Manejo

PRINCIPAIS PRAGAS DA CANA-DE-AÇÚCAR CENTRO DE TECNOLOGIA CANAVIEIRA

A cana-de-açúcar é conhecida como cultura que utiliza baixos níveis de agrotóxicos. O CTC – Centro de Tecnologia Canavieira, possui tecnologia disponível para o monitoramento e controle das principais pragas, visando racionalizar o uso de inseticidas. A seguir, apresentamos um resumo das diversas pragas e dos danos verificados nos canaviais, para contribuir com o trabalho de controle dos produtores rurais. A correta identificação desses insetos consiste no primeiro e importante passo para que as devidas providências possam ser tomadas.

BROCA DA CANA – Encontrada em todo o território nacional, a broca da cana, Diatraea saccharalis, é uma mariposa cujas larvas causam a morte da gema apical e danos no interior do colmo da cana-de-açúcar. Através dos orifícios abertos pelas larvas, ocorre penetração de fungos dos gêneros Fusarium e Colletotrichum, que causam a podridão vermelha.
O controle biológico da broca consiste no método mais eficiente através da liberação de parasitóides como a Cotesia flavipes. O uso indiscriminado de inseticidas de solo pode prejudicar o controle naturalmente realizado por predadores, sendo necessário racionalizar o uso desses produtos.
A determinação das áreas mais infestadas é realizada mediante o levantamento populacional da praga em canaviais com 2 a 4 meses após o plantio ou 2 a 4 meses após cada corte nas áreas mais infestadas e que necessitam de controle. Os levantamentos de Intensidade de Infestação (I.I.) são realizados durante a safra, amostrando-se no mínimo 20 canas por hectare.

CIGARRINHA DAS RAÍZES – As ninfas da cigarrinha das raízes, Mahanarva fimbriolata, produzem uma espuma na base dos colmos, nas raízes superficiais, onde se alimentam e se mantêm protegidas embaixo da palha da cana colhida sem queimar até atingirem a fase adulta. Elas surgem após as primeiras chuvas no fim do inverno quando deverão ser iniciados os primeiros levantamentos. O CTC recomenda o controle biológico, com a aplicação do fungo Metarhizium anisopliae quando forem encontradas populações acima de 3 ninfas por metro linear. Os históricos dos levantamentos mostram que boa parte das áreas amostradas, normalmente acima de 70-80%, não ultrapassam esses níveis.

CUPINS – São insetos sociais que vivem em colônias organizadas. Perdas ocorrem com falhas na brotação das soqueiras e redução da longevidade do canavial. A maioria das espécies de cupins não é agressiva à cultura, ao contrário é benéfica. O conhecimento das espécies, os níveis de infestação, determinados por levantamentos populacionais, são fundamentais dentro de um programa de manejo integrado de pragas de solo, reduzindo o uso de cupinicidas a 10-20% apenas da área de plantio, sendo que o uso indiscriminado desses inseticidas de solo causa o desequilíbrio nos inimigos naturais da broca da cana.

MIGDOLUS – No estágio de larva, o besouro Migdolus fryanus ataca o sistema radicular da cana causando falhas na brotação das soqueiras, morte em reboleiras e necessidade de reforma precoce do canavial. Esta fase dura no mínimo dois anos, podendo chegar a três anos e as larvas são encontradas até a profundidade de cinco metros no solo. Todo ciclo é subterrâneo. Os adultos vêm à superfície apenas por ocasião das “revoadas”. Os melhores resultados de controle são obtidos com a aplicação de inseticidas por ocasião do preparo do solo, em operação conjunta com a subsolagem (subsolador-aplicador) ou aração (arado de aiveca, com aplicador de inseticida), na época seca, quando se observa maior ocorrência de larvas nas camadas superficiais do solo.
Alternativa complementar é a aplicação sobre as mudas, no sulco de plantio, em operação conjunta com a cobrição. A aplicação em soqueiras mostrou baixa eficiência no controle de Migdolus.

SPHENOPHORUS – O bicudo da cana, Sphenophorus levis, é um besouro que na fase larval causa danos nos colmos em desenvolvimento escavando galerias, afetando o stand da cultura e a produtividade. Reduzem a longevidade dos canaviais, que muitas vezes não passam do segundo corte. A praga encontra-se disseminada na região de Piracicaba e em alguns municípios mais distantes. A disseminação pelo trânsito de mudas é a hipótese mais provável para explicar a rápida expansão da área infestada, visto que o inseto praticamente não voa e seu caminhamento é lento.
O método mais recomendado para o controle da praga é o cultural, que consiste na destruição antecipada das soqueiras com o erradicador de soqueiras, modelo CTC nas áreas infestadas, destinadas à reforma, preferencialmente no período de maio a setembro. A seguir a área deverá ser mantida livre de plantas hospedeiras da praga e o próximo plantio deverá ser realizado o mais tarde possível, em março-abril, em ciclo de cana de ano e meio, reduzindo, desta forma, a probabilidade de infestação a partir dos adultos que normalmente estão presentes em maiores quantidades no período de janeiro a março. As mudas a serem utilizadas no plantio deverão estar isentas da praga, sendo originárias de áreas não infestadas.

BROCA GIGANTE – A Broca Gigante, comum no nordeste do Brasil e detectada na região Centro Sul em 2007, pode causar grandes perdas na produção agrícola e industrial. Danifica a cana-de-açúcar abrindo galerias no colmo, deixando-o oco, além de gerar falhas e sintoma de “coração morto” na brotação das soqueiras. Em situações de altas infestações, reduz a longevidade do canavial, exigindo a reforma antecipada das áreas. O plantio de mudas oriundas de áreas problemas não deve ser realizado.

FORMIGAS CORTADEIRAS – Em São Paulo, as formigas cortadeiras de maior importância para a cultura da cana-de-açúcar pertencem ao gênero Atta, conhecidas como saúvas, sendo A. bisphaerica e A. capiguara as de maior importância econômica. As saúvas são responsáveis por perdas médias na produtividade agrícola que variam de 1,6 a 3,2 toneladas de cana por ninho, a cada ciclo.
A termonebulização, embora seja uma técnica muito antiga, começou a ser empregada em cana-de-açúcar a partir de meados da década de 80, a princípio, em situações especiais onde a isca não funcionava com a rapidez e eficiência desejadas. Mas, em função dos elevados índices de eficiência obtidos ele se difundiu rapidamente e passou a ser o principal método utilizado em cana-de-açúcar na década de 90. Esta técnica consiste na transformação de um inseticida diluído em óleo em uma névoa e a sua aplicação no interior do formigueiro, utilizando equipamentos denominados termonebulizadores.
Tem-se observado, com muita freqüência, o controle indiscriminado de espécies pragas (saúvas e quenquéns) com inseticidas não registrados que prejudicam espécies importantes no controle biológico natural, o que pode ter um impacto significativo no equilíbrio das populações de outras pragas, especialmente a broca.

LAGARTA ELASMO – A Lagarta Elasmo é um inseto polífago, amplamente distribuído no Brasil. Está presente em praticamente todas as regiões canavieiras, sendo considerada praga de importância econômica. Atacam as brotações da cana, tanto em cana-planta como nas soqueiras, apresentando elevado potencial de danos em períodos de estiagem prolongada. A queima da palha antes ou depois da colheita favorece a ocorrência de praga já que a fumaça atrai os adultos para a área além de estimular a oviposição. Em áreas de colheita de cana crua, em geral, não ocorrem infestações de Elasmo.

MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS DE SOLO (MIP) – O monitoramento e controle de pragas de solos possibilitam o uso racional de inseticidas. O monitoramento que define a aplicação direcionada é mais econômico e vantajoso, porque o controle é dirigido apenas às áreas afetadas, evitando desperdícios. Além disso, não interfere nos métodos de controle de outras pragas, sem prejuízos aos inimigos naturais e principalmente sem prejudicar o ambiente. A equipe de monitoramento deve ser treinada para os levantamentos em áreas de reforma ou expansão e a porcentagem de touceiras danificadas é a base para definir o controle.

Mauro Benedini e Armene Conde, Gerentes Regionais do CTC que atendem as Associações de Fornecedores comentam sobre o assunto: “O CTC, através dos seus pesquisadores da área de Entomologia
capacita os técnicos do Produto Muda Sadia, quanto aos melhores métodos de controle das principais pragas da cana. Por sua vez, a equipe do “Muda Sadia” vem treinando regularmente os profissionais e equipes de campo das Associações de Fornecedores, através de inúmeros cursos, palestras e treinamentos. Portanto, todas as Associações de Fornecedores filiadas ao CTC estão capacitadas para orientar seus associados na melhor maneira de controlar sua lavoura e com os menores custos. Procurem os técnicos das suas associações para maiores detalhes”.

 

Fonte: http://www.canaoeste.com.br/boletim2009_04.pdf