‘Mahle’, a laranja que vem por aí

Carlos Eduardo de Souza

Dentro de 4 ou 5 anos, as citriculturas paulista e nacional poderão contar com a “mahle”, uma variedade nova de laranja de meia-estação com capacidade de produzir mais de 400 quilos por pé com frutas com tamanho de médio para grande, brix e ratio semelhantes ao da laranja pera-rio. A previsão é do pesquisador científico Eduardo Firmino Carlos, que trabalha no projeto de desenvolvimento da fruta. Os citricultores paulistas já conhecem variedades de laranjas de alta produtividade, como é o caso da hamlin, colhidas logo no início da safra, mas que produzem frutos de menor qualidade. Também tem aumentando o volume de frutas produzidas por hectare, adotando espaçamentos menores para um ciclo de exploração da cultura mais curto. A vida útil de um pomar devido a doenças como greening e clorose variegada dos citros (CVC, ou “amarelinho”) deve encolher entre cinco a dez anos.

Dentro de alguns anos, se os testes com a mahle corresponderem às expectativas, os citricultores talvez possam sonhar com produções acima de 200 toneladas por hectare no período de meia estação sem utilizar irrigação. Firmino Carlos disse que a nova variedade é uma mutação, localizada em pomar no município de Severínea, e recebe o sobrenome do dono da propriedade que detectou diferença e informou aos pesquisadores. A planta está em quarentena há 36 meses para evitar ser contaminada com doenças e já existem clones sendo testados sobre o desenvolvimento da planta em diferentes regiões climáticas no Estado de São Paulo. Há clones de mahle cultivados no Centro de Citricultura de Cordei-rópolis, na Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro (EECB), e na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq).

Clones vão ser plantados no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) devido à transferência de Eduardo Carlos, que é natural de Rio Preto, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento para a instituição de pesquisa paranaense. Segundo Firmino Carlos, o material está submetido a testes sobre estabilidade de produção e também sobre capacidade e tolerância e resistência a doenças. O pé de mahle é de porte médio e o suco tem cor intensa, apesar da planta original ter sido descoberta no Norte de São Paulo.

”Ela tem sabor de laranja doce, casca fina e apresenta entre duas e três sementes por fruta, que são características desejáveis também para o consumo da fruta in natura.” Firmino Carlos disse que a nova variedade tem apresentado bons resultados em cavalinhos (porta-enxertos) de cleópatra e tangerina cravo. “Trata-se de mutação de pêra-rio e sabe-se que pêra-rio não dá bons resultados com cavalinho de swingle”, disse. O desenvolvimento da nova variedade faz parte do programa “Laranja Nota 10”, que tem como finalidade desenvolver citros com potencial de produção e qualidade.

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