Pecuária

270 frigoríficos exportadores não têm auditoria

26/06/2017

Há 270 frigoríficos que atuam no mercado externo e não têm nenhum auditor federal agropecuário (Affa) fiscalizando diariamente suas atividades. A denúncia é do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), segundo o qual o embargo dos Estados Unidos à carne brasileira é culpa do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).

De acordo com a entidade, a suspensão das importações de carne in natura, anunciado na última semana, é resultado da “falta de atitude do Ministério em tomar medidas já conhecidas para solucionar problemas na fiscalização, como a falta de pessoal e o fim das indicações políticas para cargos eminentemente técnicos”.

O Anffa lembra que o mercado agropecuário brasileiro cresceu mais de 200% nos últimos 20 anos, enquanto o quadro de servidores responsáveis pela fiscalização caiu mais de 35%. No último dia 9 de Junho, o sindicato protocolou ofício solicitando a realização de concurso público para contratação de 1.600 Affas.

“Estamos trabalhando com déficit de quase 40% dos servidores. Há Affas que passam mais de uma semana fora de sua cidade, viajando, para não deixar frigorífico sem fiscalização. Os auditores estão comprometidos com a saúde da população e com a economia brasileira”, afirma o presidente do Anffa Sindical, Maurício Porto.

Além da defasagem na fiscalização, o sindicato aponta a indicação política para cargos eminentemente técnicos, especialmente em cargos de chefia. Explica que está em vigor decreto que os superintendentes regionais do Mapa só poderiam ser servidores com curso superior completo e estágio probatório concluído. Hoje, 16 superintendentes não preenchem esses requisitos, e o ministério afirma que só cumprirá o decreto para as novas nomeações, mantendo os 16 nos cargos.

“Para nós, esses são requisitos mínimos, porque defendemos o critério de que a escolha leve em consideração, além dessas exigências, uma prova de títulos e a apresentação de um plano de trabalho”, argumenta Porto.

Fonte: Agrolink