, com fendilhamentos transversais, ou longitudinais, e na parte estilar, antes mesmo dos sintomas foliares. Tais frutos geralmente apresentam formações de goma junto às sementes, paralisam precocemente seu desenvolvimento e caem antes de amadurecer. A casca dos frutos é grossa e a quantidade de suco é reduzida. O florescimento de plantas carentes em cobre é abundante, há bom pegamento de frutinhos, mas ocorre grande queda deles no verão, ainda verdes.

Os sintomas de goma nos ramos e nos frutos são comuns em laranjeiras; para as tangerineiras são restritos aos frutos, enquanto que nos limoeiros são praticamente ausentes nos frutos.

Um excesso de cobre pode provocar toxidez, o que é agravado em solos ácidos e de baixo teor de matéria orgânica. Os sintomas mais claros de excesso de cobre aparecem no sistema radicular, com raízes pardacentas, curtas e grossas; a folhagem apresenta-se também bronzeada.

Cobre no solo: REUTHER E LABANAUSKAS (1966) relataram que o conteúdo normal de cobre em solos de mais de 100 pomares de citros na Flórida (Estados Unidos) variou de 50 a 250ppm, nos primeiros 15cm de solo, enquanto em solos virgens a  variação era de 1 a 10ppm. Em solos arenosos da costa Atlântica, o mais comum é de 3 a 15ppm. Normalmente o subsolo contém menos cobre que o solo superficial, mais pode haver exceções. Em solos de reação alcalina o cobre se insolubiliza e as plantas não podem aproveitá-lo.

Algumas práticas culturais podem influenciar na disponibilidade de cobre no solo: a) irrigação com água alcalinizante; b) adubações com altas doses de nitrogênio e o acúmulo de fósforo com adubações fosfatadas continuadas, podem causar deficiências de cobre.

2.5. FERRO – Fe

Funções: O ferro é elemento essencial para a formação de clorofila, embora não faça parte dela.

Sintomas de carência: Com a falta de ferro, as folhas jovens tornam coloração amarelada, bem pálida, permanecendo verdes todas as nervuras. Fica bem destacada uma malha de nervuras verdes, em um limbo verde amarelado, mais claro, é comum a deficiência de ferro em solos alcalinos, ricos em carbonato de cálcio e mais úmidos, quando o nutriente é pouco assimilado pelas plantas, embora esteja presente em abundância. Nos solos ácidos de São Paulo, que contém teores razoáveis de ferro, não têm sido verificados sintomas de deficiência desse nutriente. A deficiência de ferro continuada causa redução no número e tamanho das folhas, com a morte de ramos novos. Nos casos mais graves os frutos podem ficar amarelados, precocemente.

Em condições normais de cultivo dos pomares, não ocorrem prejuízos por excesso de ferro. Um excesso desse nutriente pode reduzir a assimilação de fósforo.

Ferro no solo: O ferro se encontra no solo na forma de óxidos e outros sais, em quantidades que atendem às necessidades das plantas, dependendo de sua solubilidade, que é reduzida fortemente em solos alcalinos.

Algumas práticas culturais em outros fatores influenciam negativamente a disponibilidade de ferro no solo: a) solos calcários e mal drenados; b) alta concentração de metais pesados em solos ácidos, especialmente zinco, manganês, cobre ou níquel; presença de fungos e ou nematóides no solo.

2.6 MOLIBDÊNIO – Mo

Funções: O molibdênio é o micronutriente exigido em menores quantidades pelos citros, entrando na composição das folhas apenas com cerca de 0,1 a 1,0 parte por milhão. É, no entanto, necessário para a redução biológica dos nitratos que antecede a formação das proteínas.

Sintomas de carência: Aparecem nas folhas manchas amareladas de forma circular, grandes, entre as nervuras. Na face inferior das folhas estas manchas se tornam resinosas, com um halo amarelado. As folhas afetadas contém baixos teores de cálcio e magnésio, enquanto o potássio é alto. Somente em casos severos, podem aparecer manchas grandes, pardacentas, com halo amarelado, externas, sem afetar o albedo, nos frutos.

Molibdênio no solo: JOHNSON (1966) relatou que em análises de mais de 500 amostras de solo o valor médio de 2,5ppm é o normal.

O molibdato, como ánion, é fortemente absorvido por minerais e colóides de solo, quando a acidez apresenta pH abaixo de 6,0.

Em solos altamente podsolizados o Mo pode estar em níveis baixos e pouco disponível, por efeito da acidez elevada.

Algumas práticas culturais podem afetar a disponibilidade do Mo: a) calagem em solos ácidos, pode ser benéfica; b) o manganês poderá induzir a deficiência de Mo, por serem elementos antagônicos entre si; c) as plantas cítricas têm respondido à adubação com molibdênio na Flórida, Estado Unidos.

3. CORREÇÃO DE DEFICIÊNCIAS DE MICRONUTRIENTES

As deficiências de micronutrientes podem ocorrer de duas maneiras principais: pela falta real do micronutriente no solo em quantidade suficiente à necessidade das plantas; ou por estarem em baixa disponibilidade para as plantas, sob influência de alguns fatores. No primeiro caso é imprescindível o fornecimento do nutriente às plantas, enquanto, no segundo, a disponibilidade do nutriente pode ser melhorada quando for modificada a causa do seu não aproveitamento. É o caso do excesso de cobre e manganês; ou do cálcio, que ao elevar o pH do solo pode ocasionar deficiências de ferro e de zinco; ou do excesso de fósforo no solo, causando problemas na assimilação de cobre; etc.

De qualquer maneira, o fornecimento do micronutriente problema deve atender mais rapidamente às necessidade da planta, com benefícios para o seu desenvolvimento e produção.

3.1. ÉPOCA

A recomendação usual é a aplicação de micronutriente, em pulverização sobre a folhagem, na primavera e no verão, após o florescimento e com enfolhamento abundante.

3.2. MÉTODOS

De maneira geral, a aplicação de micronutrientes é feita por pulverização sobre a folhagem. Como a quantidade de micronutriente exigida pelas plantas é bastante reduzida, a fim de evitar problemas de toxidez com excesso de um dado nutriente, ou mesmo, de antagonismo entre eles, em geral não é recomendada a adubação sistemática de micronutrientes junto com macronutrientes, por períodos prolongados, no solo. É conhecido o problema devido ao uso prolongado de cobre em fórmulas de adubação na citricultura da Flórida, Estados Unidos. A acumulação desse nutriente no solo levou a problemas de toxidez para as plantas, com graves prejuízos ao seu comportamento (REUTHER & SMITH, 1954).

As aplicações de micronutrientes no solo são de efeito menor e mais lento, devido à pequena movimentação que eles têm no solo. Por outro lado, a correção da deficiência via solo poderá ser mais duradoura. SMITH e RASMUSSEN (1959) constataram que a aplicação de Zn e de Mn misturados na primeira camada de solo a 0 – 20cm de profundidade, em doses relativamente altas de 50g a 500g dos sais, por planta, supriram a deficiência desses micronutrientes, por vários anos.

O B na forma de bórax ou de ácido bórico, pode ser aplicado, tanto na folhagem quanto no solo, mas convém fazer somente uma aplicação, uma só vez por ano, para evitar problemas de toxidez. O excesso de B pode ser atenuado com a aplicação de calcário ao solo e pela adubação nitrogenada.

A aplicação de Mo no solo não tem dado bom resultado para corrigir sua deficiência. Ela deverá ser corrigida com pulverização foliar de molibdato de sódio.

A deficiência de Fé em solos calcários não tem sido corrigida satisfatoriamente com o uso de quelatos, ao contrário dos solos ácidos, em que é sempre mais fácil. Todas as tentativas de fornecer ferro via foliar não tem dado bons resultados. Os quelatos via solo são ainda a melhor forma de corrigir a deficiência desse micronutriente.

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Fonte:  http://www.fruticultura.iciag.ufu.br/citros2.htm#Calagem%20e%20aduba%C3%A7%C3%A3o%20dos%20citros